Custa-me custar-te que me custe.
quinta-feira, junho 30
Barba
Depois ficava despenteado no queixo.
Assim, tenho uma careca à Abade, mas no maxilar.
Dedos
Doente
- Achas? Porquê?
- Então, onde já se viu um teatro com cortinas remendadas! E tochas de Querosene! Aquilo ardia tudo!
- Pois... e nem devia ter casas-de-banho.
Pesadelo
«Era um teatro antigo e escuro. Enorme. Cheio de cadeiras antigas mas confortáveis. Penso que eram vermelhas, aveludadas. A plateia estava cheia e os balcões, no primeiro andar, circulavam a sala oval, igualmente cheios. Todos estavam trajados a rigor. Homens de fato escuro e gravata e as mulheres com sóbrios vestidos compridos.
A ladear as cadeiras, havia uns degraus que desciam com a sala. Um corredor de escadas de cada lado da sala, apertando a curva em direcção ao palco ligeiramente acima da primeira fila. Em cada um dos degraus havia velas acesas. Círios. Era a única iluminação que havia, tirando umas tochas de querosene espalhadas uniformemente pelo palco, à frente.
As cortinas eram vermelhas e aparentemente gastas pelo tempo. Notavam-se alguns remendos feitos à pressa mas que não destoavam do resto da decoração. A sala parecia toda ela remendada. Era bonita, ou melhor, aparentava ter tido tempos áureos muito lá para trás. Hoje em dia, era simplesmente sinistra.
Poderia tentar descrever o tecto, mas no sonho não me recordo de o ter visto. Devia ter um lustro qualquer a pender de cima, mas nem iluminado estava. Talvez ainda fosse de velas.
Ouvia-se o burburinho dos presentes que esperavam ansiosamente o começo do espectáculo. A maioria sabia ao que ia. Eu não. Apenas me recordo de lá estar. No meio da sala. Sem companhia. Devia ser o único desacompanhado. Todos os outros estavam de braço dado à companheira, enquanto trocavam esguios olhares com outras fileiras. Ninguém se apercebia, ou então faziam de conta...
Os sussurros foram diminuindo até quase não se ouvir absolutamente nada, a não ser o ranger das cadeiras lá ao fundo. O espectáculo ia começar. Ali estava, ainda sem saber exactamente o que me ia aparecer à frente. Aquilo era tudo estranho. Asqueroso, sujo, degradado.
As cortinas começavam lentamente a abrir. Vislumbravam-se mais tochas acesas que iluminavam o palco.
Do negrume que brotava daquele estrado, viam-se três estacas perfeitamente alinhadas, à frente. Em cada uma delas espetava-se uma cabeça humana, morta, ainda fresca. O público delirava com o início. Palmas e ovações de pé acompanhavam assobios em êxtase. Na primeira fila, os homens ajudavam as companheiras a ver melhor.
Repentinamente as tochas apagam-se e fica tudo no lusco-fusco das velas das escadas. Aproximava-se o clímax da produção.
Enormes labaredas começam a dançar à volta do palco enquanto se vê uma enorme estaca exactamente centrada. Era mais comprida que as outras, mas era única. Ouviam-se tambores rufar e cânticos em crescendo.
Começa, então, a descer, em grossas correntes metálicas, uma mulher presa e despida em direcção ao poste. Tinha cabelos compridos, negros, com caracóis a penderem sobre os seios.
Gritava.
Preparava-se o empalamento. »
- Tu não és normal, pois não?
- Não. porquê?
Vem
Vem.
Dormir
- ??
- Queres um gelado?
- Não. Quero ir dormir.
Sexy voice
- Estás? Porquê?
- Por causa de coisas.
- Queres que te ligue?
- Não.
- Porquê, não gostas da minha voz?
Vozes
Sol no horizonte
- Sim, hoje também acordei sem cuecas.
Curtas
- Sim! Fogo, estava a ver que nem chegava lá. Até me doíam as pernas de tanto apertar!
- Bolas! Imagino. Epá, mas não sei como consegues. Eu não consigo. Só em casa.
- Tem de ser. A vontade por vezes obriga.
- Sim. Filmaste? Como andas sempre com a câmara atrás...
- Filmei.
- Filme de merda, presumo.
- É! Mas foi curto.
- Ah, ok. Uma curta-metragem.
Fizeste?
- Fiz.
...
- E correu bem?
- Correu.
...
...
- Como sabes?
- Porque sei. Fiz tudo.
- Tudo como?
- Tudo.
- E fizeste bem?
- Fiz.
...
- Estás a falar do quê?
- Não sei. Do mesmo que tu, não?
Caderneta incompleta
- Sim. Dos raros. Daqueles que nunca saem e deixam a caderneta incompleta.
Está decidido
Por vezes ponderamos em demasia. Outras, decidimos na hora. Algumas são tão pensadas e tão analisadas que, quando vamos a ver, o tempo de as tomar já passou.
Hoje, eu decidi!
Decidi que assim não pode ser.
Que nem tudo pode ser assim tão difícil.
Nem tudo pode ser assim tão complicado.
Nem tudo pode ter tanta carga em cima.
Nem tudo justifica.
Hoje, decidi que estou definitivamente em off.
E se tem de ser tudo isto, então é porque também não é real e eu ando a dormir.
quarta-feira, junho 29
É-se
Percebo que nem tudo corre como se quer. Nem tudo é fácil.
Reparo que vou desligando, até de mim mesmo. Do Ser, do imaginar, do sonhar...
A realidade é dura, mostra-nos a crueldade do agora. O hoje é frio, distante do sonho, sombrio. Amarra-nos a medos e receios. Medo de viver, de deixar, de soltar.
Nem sempre podemos ter, mas quando podemos ser nada se compara. Ser de alguém é algo fabuloso, é o paraíso na terra. É... ser-se, sendo. Sendo-nos. Ser o mundo, ser a vida, ser a alma, ser a paz, ser o conforto, ser o ombro, ser companheiro, ser amigo, amante, ser sem ter de estar, ser o tudo, ser o tal, ser porque se ama, ser, simplesmente ser... Não será isto o fundamento do amor? O ser sem ter de ter, sem ter de estar? Simplesmente ser...
Quando se é, nada mais importa. Nada mais se procura. Nada mais faz falta. É-se um és-me de alguém.
Porque se é.
É-se de alguém.
E aí, somos livres de nós, somos paz, somos um, somos nós.
Percebemos nós a importância do Ser?
terça-feira, junho 28
Abraço
quando adormecemos juntinhos
em que o teu braço me envolve
e a minha cintura aguarda cada toque.
Realidade
Hoje não me sinto cá. Nem lá. Nem em lado algum.
Por vezes o mundo real faz questão de nos puxar e prender bem cá em baixo.
E é tão real este mundo...
Tira-nos o sorriso da cara, o brilho dos olhos.
Dá-nos a crueldade do agora.
Sendo-me
Quero ser-te, ser-mo-nos.
Apaziguar a dor que nos afasta, nos separa.
Quero poder Ser, sendo-te, sendo-me.
Não me chega estar.
Não me chega ter.
Chega-me ser.
O outro
Não o outro, o amante. Nada disso.
Simplesmente o outro. O que veio depois. O que apenas é o outro.
O que vem depois de um abraço já dado.
O que vem depois de um beijo sentido.
O que vem depois de um despir de desejo.
O que vem depois de uma espera de saudade.
O outro.
O que de tudo de cima, tem tão pouco de novo.
Que simplesmente vem depois de tudo o resto.
Monólogos
Apagava o cigarro e voltava a deitar-se, ao mesmo tempo que puxava o lençol branco para se tapar. Estava uma manhã fria, cinzenta. As persianas estavam corridas, mas o frio fazia-se sentir mesmo dentro do quarto semi-escuro.
- Já só me apetece fechar os olhos novamente e adormecer, sabes? - suspirava ao mesmo tempo que virava a cabeça e reparava na almofada vazia.
...de mim
Sonhei acordado com tudo, com nada.
Tive pesadelos comigo.
Andei sonâmbulo pelos dias.
Hoje, preciso de mim.
Farto
Estou cansado de mim.
Não sei... Ainda tenho dúvidas. Algumas, pelo menos.
Não. Afinal não tenho. Sei que não quero.
Não quero nada de mim.
Estou farto.
Encontro
- Trago-te um desejo. - disse sorrindo assim que a viu.
O seu corpo estava rígido, firme. Os passos haviam parado mecânicamente.
- Um desejo, amor? - perguntou com um subtil levantar de sobrancelha.
- Sim, um desejo. Mas já não quero que o desejes.
segunda-feira, junho 27
Quem?
Quem se acha no direito de pensar que pensa como os outros? Que pensa para os outros?!
Mas quem raio disse que amar é definido no tempo, no espaço, no Ser?
Quem pode afirmar que amar não é mais do que um corpo? Ou dois? Que se pode amar sem pensar em estar, em ver, em sentir?
Quem pode dizer que amar é real ou irreal, ou até racional e mensurável?
Como? Como se pode medir a irracionalidade do intangível?
Alguém pode?
Pode?!
É, pois é...
É triste a espera que se demora.
Certeiro
a teu peito fechado de emoção.
Disparo-te uma túlipa encarnada com amor
na tentativa de acertar em tua alma.
Espero impaciente a tua flor,
de forma a que caiba no meu ramo,
a não ter de disparar mais nenhum sopro.
Longe de perto
Tão longe e no mesmo instante a certeza da separação.
Ao longe estás distante, é real.
De perto, há distancia, é obrigatória.
Mundos de dois num só
que da distância, se não cuidada,
se colapsam em universos desaparecidos.
sábado, junho 25
Toalha
em espasmos rítmicos de ansiedade
enquanto o peito se enfurece
das mãos que breve o tocam e desenham
em golfadas de emoção doce
no embalo sôfrego dos lábios que deslizam
na mais bela toalha estendida ao vento
entre sabores aromáticos da cor da pele
ao Vénus que do monte suspirou.
Descoberto de mim
Está despido de mim.
Descoberto do meu.
Não é assim que deve estar.
Bailado
Quase que bailam soltos, sem corpo, sem poder. Desenfreados.
Como se, de repente, ganhassem vida própria ao sabor do toque das nossas mãos.
Unem-se numa harmonia melódica de ritmos e vibrações, quase sem darem conta da nossa presença.
E depois, lá estamos nós...
Túlipa
entre cores vivas de sabores matinais
que quase entorpecem os mais fugazes
dos cheiros e aromas que sobrevoam
as ruas e vielas do meu ser.
Mas são os bolbos das túlipas que enchem o jardim.
Não te esqueças de mim
por entre pedaços frágeis de lembrança
entrelaçados em miosótis de ramos frescos
como quem diz "não te esqueças de mim"
do outro nome dado a esta flor.
quinta-feira, junho 23
Gosto
quarta-feira, junho 22
A espera
quais ocas de pau-preto perpetuando-se em rosários
no semblante negro e frio do velho toucador
com enrugados olhos cansados pelo tempo
de tanto segurar o espelho enquanto espera.
Obstipação (es)crítica
Cada dia que passa parece que a obstipação aumenta.
Não me apetece escrever nada. Estou vazio de ideias...
Baaaaah!
Rio
Se o meu cheiro te fizesse levantar
Se o meu beijo te fizesse relembrar
Se o meu sabor te abrisse o apetite
Se o meu eu te encontrasse no teu eu
Talvez assim, assim desta forma,
pudéssemos um dia ver o rio na ponte
Horas
Encostaste a tua cabeça no meu ombro e sorriste.
Deviam ser horas de escapar.
Eram quase tantas as que haviam.
Deviam ser quase tantas as vontades.
Abraçaste-me já sem sorrir.
Deviam estar eles quase a chegar.
Foi assim que te deixei ali na estrada.
Sem esperar pelos últimos segundos.
Deviam estar mesmo quase aí a chegar.
Que sejas
Os olhos do meu brilhar
O sentir da minha brisa
O Ser na minha calma
A alma da minha essência
terça-feira, junho 21
Ventre
Dança
segunda-feira, junho 20
E se...
E se o passado se impuser amanhã?
E se depois não houver amanhã?
E se nós não houvermos de novo?
E se de nós nada restar?
E se de tudo ficar nada?
E se do nada restar tudo?
E se do resto se fizer tudo?
Como quem tudo lhe resta, como quem nada detém?
E se amanhã acordares sozinha?
E se para lá ficar apenas depois?
E se no fundo ficares em ti?
Como quem fica sem mim, como quem larga e encosta?
E se amanhã for assim?
Mais
Tempo
O beijo
Longe
Tempos idos
Paraíso
Nú
Quero vê-lo nu...
Quero dar-me a ti. Todo, por completo!
Quero sentir-te minha, para sempre...
Como adoro o teu corpo, o teu peito, os teus olhos, as tuas pernas, a tua boca...
desejo-te. Desejo-te tanto...
Quero amar-te, ter-te, sentir-te. Percorrer o teu corpo com beijos e
carícias. Tocá-lo como nunca. Senti-lo tremer, gemer a cada toque, a cada
beijo. Abraçar-te na pele. Beijar-te no peito... ouvir o teu "amo-te".
Tremer de prazer.
Descobrir sensações escondidas a cada toque.
Esquecer o mundo no teu corpo.
Perder-me no teu peito.
Amar-te no teu leito...
ser descoberto por ti...
Amor
que é o amor?
quanto de amor?
que amor?
amor? qual amor?
amor?!
Amar!
Amar?
sim, AMAR!
amar como quem deseja viver
amar como quem vive
amar como quem sonha
amar como quem voa!
AMAR!
Amar?! Sim... Amar...
Ah! AMAR!
amar como quem deseja
amar como quem anseia
amar como quem se despe, se mostra
amar como quem não vive sem!
Amar!
Amar de AMOR!
como quem tem sede de um beijo
como quem vive em sobressalto
como quem sabe que estremece
como quem salta para um abraço!
como quem...
como quem... sente falta...
sente a alma...
como quem suspira pela demora, pela ausência...
como quem se inquieta, desespera...
amar, como quem ama sem dimensão, sem noção, sem tamanho
como para quem o mundo não chega
como quem pára o mundo e suspira, brevemente, contemplando...
que suspiro silencioso... que olhar distante... que força latente... que amor triste se não está presente...
Olhos
quero aquecer o teu corpo
fazer-te suar
transpirar de emoção
sentir o teu cheiro
beijar-te na boca
beijar-te no corpo
beijar-te na boca
tocar-te no peito
apertar apertar os teus seios
abraçar-te com força
virar-te para mim
olhar-te nos olhos
dizer que te amo
sentir que me amas
sentir o calor
gelar de emoção
aquecer-te com os olhos
arrepiar-te com o toque
aproximar-me de ti
abraçar-te de costas
beijar-te nas pernas
beijar-te no peito
beijar-te o umbigo
baixar mais um pouco
soprar no teu peito
dizer: AMO-TE!
Dá-me
dá-te
quero-te tanto
quero-te muito
quero-te já.
ser teu
partilhar o teu corpo
ter o teu corpo
dar-te o meu
aquecer-me no teu peito
abraçar-te junto ao meu
quero ser teu
todo, todo teu
fazer amor contigo
sempre, sempre
de manha, de tarde, sempre...
Ama-me
aquece-me
deslumbra-me
mostra-me
ama-me
beija-me
toca-me
sufoca-me
aperta-me
agarra-me
sussurra-me
olha-me
despe-me
mira-me.
Beija, aperta, agarra, escreve, fala, diz, olha, toca, toca muito e diz, diz
sempre, sempre, bem alto ao vento, ou baixinho num suspiro: AMO-TE.
Corpos
quero-te, sinto-te, vejo-te...
que cheiro, que toque, que beijo!
que afoga, levita, eleva... levanta, suspira, berra!
chama por mim, por nós.
diz o vento que ouviu... amo-te... amo-te...
que desejo nos empurra, que querer nos magnetiza...
o calor de dois corpos ao sabor de um afago...
que arrepio nos percorre na frescura de um beijo...
tempestade de emoções percorrem a nossa pele
ao simples toque de um dedo...
lábios que beijam, boca cega que descobre..
descobre a outra à nossa espera
num suspiro de amor...
num suspiro de saudade...
num arrepio de desejo...
domingo, junho 19
sábado, junho 18
Morte sombria e solitária
Sobrevoando Paris
com breves sopros de vento,
beijos quentes de monções,
abraços apertados em lençóis
num turbilhão curto de ternura
quando miramos o horizonte
e sentimos o abraço de Deus.
Conflitos
Vivam aqueles que se bateram pelos povos.
Vivam, vivam, vivam!
Loucos, todos loucos.
Eis o que esperavam:
dormir no leito eterno, abaixo do nível das águas.
Foi para isso que lutaram!
Indo
enquanto a madrugada se põe,
empresto o leito à morte
e o dia à solidão.
Estupidez
É esta a questão fundamental que, talvez, inconscientemente ou não, nos mantém agora debilitados psicologicamente e cultos da estupidez.
Todos os dias nos apercebemos de nada.
Pobreza de espírito
Caminhando ao som da ignorância
Ó Grego
Quero
sexta-feira, junho 17
Sofá
Só não sei quem adormece primeiro, se ele se eu.
Sufoco
Rasgas-me a pele com teu olhar.
Cruas palavras que me sufocam.
Pontiagudas são as frases com que me deixas.
Deixas de ser tu para não seres quem és.
Chega-te
Porque te limitas a ficar estática à minha frente?
Não te sobe o calor corpo acima quando me vês?
Não ruborizam as tuas faces quando te toco?
Não ficamos sem ar quando nos beijamos?
Então, porque não te chegas a mim?
E se?
Dúvidas
Que precisas para seguir?
É assim tão perigoso o caminho?
Ou apenas a dúvida te acompanha?
Hoje
Hoje não estás horas em mim.
Agora estás longe daqui.
Hoje não és para mim.
Hoje, não espero por ti.
quinta-feira, junho 16
Esperança
Hoje morri bem morto.
De morto como mais morto não há
Morto bem morto.
Como quem morre de vez.
Morto de morto.
Antes, esperava por ti, ali, em todo lado
Em cada brisa, em cada sopro, a cada som
Hoje, espero no desespero da morte
Como quem para sempre aguarda
Na eternidade de um abraço que não se completa
Na desistência do Ser
Na amargura do infinito.
Serei eu a esperança?
Tempo sem tempo
Contavas-me que precisamos de não ter hora marcada, que tinhas saudades de conversar na cama.
Precisamos de tempo para nós.
Necessitamos urgentemente de saciar a fome da hora que não espera por nós.
Precisamos de calma. De não termos pressa. De sermos nós.
Assim
Rugidos animais, com forças suaves nos elevam.
Enquanto embalamos em pendulares movimentos síncronos
e nos deixamos ir com a sofreguidão do momento.
Ficamos, depois, embalados no abraço enquanto os nossos corpos repousam lado a lado.
Mesmo assim, as minhas mãos não conseguem largar a tua pele.
Loiça suja
Efectivamente só lava meia-carga.
No outro dia fiquei com metade da loiça suja.
Amar, amor
Amar, sim, amar, amor.
Amar, como quem não respira sem amor, amor.
Ama, amor.
Ama o amor, ama-te a ti. Ama-me a mim.
Amor, ama como quem ama o amor.
Ama como quem se apaixona, amor.
Ama, amor, simplesmente, ama.
Ama, amor, ama.
Empurrar
Porque precisas tu de empurrar-me para me manteres perto de ti?
Não estou
Apareces quando desejas e tudo se transforma. Tudo brilha.
Porque estarei eu sempre disponível para a tua indisponibilidade?
Fazes da distância uma porta que facilmente se fecha.
Nada se diz.
Nada se sabe.
Tudo é segredo.
Até lá. Longe...
Ser
Quem vês quando me olhas?
Que miras quando teus olhos repousam em mim?
Estranho este acordar... O sabor na boca era amargo, seco, só.
Tento entender porque me queres. Para que me queres...
Não pretendo ser mais um sólido presente-passado na tua essência.
Mas quero ser mais que apenas ser.
quarta-feira, junho 15
Romantismo
O meu amigo levou a namorada a ver o "ressaca 2" ao cinema.
Antes, tinham estado a ver a parte 1.
Até os estou a ver a chegar a casa...
Eclipse
Talvez o reflexo no escuro permita ver a bandeira deixada na superfície...
Pois
Ao menos deixa a porta aberta, para fazer corrente de ar!
Longe
Fugíamos juntos?
E se nos apanhavam? Que dizíamos?
Fugimos?
Vendo bem
acho que afinal o mundo deixou de rodar.
Agora está tudo sentado em frente ao portátil a navegar na web.
terça-feira, junho 14
Jantas?
segunda-feira, junho 13
eu?
Passo os dias a tentar esquecer.
Passo as horas a tentar esconder.
Quem és? Que me és?
Eu, quem?
Como não?
Sabes porque estou assim?
Não?! Como não?
Claro que sabes! Aliás, só podes saber!
Fugiste comigo de mim!
Seco
Inóspitas paisagens encobrem a pradaria que, de repente, saltou da esquina à minha frente.
Campos secos, sem verde, despidos de tudo. Vazios.
Não se vê vivalma. Nem uma brisa atravessa o passeio, lá atrás.
Pilhas de feno descansam em pacotes meticulosamente geométricos, enquanto os cactos respiram sob o olhar atento da areia que se empilha por cima de uma roda velha, de um qualquer veículo.
Está morta. Redondamente morta.
Amo
Amo com toda a força do meu Ser.
Finalmente, amo!
Terei eu andado escondido?
Ou esconderam-me deste fragmento?
Intimamente nós
Como consegues ser assim?
Antes, quando nos perdíamos em conversas absurdamente mundanas, ficavas nua, durante a tarde, a meu lado. Guardavas um pedaço do lençol para cobrir parte das pernas e tapavas o teu peito com as minhas mãos.
Sábados e Domingos cobertos pelos nossos corpos, resguardados do mundo exterior. Lá fora tudo continuava. Ali, o mundo parava. Era nosso. O nosso pedaço de Ser. Fins-de-semana de descoberta, de renovação. Parecia que um novo pôr-do-Sol se avizinhava no horizonte. Um novo dia estava a chegar.
Lembras-te de sermos uns freaks? De nos abraçarmos em silêncio, das nossas mãos percorrerem as nossas curvas?
Que nos aconteceu? Para onde fomos?
Antes, o tempo parava, o fim do encontro trazia a amargura do afastamento, até ao próximo intervalo, até ao outro pedacinho de céu.
Fugíamos juntos do resto, de todos. Nada tinha importância. Havia emoção em vez de razão, de calculismo.
Éramos nós. Apenas nós, entregues, envoltos num nós muito maior que cada um que nos compunha.
Fazíamos planos repletos de cor e música. O futuro estava ali, ao virar da esquina, a um pequeno passo, à distância de mais um beijo.
Onde estamos? Encontras-te?
Pareces fria, distante, lá longe.
Foi ilusão? Como pode?
De repente, as tuas costas mostram-me a porta de saída. Já não estás. Já não és…
E eu?
Que faço com isto tudo?
Facas
Sinto que morro, que desapareço aos pedaços.
Sinto-te os punhais apontados à pele. Querem entrar. Marcam e vincam-me as costelas.
Só te falta empurrar. Apenas mais um pouco de pressão.
Perfura-me e acaba de vez com a minha miséria.
domingo, junho 12
Passagem
Não gosto de insegurança.
Detesto viver com a sensação que estou de passagem na vida de outra pessoa.
Imaginário
Ando triste. Cabisbaixo.
Parece que o mundo de repente é raiado a cinzento.
Visto-me de negro, como a imagem da minha alma.
Espelho-me nas nuvens negras que imaginariamente desenho lá nos céus.
Apetece-me estender as pernas bem alto e deixar correr o sangue todo até à minha cabeça.
Pode ser que assim deixe de me doer.
Sonhos
Pinto-te a alma no meu pensamento, enquanto adormeço acordado.
Revejo-te a cada pestanejar, enquanto miro o infinito.
Fecho os olhos, por momentos, e a tua imagem desfocada ofusca-me a retina.
Sinto-te na pele.
As tuas mãos percorrem-me ao adormecer. Cobrem-me num abraço de cintura.
As tuas pernas procuram o calor das minhas e embalas-me em descanso.
Sinto-te em mim no meu sonhar.
Espero não acordar de manhã cedo.
Quero prolongar o meu desejo.
Eu-me
Sinto-me falta. Sinto falta de mim. Procuro por entre as memórias do meu ex-eu e descubro a falta que me faz.
Faz-me falta sentir-me. Ser-me. Ter-me só para mim.
Sinto falta do meu eu.
Do eu que desconheces. Que nunca viste. Não quiseste ver.
Sinto a fraqueza chegar.
Sinto a força a querer escapar.
Será que um dia verás?
Terás um espaço para mim?
Serás um dia de mim?
sábado, junho 11
Amanhã
Tenho medo de ser.
Medo de ir.
Tenho medo de mim e de ti.
Do que nos pode acontecer.
Do que nos espera o amanhã.
Se houver amanhã…
Paz
Promete-te tudo
dá-te beijos sem fim
promete-te a Lua
felicidade sem fim
Promete-te a Paz
Afaga-te as lágrimas
Oferece-te um abraço
Promete-te nada
Um nada que não vês
Um tudo de fome
de alarve que estás
com amor infinito
vontade sem fim
de sossego e calma
num abraço cansado
da jornada suculenta
de eterno calor
coberta de algodão doce
e regada de mel.
Mas ela, será sempre ela.
sexta-feira, junho 10
quinta-feira, junho 9
Troika
Ainda bem que (ainda) não há nenhuma troika para os blogues de alguns doentes mentais…
Ainda me cortavam o pio.
Depilação e pêlos encravados
Mas a verdade, meus ociosos leitores, é que cada vez há mais macho republicano a aderir a este roto costume. E porquê, perguntais vós? Sei lá eu, responde o yours sincerely (mais uma vez, há que chegar ao público além mar, desta feita aos que hablan e speakam inglés!-aqui uma orgia de espanhol com inglês).

Pior, será que alguém já pensou sequer na complicação do pêlo encravado?? E se for na virilha, mesmo por baixo do egg-bag, como é?! Ah pois é! Não pensaram nisso, não é?! Pois! E depois é vê-los a coçar que nem alarves e a parecerem uns animais que não podem sair de casa sem coçar a macheza! Que lindo espectáculo prós transeuntes e que bela imagem do género masculino passam cá para fora! Tudo a coçar o pêlo encravado na paragem do autocarro ou na escadaria do metro ou, quiçá, à porta do restaurante! E nós, sem pêlo encravado, como ficamos? Depois anda tudo praí a dizer que os homens são uns bárbaros, que nem podem sair de casa sem ser malcriados, que andam todos a coçar as entre-pernas no meio da rua!

Já agora, aproveitem para fazer nos entrefolhos das nádegas. Pode ser que assim ninguém vos ouça a chegar!
Seus... gajas, pá!
Antes e Depois...
Para os meus desocupados leitores preparei e pesquisei intensamente (estou nisto há mais de 3 minutos!) exemplos para vos mostrar. encontrei algumas coisas que já terão oportunidade de habilmente comentar (sem ordinarices).
Mas antes disso, gostaria de lançar a confusão, quero dizer, de lançar a discussão sobre o que para vós é melhor: o antes ou o depois. Além disso, para apimentar as farpelas, decidi incluir os retoques de photoshop. O que vos pergunto, devolutos amiguinhos, é, para o vosso quotidiano, o seguinte: E se o antes é melhor que o depois?
Ah e tal, dirão alguns, coiso e não sei quê, dirão outros, hmmm, pensarão alguns, grunpf pfunpf emitirão alguns. Pois! Mas outros há que afirmarão: mas há muita coisinha que melhora com um retoquezito e uma pintura e desamolgadela na chapa não faz mal a ninguém!
Ok... Mas a que preço? Valerá a pena? É assim tão importante? Eu cá tenho a minha opinião que, talvez um dia, compartilharei.
ProntoS (o acrescento do "S" é para falar de modo a que o público alvo seja mais abrangente. Há que falar a língua de Camões em todo o seu esplendor!), eu cá não acho bem, nem compro o leite pelo pacote que traz, mas também sou contra o casamento ga... entre pessoas do mesmo sexo e a opinião vale o que vale e ele(a)s casam na mesma. Maricage não é prá'qui chamada, senão levo na corneta a dizer que eu sou homofóbico. Pois sou... com muito gosto e feitio. Eu cá sou Home (como se diz lá em cima, acentuação no "O" - leia-se: HÓme) de uma companhia só! (leia-se e compreenda-se do género feminino. Mas não qualquer uma, apenas da minha! Só para não haver confusões). Vá, chega de devaneios que eu tenho de ir roer as unhas.
Não viveremos nós num mundo cada vez mais plastificado e plasticizado, em que o importante é o pacote e não o conteúdo?
Não estaremos nós a enfatizar a embalagem, descurando a essência? "Ah mas é agradável aos olhos e tal!" Então e ao sair da banhoca, morrem de susto quando se deparam com a imagem desphotoshopizada? (eh, eh, mais uma palavra acabadinha de sair do forno!).
Filosofia láctea (da barata, mas não grátis!)
Qual Protágoras debitando o Logos, a corrente Sofista do meu primeiro manjar do dia é carregadinha de essência, contaminando de acastanhada cor o leite puro meio-gordo, empacotado de frágeis nomos. Terei eu descoberto há longas décadas que divina poção láctea não deriva dos Deuses no Olimpo, mas sim de terráqueas e gordas vacas de pastoril.
Contrariando pensamentos Filosóficos Gregos, desviando a iluminação pelas divindades supremas, acredito que o homem é o fruto da sua própria cultura, espelhando piamente a frase "o homem é a medida de todas as coisas".
Enfim, caros aprendizes de ensinamentos eclesiásticamente lácteos, a verdade é que as verdades universais e absolutas de Tales de Mileto há muito foram banidas! E todos sabem, ou deveriam saber, que não há melhor leite que aquele misturado com chocolate!
Deixo-vos com este iluminário, mas não vos julgais hábeis na mistura em proporção! Para cada copo de leite, há uma porção exacta de chocolate. Fazei por aplicar a famosa frase de Aristóteles: " A Grandeza não consiste em receber honras, mas em merecê-las", que foi, segundo Augusto Comte "o príncipe eterno dos verdadeiros filósofos"!
P.S.
Logos - Discurso
Nomos - Convenções
Chocolate - Chocolate
Mini-saias e coisas assim
Não sei se vos assola o mesmo que a mim, mas com a vinda do calor parece que vem também a despudor desmesurado.
Bem, à medida que escrevo isto vou tendo uma série de pensamentos que, por si só, são contraditórios. Se formos a ver bem, não sei se é só o calor que traz o despudor... Senão vejamos: no meu tempo (Chiça que tou velho) as garotas no liceu andavam vestidas dos pés à cabeça (não, não sou do tempo dos fatos de banho do tornozelo à ponta dos cabelos, nem da touca na farfalhuda cabeça); hoje em dia, as adolescentes não usam saias. Usam cintos.
No meu tempo, ninguém andava com os soutiens à mostra propositadamente. Hoje, é moda.
Podia continuar por aqui fora mas quero focalizar-me na saia, ou melhor, na mini-saia, isto é, no cinto!
Pernoca torneada, bronzeada no estaleiro, musculada q.b., celulite-free, unha pintada e com apliques! Geração XXI century. Estão a ver a imagem.
Ora se não fosse a grave crise económica com que nos deparamos, não vinha grande mal ao mundo. Aliás, cada um veste-se como bem entende e quer. O problema é que precisamos de revitalizar a economia! E se a moda do cinto em vez de saia pega de vez, além dos problemas de pescoço e de estrabismo que possa provocar nos utentes masculinos das vias públicas e transportes colectivos, a industria têxtil mundial vai ter um sério problema para vender rolo de tecido para confeccionar!
Bem, voltando ao cinto e deixando a economia para os amigos asiáticos que nos vendem o que nós precisamos urgentemente, há uma coisa que eu não consigo compreender muito bem. É relacionado com os cintos. Se a malta quer passear a bela depilada pernoca, pêlo-free do laser, desenhada como as curvas do Marão até ao rabiosque, então porque raio teimam em estar constantemente a puxar a saia para baixo, como que tentando demonstrar um falso puritanismo de constrangimento?? Então se a moda é substituir a mini (saia, não bebida!) pelo cinto, e se inclusivamente é feito com lusitana vontade e fulgor, porque insiste este gesto entrar no nosso quotidiano?![]()
Cá para mim, devíamo-nos deixar de tretas e assumir de vez as nossas vontades! Então não somos nós o país que assume o casamento em plena harmonia de sexos? Ok, ok, também punimos a mirandesa arrebitada que trazia o Demo às mentes dos nossos puros estudantes, mas não devemos esquecer que ainda habita nas mentes das nossas queridas esposas transmontanas a ideia do marido que era encantado pelo hábil adorno das moçoilas que dançavam nos clubes nocturnos da região... Mesmo assim, não concordo, mas tudo bem.
Eu cá sou adepto da JJ que, em vez de andar aqui armada em falsa puritana, decidiu afirmar em todo o seu esplendor a sua cintisse (inventei agora, que tal?) e assumir que, já que gosta do cinto, que seja em toda a sua naturalidade!
Casa
Desejo
Corpo
sentir-te na pele,
abraçar-te com força
e beijar-te, beijar-te.
Sentir o calor
aquecer o meu corpo
juntar-me ao teu,
abraçar o teu seio
e beijá-lo sem fim.
Acordar no teu peito,
senti-lo no meu
correndo um sopro
com beijos na pele
que aquecem e gelam,
não sabem que fazem,
que fogem e escondem
toques ardentes,
gemidos contentes,
calores constantes
tremores de arrepios
que ficam no peito
percorrem o corpo
sustentam o vento
que leva o aperto
do braço que envolve
da mão que procura
do dedo que toca
no seio do vento
que responde ao apelo
que diz que se sente
com cada toque no toque
do peito no peito
da mão que procura
do seio que espera
no corpo que encontra.
The intellectual speech (About birth)
Negras brumas
com seu manto longo e solitário
de visões fétidas de desespero
enquanto a noite se põe
mordendo calcanhares suculentos
beijando calçadas soltas e sujas
sugando as veias da solidão.
Ao longe eles aparecem. Evitam os cantos e os candeeiros das vielas.
Quem são estes vultos? De onde vieram? Que ventre brotou tamanho negrume?
O cheiro é nauseabundo… Cavalga-nos as narinas, penetra-se na alma, entra, entra, como quem projecta incandescentes fluxos de luz e fel no horizonte!
Acabou…
Negras brumas descobrem
sacando o retalho que encobre
virando costas ao prostrado já sem cor, deixando um rasto de sombra…
Já é dia?
Cansado
Tenho sede, sinto-me fraco! Quero molhar os lábios, saciar a sede, beber com vontade.
Quero esticar as pernas, apontar os pés para a frente, cruzar os dedos, esticar, esticar e descomprimir as cãibras.
Fecho os olhos e tudo é simples, tudo é azul, do mar, quando as nuvens descansam para lá da montanha.
Gostava de manter os olhos fechados por mais um pouco...
Brisa
em cada canto.
Encontro-te nas palavras que não oiço
na brisa do Oceano que vejo ao fundo.
Quem és tu, afinal?
Sinto-te nas minhas entranhas,
no meu sangue percorre a tua falta.
Golfadas de saudade brotam da epiderme
que transpira fome de desejo.
Sinto-te em mim.
Abraço-te a cada instante, a cada passo, a cada olhar que não me dás.
Arrepia-me a pele com teu sabor,
sufoca-me com o teu encanto.
Suspira em mim o teu calor.
Infinitamente
Sinto
Causto
Vazio
Arrepio-me
Sinto os pêlos eriçarem-se.
Questiono a minha posição.
Onde estou? Desconheço esta rua…
Enfio-me pelo beco mal iluminado e dou de caras com um enorme cruzamento
Despido de vida, de paisagem, de barulho
Apenas existe o nada. Um nada que para mim parece amarelo, tórrido.
Esquisito… Sempre imaginei o nada negro.
Decido-me a seguir em frente,
Caminho em direcção ao vazio.
Vou deixando pegadas incolores.
Estranho… deviam ser quentes, alaranjadas…
Sonhar
Memórias
Continua a doer.
Coca-cola
Às vezes até pelo nariz.
Foste-te
Sombra
Já sinto o nascer do Sol por trás do horizonte...
Fui-me
Chegada
Estou a pecar em pensamento
Peito
Gases
Vens?
Hoje perdes-te comigo em busca do calor que fomos esquecendo nos dias frios que nos afastaram?
Perdes?
Mas encontras-te lá, comigo? Apenas comigo?
Como dantes?


