quinta-feira, junho 30

Dor

Custa-me custar-te que me custe.

Barba

Hoje fiz a barba numa zona muito localizada, mesmo por baixo do queixo, porque os pêlos estavam a crescer, podiam ficar encravados e podiam dar pro torto.
Depois ficava despenteado no queixo.
Assim, tenho uma careca à Abade, mas no maxilar.

Dedos

- Acho que tenho alguns dedos em cada mão que servem para muito mais do que apenas fazer companhia aos outros...

Doente

- O gajo do "pesadelo" deve ser doente.
- Achas? Porquê?
- Então, onde já se viu um teatro com cortinas remendadas! E tochas de Querosene! Aquilo ardia tudo!
- Pois... e nem devia ter casas-de-banho.

Pesadelo

- Antigamente tinha muitas vezes um pesadelo horrível. Era mais ou menos assim:
«Era um teatro antigo e escuro. Enorme. Cheio de cadeiras antigas mas confortáveis. Penso que eram vermelhas, aveludadas. A plateia estava cheia e os balcões, no primeiro andar, circulavam a sala oval, igualmente cheios. Todos estavam trajados a rigor. Homens de fato escuro e gravata e as mulheres com sóbrios vestidos compridos.
A ladear as cadeiras, havia uns degraus que desciam com a sala. Um corredor de escadas de cada lado da sala, apertando a curva em direcção ao palco ligeiramente acima da primeira fila. Em cada um dos degraus havia velas acesas. Círios. Era a única iluminação que havia, tirando umas tochas de querosene espalhadas uniformemente pelo palco, à frente.
As cortinas eram vermelhas e aparentemente gastas pelo tempo. Notavam-se alguns remendos feitos à pressa mas que não destoavam do resto da decoração. A sala parecia toda ela remendada. Era bonita, ou melhor, aparentava ter tido tempos áureos muito lá para trás. Hoje em dia, era simplesmente sinistra.
Poderia tentar descrever o tecto, mas no sonho não me recordo de o ter visto. Devia ter um lustro qualquer a pender de cima, mas nem iluminado estava. Talvez ainda fosse de velas.
Ouvia-se o burburinho dos presentes que esperavam ansiosamente o começo do espectáculo. A maioria sabia ao que ia. Eu não. Apenas me recordo de lá estar. No meio da sala. Sem companhia. Devia ser o único desacompanhado. Todos os outros estavam de braço dado à companheira, enquanto trocavam esguios olhares com outras fileiras. Ninguém se apercebia, ou então faziam de conta...
Os sussurros foram diminuindo até quase não se ouvir absolutamente nada, a não ser o ranger das cadeiras lá ao fundo. O espectáculo ia começar. Ali estava, ainda sem saber exactamente o que me ia aparecer à frente. Aquilo era tudo estranho. Asqueroso, sujo, degradado.
As cortinas começavam lentamente a abrir. Vislumbravam-se mais tochas acesas que iluminavam o palco.
Do negrume que brotava daquele estrado, viam-se três estacas perfeitamente alinhadas, à frente. Em cada uma delas espetava-se uma cabeça humana, morta, ainda fresca. O público delirava com o início. Palmas e ovações de pé acompanhavam assobios em êxtase. Na primeira fila, os homens ajudavam as companheiras a ver melhor.
Repentinamente as tochas apagam-se e fica tudo no lusco-fusco das velas das escadas. Aproximava-se o clímax da produção.
Enormes labaredas começam a dançar à volta do palco enquanto se vê uma enorme estaca exactamente centrada. Era mais comprida que as outras, mas era única. Ouviam-se tambores rufar e cânticos em crescendo.
Começa, então, a descer, em grossas correntes metálicas, uma mulher presa e despida em direcção ao poste. Tinha cabelos compridos, negros, com caracóis a penderem sobre os seios.
Gritava.
Preparava-se o empalamento. »
- Tu não és normal, pois não?
- Não. porquê?

Vem

Convoco-te frenesim alado que da minha pele brotas malvadez e cais desnudo sem pêlo sem gesto em todo o esplendor de ironia peçonhenta que de ti se alimenta e suga cada centímetro do teu ser gosmento e podre como alarve que é deixando um rasto de tinta podre qual parasita de seu carrasco.
Vem.

Hoje é dia

de disparates.

Dormir

- Sim, deixa-te andar e pensa que está tudo bem! Depois não te queixes...
- ??
- Queres um gelado?
- Não. Quero ir dormir.

Sexy voice

- Estou nervoso.
- Estás? Porquê?
- Por causa de coisas.
- Queres que te ligue?
- Não.
- Porquê, não gostas da minha voz?

Canivete

- Tenho um canivete Suíço vermelho multi-funções extensível. Faz tudo... Até de canivete.

Vozes

Por vezes, o barulho que a barriga faz, é a nossa voz interior a querer dizer qualquer coisa...

Sol no horizonte

- Hoje está um dia lindo. Apetece ficar a olhar o mar.
- Sim, hoje também acordei sem cuecas.

Ao amigo das curtas

- Tens de fazer a sequela.

Curtas

- Conseguiste? Não estavas aflito?
- Sim! Fogo, estava a ver que nem chegava lá. Até me doíam as pernas de tanto apertar!
- Bolas! Imagino. Epá, mas não sei como consegues. Eu não consigo. Só em casa.
- Tem de ser. A vontade por vezes obriga.
- Sim. Filmaste? Como andas sempre com a câmara atrás...
- Filmei.
- Filme de merda, presumo.
- É! Mas foi curto.
- Ah, ok. Uma curta-metragem.

Uma questão?

O que é mais difícil, amar ou ser amado?

Fizeste?

- Fizeste?
- Fiz.
...
- E correu bem?
- Correu.
...
...
- Como sabes?
- Porque sei. Fiz tudo.
- Tudo como?
- Tudo.
- E fizeste bem?
- Fiz.
...
- Estás a falar do quê?
- Não sei. Do mesmo que tu, não?

Caderneta incompleta

- És um cromo! Dos difíceis!
- Sim. Dos raros. Daqueles que nunca saem e deixam a caderneta incompleta.

Tem?

Amar tem de ser difícil?

Está decidido

Por vezes, na vida, há que tomar decisões complicadas. Umas mais, outras menos. Mas é imperativo que as tomemos. Aliás, a vida é formada por um conjunto de decisões que vamos tomando. Ao fim e ao cabo, são estas opções que, no balanço, farão provavelmente a diferença em muito do que vivemos ou quisemos viver.
Por vezes ponderamos em demasia. Outras, decidimos na hora. Algumas são tão pensadas e tão analisadas que, quando vamos a ver, o tempo de as tomar já passou.
Hoje, eu decidi!
Decidi que assim não pode ser.
Que nem tudo pode ser assim tão difícil.
Nem tudo pode ser assim tão complicado.
Nem tudo pode ter tanta carga em cima.
Nem tudo justifica.
Hoje, decidi que estou definitivamente em off.
E se tem de ser tudo isto, então é porque também não é real e eu ando a dormir.

quarta-feira, junho 29

É-se

Reparo que tenho estado cada vez mais em off. Talvez seja a melhor forma de não me magoar. Deixar de fazer planos, de pensar à frente, de ver o futuro mais adiante...
Percebo que nem tudo corre como se quer. Nem tudo é fácil.
Reparo que vou desligando, até de mim mesmo. Do Ser, do imaginar, do sonhar...
A realidade é dura, mostra-nos a crueldade do agora. O hoje é frio, distante do sonho, sombrio. Amarra-nos a medos e receios. Medo de viver, de deixar, de soltar.
Nem sempre podemos ter, mas quando podemos ser nada se compara. Ser de alguém é algo fabuloso, é o paraíso na terra. É... ser-se, sendo. Sendo-nos. Ser o mundo, ser a vida, ser a alma, ser a paz, ser o conforto, ser o ombro, ser companheiro, ser amigo, amante, ser sem ter de estar, ser o tudo, ser o tal, ser porque se ama, ser, simplesmente ser... Não será isto o fundamento do amor? O ser sem ter de ter, sem ter de estar? Simplesmente ser...
Quando se é, nada mais importa. Nada mais se procura. Nada mais faz falta. É-se um és-me de alguém.
Porque se é.
É-se de alguém.
Simplesmente, é-se. Livremente.
E aí, somos livres de nós, somos paz, somos um, somos nós.
Percebemos nós a importância do Ser?

terça-feira, junho 28

Abraço

Sinto falta desse abraço
quando adormecemos juntinhos
em que o teu braço me envolve
e a minha cintura aguarda cada toque.

Realidade

Estou mas não estou.
Hoje não me sinto cá. Nem lá. Nem em lado algum.
Por vezes o mundo real faz questão de nos puxar e prender bem cá em baixo.
E é tão real este mundo...
Tira-nos o sorriso da cara, o brilho dos olhos.
Dá-nos a crueldade do agora.

Sendo-me

Não quero estar nem ter. Quero Ser.
Quero ser-te, ser-mo-nos.
Apaziguar a dor que nos afasta, nos separa.
Quero poder Ser, sendo-te, sendo-me.
Não me chega estar.
Não me chega ter.
Chega-me ser.

O outro

Tenho a dura consciência que sou o outro.
Não o outro, o amante. Nada disso.
Simplesmente o outro. O que veio depois. O que apenas é o outro.
O que vem depois de um abraço já dado.
O que vem depois de um beijo sentido.
O que vem depois de um despir de desejo.
O que vem depois de uma espera de saudade.
O outro.
O que de tudo de cima, tem tão pouco de novo.
Que simplesmente vem depois de tudo o resto.

Monólogos

- Já não te escrevo. Já não é para ti que me sai. Sabes, sinto-me em esforço. - dizia ao mesmo tempo que se sentava na beira da cama, despido. - Já não sinto que sorrio. Falamos, falamos e ao mesmo tempo parece que não dizemos nada.
Apagava o cigarro e voltava a deitar-se, ao mesmo tempo que puxava o lençol branco para se tapar. Estava uma manhã fria, cinzenta. As persianas estavam corridas, mas o frio fazia-se sentir mesmo dentro do quarto semi-escuro.
- Já só me apetece fechar os olhos novamente e adormecer, sabes? - suspirava ao mesmo tempo que virava a cabeça e reparava na almofada vazia.

...de mim

Acho que é isso mesmo! Hoje dormi a pensar que devia desligar!
Sonhei acordado com tudo, com nada.
Tive pesadelos comigo.
Andei sonâmbulo pelos dias.
Hoje, preciso de mim.

Farto

Não sei se me quero mais.
Estou cansado de mim.
Não sei... Ainda tenho dúvidas. Algumas, pelo menos.
Não. Afinal não tenho. Sei que não quero.
Não quero nada de mim.
Estou farto.

Encontro

Ele vinha de longe, com passos acelerados e o jornal de baixo do braço.
- Trago-te um desejo. - disse sorrindo assim que a viu.
O seu corpo estava rígido, firme. Os passos haviam parado mecânicamente.
- Um desejo, amor? - perguntou com um subtil levantar de sobrancelha.
- Sim, um desejo. Mas já não quero que o desejes.

Sabem que mais?

Não sei se aguento!

Onde é que está

o nosso botão de desligar?
Quero por-me em off.

segunda-feira, junho 27

Quem?

Mas quem se julgam para poderem afirmar isso? Sim, isso! Quem? E depois?
Quem se acha no direito de pensar que pensa como os outros? Que pensa para os outros?!
Mas quem raio disse que amar é definido no tempo, no espaço, no Ser?
Quem pode afirmar que amar não é mais do que um corpo? Ou dois? Que se pode amar sem pensar em estar, em ver, em sentir?
Quem pode dizer que amar é real ou irreal, ou até racional e mensurável?
Como? Como se pode medir a irracionalidade do intangível?
Alguém pode?
Pode?!

É, pois é...

É triste quando o tempo não passa e a distância não encurta e o longe ainda é longe e o corpo ressente e o dia não acaba e a hora não encurta e os olhos não vêem e a boca não sente e a mão que não toca e o espaço não aperta e o abraço demora e o sorriso não desperta e a passadeira não mostra...
É triste a espera que se demora.

Certeiro

Disparo-te uma rosa vermelha de desejo
a teu peito fechado de emoção.
Disparo-te uma túlipa encarnada com amor
na tentativa de acertar em tua alma.
Espero impaciente a tua flor,
de forma a que caiba no meu ramo,
a não ter de disparar mais nenhum sopro.

Longe de perto

Tão perto, tão distante no mesmo universo.
Tão longe e no mesmo instante a certeza da separação.
Ao longe estás distante, é real.
De perto, há distancia, é obrigatória.
Mundos de dois num só
que da distância, se não cuidada,
se colapsam em universos desaparecidos.

sábado, junho 25

Toalha

Sinto-te as coxas ofegantes
em espasmos rítmicos de ansiedade
enquanto o peito se enfurece
das mãos que breve o tocam e desenham
em golfadas de emoção doce
no embalo sôfrego dos lábios que deslizam
na mais bela toalha estendida ao vento
entre sabores aromáticos da cor da pele
ao Vénus que do monte suspirou.

Descoberto de mim

Tenho saudades do teu corpo nu.
Está despido de mim.
Descoberto do meu.
Não é assim que deve estar.

Bailado

Gosto da forma como o nosso corpo se enquadra entre os copos de vinho e a música que ao fundo ouvimos.
Quase que bailam soltos, sem corpo, sem poder. Desenfreados.
Como se, de repente, ganhassem vida própria ao sabor do toque das nossas mãos.
Unem-se numa harmonia melódica de ritmos e vibrações, quase sem darem conta da nossa presença.
E depois, lá estamos nós...

Túlipa

Cravos, rosas e jasmins quebram o pranto
entre cores vivas de sabores matinais
que quase entorpecem os mais fugazes
dos cheiros e aromas que sobrevoam
as ruas e vielas do meu ser.
Mas são os bolbos das túlipas que enchem o jardim.

Não te esqueças de mim

E que falta me faz o teu calor
por entre pedaços frágeis de lembrança
entrelaçados em miosótis de ramos frescos
como quem diz "não te esqueças de mim"
do outro nome dado a esta flor.

quinta-feira, junho 23

Sei hoje

que amanhã é um novo dia.
E bonito, bem bonito, por sinal.

Gosto

Gosto do bailado da nossa língua quando se encontra
Gosto dos dias que não têm hora para despertar
Gosto de me perder a percorrer-te
Gosto do jeito da nossa boca se beijar
Gosto das formas que os nossos lábios encontram para se juntarem.

quarta-feira, junho 22

A espera

Cunho o teu nome em réstias lembranças
quais ocas de pau-preto perpetuando-se em rosários
no semblante negro e frio do velho toucador
com enrugados olhos cansados pelo tempo
de tanto segurar o espelho enquanto espera.

Obstipação (es)crítica

Isto está a ficar difícil.
Cada dia que passa parece que a obstipação aumenta.
Não me apetece escrever nada. Estou vazio de ideias...
Baaaaah!

Rio

Se os meus passos te indicassem o caminho
Se o meu cheiro te fizesse levantar
Se o meu beijo te fizesse relembrar
Se o meu sabor te abrisse o apetite
Se o meu eu te encontrasse no teu eu
Talvez assim, assim desta forma,
pudéssemos um dia ver o rio na ponte

Horas

Deviam ser horas de fugir.
Encostaste a tua cabeça no meu ombro e sorriste.
Deviam ser horas de escapar.
Eram quase tantas as que haviam.
Deviam ser quase tantas as vontades.
Abraçaste-me já sem sorrir.
Deviam estar eles quase a chegar.
Foi assim que te deixei ali na estrada.
Sem esperar pelos últimos segundos.
Deviam estar mesmo quase aí a chegar.

Que sejas

Quero que sejas o dia do meu Sol
Os olhos do meu brilhar
O sentir da minha brisa
O Ser na minha calma
A alma da minha essência

terça-feira, junho 21

Ventre

Apaixonas-te por mim porque te escrevo palavras de amor?
Enfeitiço-te com palavras que te tocam bem fundo?
Excitas-te com descrições tórridas e quentes,
com faces rubras e quentes te contorces?
Então e depois? Porque não pode a força da palavra embalar teu ventre?

Dança

Bebemos vinho ao som das estrelas.
Embebedámo-nos em cálices mornos de um vermelho áspero de paixão.
Dançamos os nossos corpos ao som dos beijos que escapavam,
E as nossas pernas entrelaçavam-se num ritual de fome e encanto.
Ao fim da noite, havíamos espalhado as roupas da varanda ao pé da cama.

Hoje não sai nada...

mas vai sair, nem que eu entupa os dedos de kiwis!

segunda-feira, junho 20

E se...

E se amanhã não houver depois?
E se o passado se impuser amanhã?
E se depois não houver amanhã?
E se nós não houvermos de novo?
E se de nós nada restar?
E se de tudo ficar nada?
E se do nada restar tudo?
E se do resto se fizer tudo?
Como quem tudo lhe resta, como quem nada detém?
E se amanhã acordares sozinha?
E se para lá ficar apenas depois?
E se no fundo ficares em ti?
Como quem fica sem mim, como quem larga e encosta?
E se amanhã for assim?

Amando

Ama quem quer
Que não querem que ame
Que ama sem querer
Querendo que ame

Mais

Quero mais, muito mais, mais que o mundo, mais que o tudo, mais que o nada, mais de mais e mais! Quero o meu tudo, o teu tudo o nosso nada. Quero-te a ti, a mim, a nós! Quero viver, crescer, aprender. Quero correr, brincar, sorrir.
Quero mais, muito, muito mais! Quero-te a ti, quero-te mais. Mais, sem mais não. Sem limites. Mais, sem final de amanhã. Mais, sem passado de mim. Quero-te tudo, quero-te em mim. Para mim, apenas de mim.

Tempo

Tivesse eu tempo de te amar
Pudesse eu ter espaço para ficar
Ousasse eu querer abraçar-te além mar
Esperasse eu o céu e a terra numa flor
Continuasse eu ávido de ti, amor
E minhas raízes secariam neste esperar

O beijo

Do suco que sugam
Carnosos enfeites
Avermelhados de paixão
Com rubor de morangos
Suculentos e fortes
Amanham-se em formas,
Em jeitos, em espaços
Que trespassam o sabor
Da língua que voa
Que toca e rebola
O beijo sente-se e dá-se
Sem formas, sem jeitos sem espaços.

Longe

Ainda te sinto tão perto
Como um fio de mar
Ainda te sinto em mim
Como uma dor que corrói

Já não espero por ti
O nosso mundo fugiu
Já não estou sempre aqui
Como sempre voltei

Ainda te sinto tão perto
Como uma brisa do mar
Ainda te sinto em mim
Como um grito de amor

Já não penso em ti
Com a razão da manhã
Como uma voz infinita
Que no meu barco ficava

Já não te sinto aqui
Tão perto de mim
Já não és carne em mim
Que esventre o meu sufoco

Tempos idos

Seguimos trilhos iguais
Do mesmo mapa de Inverno
Sufocamos em nós
Porque o tempo passou

Os passos deixados descobrem
A dor do prazer
Que antes deixamos crescer
Agora que o tempo passou

Tens correntes a mais
A encobrir o teu charme
Entre passados iguais
Já que o tempo passou

Não queres estar amanhã
Sem anilhas e carrilhões
Bradando tempos idos
Porque o tempo passou

Paraíso

Pudesse eu fazer um acordo com Deus
Trocássemos de lugar por um momento.
Pudesses tu ver-me a toda a hora
Pudesses tu estar comigo a cada instante
Pudesses tu viver comigo para sempre
Aí, estaria eu no paraíso.

Minha

Quero que sejas minha
quero ser teu
todo teu
só teu.

Quero voltar a sentir o teu corpo.
Quero vê-lo nu...
Quero dar-me a ti. Todo, por completo!
Quero sentir-te minha, para sempre...
Como adoro o teu corpo, o teu peito, os teus olhos, as tuas pernas, a tua boca...
desejo-te. Desejo-te tanto...
Quero amar-te, ter-te, sentir-te. Percorrer o teu corpo com beijos e
carícias. Tocá-lo como nunca. Senti-lo tremer, gemer a cada toque, a cada
beijo. Abraçar-te na pele. Beijar-te no peito... ouvir o teu "amo-te".
Tremer de prazer.
Descobrir sensações escondidas a cada toque.
Esquecer o mundo no teu corpo.
Perder-me no teu peito.
Amar-te no teu leito...
ser descoberto por ti...

Quero

Quero-te!
quero que me descubras
me possuas
encontres
reclames.

Amor

Amor
que é o amor?
quanto de amor?
que amor?
amor? qual amor?
amor?!
Amar!
Amar?
sim, AMAR!
amar como quem deseja viver
amar como quem vive
amar como quem sonha
amar como quem voa!
AMAR!
Amar?! Sim... Amar...
Ah! AMAR!
amar como quem deseja
amar como quem anseia
amar como quem se despe, se mostra
amar como quem não vive sem!
Amar!
Amar de AMOR!
como quem tem sede de um beijo
como quem vive em sobressalto
como quem sabe que estremece
como quem salta para um abraço!
como quem...
como quem... sente falta...
sente a alma...
como quem suspira pela demora, pela ausência...
como quem se inquieta, desespera...
amar, como quem ama sem dimensão, sem noção, sem tamanho
como para quem o mundo não chega
como quem pára o mundo e suspira, brevemente, contemplando...
que suspiro silencioso... que olhar distante... que força latente... que amor triste se não está presente...

Olhos

Quero sentir que te amo
quero aquecer o teu corpo
fazer-te suar
transpirar de emoção
sentir o teu cheiro
beijar-te na boca
beijar-te no corpo
beijar-te na boca
tocar-te no peito
apertar apertar os teus seios
abraçar-te com força
virar-te para mim
olhar-te nos olhos
dizer que te amo
sentir que me amas
sentir o calor
gelar de emoção
aquecer-te com os olhos
arrepiar-te com o toque
aproximar-me de ti
abraçar-te de costas
beijar-te nas pernas
beijar-te no peito
beijar-te o umbigo
baixar mais um pouco
soprar no teu peito
dizer: AMO-TE!

Dá-me

Dá-me,
dá-te
quero-te tanto
quero-te muito
quero-te já.
ser teu
partilhar o teu corpo
ter o teu corpo
dar-te o meu
aquecer-me no teu peito
abraçar-te junto ao meu
quero ser teu
todo, todo teu
fazer amor contigo
sempre, sempre
de manha, de tarde, sempre...

Ama-me

Escreve-me
aquece-me
deslumbra-me
mostra-me
ama-me
beija-me
toca-me
sufoca-me
aperta-me
agarra-me
sussurra-me
olha-me
despe-me
mira-me.
Beija, aperta, agarra, escreve, fala, diz, olha, toca, toca muito e diz, diz
sempre, sempre, bem alto ao vento, ou baixinho num suspiro: AMO-TE.

Corpos

Amo-te, vivo-te, quero-te...
quero-te, sinto-te, vejo-te...
que cheiro, que toque, que beijo!
que afoga, levita, eleva... levanta, suspira, berra!
chama por mim, por nós.
diz o vento que ouviu... amo-te... amo-te...
que desejo nos empurra, que querer nos magnetiza...
o calor de dois corpos ao sabor de um afago...
que arrepio nos percorre na frescura de um beijo...
tempestade de emoções percorrem a nossa pele
ao simples toque de um dedo...
lábios que beijam, boca cega que descobre..
descobre a outra à nossa espera
num suspiro de amor...
num suspiro de saudade...
num arrepio de desejo...

Segunda-feira

Está cá tudo e não há nada.

sábado, junho 18

Morte sombria e solitária


Fodida é a vida que levamos
enquanto esperamos, esperamos
pela breve sorte que nos leve,
arrebate, acorde e desperte
da solidão podre e decadente
de querer viver sem calor ardente
num coração frio e descontente.
Negras brumas me encobrem,
negros dias que ficam
nas paisagens de um momento
nas breves palavras do vento.
Morte sombria e solitária
nos espera enquanto passa
mais um dia sem Sol e luz
ao sabor de um descontente.

Sobrevoando Paris

Eterna solidão nos desperta
com breves sopros de vento,
beijos quentes de monções,
abraços apertados em lençóis
num turbilhão curto de ternura
quando miramos o horizonte
e sentimos o abraço de Deus.

Conflitos

Vivam aqueles que lutaram pela transparência.
Vivam aqueles que se bateram pelos povos.
Vivam, vivam, vivam!
Loucos, todos loucos.
Eis o que esperavam:
dormir no leito eterno, abaixo do nível das águas.
Foi para isso que lutaram!

Indo

Antes de avisar que me vou,
enquanto a madrugada se põe,
empresto o leito à morte
e o dia à solidão.

Estupidez

Podemos nós compreender o mundo que nos rodeia?
É esta a questão fundamental que, talvez, inconscientemente ou não, nos mantém agora debilitados psicologicamente e cultos da estupidez.
Todos os dias nos apercebemos de nada.

Merda

Agora repousam os cadáveres na merda, aprodecem entre iguais.
É assim que nos safamos.

Pobreza de espírito


A social vivência de agora, que demais é desprezada, é erguida pelos horrores da perseguição, que se escondem na miséria escória do prazer.
Hoje quer-se terror. Frívolo, penoso. Sem escrúpulo.
Os jovens vivem agora na sombra da perseguição.
Escondem-se nos subúrbios becos do anonimato.
Agora o medo esconde-se em cada esquina que se dobra.
O terror domina o lixo da sociedade.
A sociedade limpa-se no lixo dos caixotes.
Os caixotes são abordados pelos sombrios e injuriosos tormentos da escória humana.
A pobreza de espírito ergue-se naqueles que se deixam dominar pelo sujo das ruas da sociedade.

Caminhando ao som da ignorância

O que fazemos? Sobrevivemos?
Ou estamos apenas a reviver recordações de um passado longínquo?
Quem sabe!
Cavalgamos no universo das palavras. O mundo baseia-se na mentira, na outra faceta da verdade. Pois.
Mas então o que fazemos?
Vivemos? Não sei! Sabes?
Andamos incasáveis pelas ruas da solidão. Pela autoestrada do desconhecimento, tentando virar a página a mais um livro da sabedoria.
O que nos resta senão continuar a caminhada?

Ó Grego

E tu, ó sublime pensador Grego, porque te foste?
Porque nos abandonaste?
Agora, se cá voltasses, não reconhecerias o mundo imponente que outrora dominaste.
A gloriosa madrugada do resplandecer é agora dominada pelas cinzas que ainda vivem nos subúrbios da mente suja e imunda: a nossa.
As trevas impuseram-se à claridão.
O Sol foi demitido do seu posto supremo.
As mentes estão poluídas pelo ar impuro da madrugada.
Hoje, o mundo resume-se ao pó. À sujidade.
Ó Grego, amigo da sabedoria, pensador castigado, fala-nos do teu mundo. 
Do mundo superior, do mundo da sabedoria.
Acorda-nos com o teu pensamento, ilumina-nos com a tua mente.
Acorda-nos deste banal leito de cinzas que nos rodeia.

Quero


Não quero ser uma ilusão. Muito menos uma desilusão. Sinto-me perdido. Perdido de mim mesmo. Perdido de nós, de um nós que começou sem darmos conta, que cresceu, que foi aparecendo com a brutalidade da maré revolta.
Gosto de ter os pés bem assentes na terra. Sou demasiado analítico. Preciso disso como do ar para respirar. Necessito de compreender… Não consigo viver sem perceber.
Não quero Caos nem aventuras, momentos nem instantes. Quero para sempre.
Quero uma vida. Procuro a paz na imagem dos velhinhos de mão dada.
Quero ter saudade, ter vontade de um postal, de um beijo matinal, de um abraço ao acordar.
Quero ser feliz.
Quero andar de mãos dadas porque sim.
Quero um abraço espontâneo, vindo do nada, sem pedir.
Quero sentir falta, nem que seja por um instante, por um momento.
Quero escrever mensagens de amor, postais de sentimento.
Quero saborear com calma tudo o que o amor carrega, sem medos, sem amarras, sem anexos.
Quero cumplicidade, desejo, vontade.
Quero sentir que existo, que sou eu, que completo. Que basto.
Quero adormecer no teu abraço, no teu peito.
Quero que o tempo passe, sem que seja a passar tempo.
Quero que o mundo pare, sem que o nós se adormeça.
Quero chamar “amor” sem que seja instituído. Quero ser “amor” sem ser obrigatório.
Quero voltar a dizer amo-te. Quero voltar a ouvir.
Quero um alicerce de nós.
Quero ser visto, como quem vê atentamente.
Quero libertar âncoras e deslizar sem medos.
Quero ser o que sou, sem ser o espelho do passado.
Quero liberdade de sentimentos, de imagens que não pintei.
Quero tudo sem reservas, quero tudo o que tenho direito no amor.
Não quero ser o que não sou…

sexta-feira, junho 17

Higienicamente falando

- Comprei-te Scotex para quando acabares de falar, amigo.

Sim?

- Tu enervas-me!
- Antes ou depois de te tirar do sério?

Sofá

Gosto tanto, mas tanto, do meu sofá que, quando chego a casa abraço-me a ele até adormecer!
Só não sei quem adormece primeiro, se ele se eu.

Sufoco

Espartilhas-me a alma quando te vais.
Rasgas-me a pele com teu olhar.
Cruas palavras que me sufocam.
Pontiagudas são as frases com que me deixas.
Deixas de ser tu para não seres quem és.

Elogio

- Parvo.
- Obrigado, igualmente.

Chega-te

Estás quieta? Porquê?
Porque te limitas a ficar estática à minha frente?
Não te sobe o calor corpo acima quando me vês?
Não ruborizam as tuas faces quando te toco?
Não ficamos sem ar quando nos beijamos?
Então, porque não te chegas a mim?

Egocêntrico

Sou egocêntrico.
Penso no meu amor, antes de tudo o resto.

E se?

Se te pousar o coração nas mãos, aperta-lo com toda a força ou embala-lo junto ao teu?
É que de qualquer das formas, eu não consigo viver sem ele…

Dúvidas

Porque esperas?
Que precisas para seguir?
É assim tão perigoso o caminho?
Ou apenas a dúvida te acompanha?

Hoje

Hoje não és dia de mim.
Hoje não estás horas em mim.
Agora estás longe daqui.
Hoje não és para mim.
Hoje, não espero por ti.

Hoje estou um bocado mãos largas

não consigo segurar o que sinto por ti.

Greve

O meu computador deve ser sindicalizado!
De vez em quando faz greve!

quinta-feira, junho 16

Esperança

Hoje morri bem morto.

De morto como mais morto não há

Morto bem morto.

Como quem morre de vez.

Morto de morto.

Antes, esperava por ti, ali, em todo lado

Em cada brisa, em cada sopro, a cada som

Hoje, espero no desespero da morte

Como quem para sempre aguarda

Na eternidade de um abraço que não se completa

Na desistência do Ser

Na amargura do infinito.

Serei eu a esperança?

E hoje

não tenho paciência para mais.

Tempo sem tempo

Dizias-me que precisamos de paz, de sossego. De tempo para nós.
Contavas-me que precisamos de não ter hora marcada, que tinhas saudades de conversar na cama.
Percorrias os nossos cantos mágicos  com a saudade de nos perdermos no tempo.
Precisamos de tempo para nós.
Necessitamos urgentemente de saciar a fome da hora que não espera por nós.
Precisamos de calma. De não termos pressa. De sermos nós.

Assim

Orgásmicos ritmos, violentos, rápidos, nos ventosam.
Rugidos animais, com forças suaves nos elevam.
Enquanto embalamos em pendulares movimentos síncronos
e nos deixamos ir com a sofreguidão do momento.
Ficamos, depois, embalados no abraço enquanto os nossos corpos repousam lado a lado.
Mesmo assim, as minhas mãos não conseguem largar a tua pele.

Atenção

 

Já consegui prender a tua atenção? Então, agora, leva lá uma panela.

Loiça suja

Sabem aquele botão na máquina de lavar a loiça que diz meia-carga?
Efectivamente só lava meia-carga.
No outro dia fiquei com metade da loiça suja.

Amar, amor

Sabes, amor, amar?
Amar, sim, amar, amor.
Amar, como quem não respira sem amor, amor.
Ama, amor.
Ama o amor, ama-te a ti. Ama-me a mim.
Amor, ama como quem ama o amor.
Ama como quem se apaixona, amor.
Ama, amor, simplesmente, ama.
Ama, amor, ama.

Empurrar

Porque julgas que é a esvaziar-te de sentimentos que lidas melhor com tudo?
Porque precisas tu de empurrar-me para me manteres perto de ti?

Fora de mim

Pediste-me que saísse de mim.
Fi-lo por ti.
Magoamos o nós?

Cogumelo mal-disposto

Deve ser da E.coli...


Não estou

Estás longe de mim e, no entanto, consegues tocar-me como se aqui estivesses.
Apareces quando desejas e tudo se transforma. Tudo brilha.
Porque estarei eu sempre disponível para a tua indisponibilidade?
Fazes da distância uma porta que facilmente se fecha.
Nada se diz.
Nada se sabe.
Tudo é segredo.
Até lá. Longe...

Ser

Que sou para ti?
Quem vês quando me olhas?
Que miras quando teus olhos repousam em mim?
Estranho este acordar... O sabor na boca era amargo, seco, só.
Tento entender porque me queres. Para que me queres...
Não pretendo ser mais um sólido presente-passado na tua essência.
Mas quero ser mais que apenas ser.

quarta-feira, junho 15

Romantismo

Hoje, finalmente, soube o que era ser romântico.
O meu amigo levou a namorada a ver o "ressaca 2" ao cinema.
Antes, tinham estado a ver a parte 1.
Até os estou a ver a chegar a casa...
- Amor, dói-me a cabeça.
- Queres água com gás?

Eclipse

Será que o eclipse de hoje trará novas certezas sobre a chegada do Homem à Lua?
Talvez o reflexo no escuro permita ver a bandeira deixada na superfície...

Pois

Gostas de vir aqui, dizer dois ou três disparates, virar costas e ir embora, não é?
Ao menos deixa a porta aberta, para fazer corrente de ar!

Longe

Se estivesses cá, que fazias comigo?
Fugíamos juntos?
E se nos apanhavam? Que dizíamos?
Fugimos?

...é para não deixarem dedadas.


Porque te amo?

Porque sim, chega?!

Vendo bem

acho que afinal o mundo deixou de rodar.

Agora está tudo sentado em frente ao portátil a navegar na web.

E se de repente

começasse o alarme de incêndio a apitar?

Fugias?

Dilatar o tempo

Alguém sabe?
E encolher, também não?
Inúteis!

terça-feira, junho 14

T’as a ber?

deves…

Espero?

Mas porque raio passamos o tempo à espera de quem não quer saber de nós?

Donut

Em quarto minguante


Contra

Tenho fome e preguiça de comer.

Jantas?

Hoje não era o dia que vinhas cá jantar?
Que batias à porta e esperavas que eu te encontrasse, como sempre?
Mas… mas ainda não chegaste…
O vinho já está aberto, a respirar. Tinto, maduro do Alentejo. Do teu preferido.
Já não vens?
Porque disseste que vinhas, então?

segunda-feira, junho 13

eu?

Passo os dias a tentar esquecer.

Passo as horas a tentar esconder.

Quem és? Que me és?

Eu, quem?

Como não?

Sabes porque estou assim?

Não?! Como não?

Claro que sabes! Aliás, só podes saber!

Fugiste comigo de mim!

Seco

Inóspitas paisagens encobrem a pradaria que, de repente, saltou da esquina à minha frente.

Campos secos, sem verde, despidos de tudo. Vazios.

Não se vê vivalma. Nem uma brisa atravessa o passeio, lá atrás.

Pilhas de feno descansam em pacotes meticulosamente geométricos, enquanto os cactos respiram sob o olhar atento da areia que se empilha por cima de uma roda velha, de um qualquer veículo.

Está morta. Redondamente morta.

Amo

Amo com toda a força do meu Ser.

Finalmente, amo!

Terei eu andado escondido?

Ou esconderam-me deste fragmento?

Intimamente nós

Como consegues ser assim?

Antes, quando nos perdíamos em conversas absurdamente mundanas, ficavas nua, durante a tarde, a meu lado. Guardavas um pedaço do lençol para cobrir parte das pernas e tapavas o teu peito com as minhas mãos.

Sábados e Domingos cobertos pelos nossos corpos, resguardados do mundo exterior. Lá fora tudo continuava. Ali, o mundo parava. Era nosso. O nosso pedaço de Ser. Fins-de-semana de descoberta, de renovação. Parecia que um novo pôr-do-Sol se avizinhava no horizonte. Um novo dia estava a chegar.

Lembras-te de sermos uns freaks? De nos abraçarmos em silêncio, das nossas mãos percorrerem as nossas curvas?

Que nos aconteceu? Para onde fomos?

Antes, o tempo parava, o fim do encontro trazia a amargura do afastamento, até ao próximo intervalo, até ao outro pedacinho de céu.

Fugíamos juntos do resto, de todos. Nada tinha importância. Havia emoção em vez de razão, de calculismo.

Éramos nós. Apenas nós, entregues, envoltos num nós muito maior que cada um que nos compunha.

Fazíamos planos repletos de cor e música. O futuro estava ali, ao virar da esquina, a um pequeno passo, à distância de mais um beijo.

Onde estamos? Encontras-te?

Pareces fria, distante, lá longe.

Foi ilusão? Como pode?

De repente, as tuas costas mostram-me a porta de saída. Já não estás. Já não és…

E eu?

Que faço com isto tudo?

Sabes?

Hoje escapei-me de ti.

Tenho

uma dor de cabeça monumental!

Facas

Estes dias têm sido estranhos. Sinto que não pertenço a lado nenhum. Sinto que não sou daqui nem dali.
Sinto que morro, que desapareço aos pedaços.
Sinto-te os punhais apontados à pele. Querem entrar. Marcam e vincam-me as costelas.
Só te falta empurrar. Apenas mais um pouco de pressão.
Perfura-me e acaba de vez com a minha miséria.

domingo, junho 12

Passagem

Não gosto de insegurança.

Detesto viver com a sensação que estou de passagem na vida de outra pessoa.

T.V.

- Tu tens um lado demente - diz-me ela.
- Vai ver televisão, vai…

Imaginário

Ando triste. Cabisbaixo.

Parece que o mundo de repente é raiado a cinzento.

Visto-me de negro, como a imagem da minha alma.

Espelho-me nas nuvens negras que imaginariamente desenho lá nos céus.

Apetece-me estender as pernas bem alto e deixar correr o sangue todo até à minha cabeça.

Pode ser que assim deixe de me doer.

Sonhos

Pinto-te a alma no meu pensamento, enquanto adormeço acordado.

Revejo-te a cada pestanejar, enquanto miro o infinito.

Fecho os olhos, por momentos, e a tua imagem desfocada ofusca-me a retina.

Sinto-te na pele.

As tuas mãos percorrem-me ao adormecer. Cobrem-me num abraço de cintura.

As tuas pernas procuram o calor das minhas e embalas-me em descanso.

Sinto-te em mim no meu sonhar.

Espero não acordar de manhã cedo.

Quero prolongar o meu desejo.

Eu-me

Sinto-me falta. Sinto falta de mim. Procuro por entre as memórias do meu ex-eu e descubro a falta que me faz.

Faz-me falta sentir-me. Ser-me. Ter-me só para mim.

Sinto falta do meu eu.

Do eu que desconheces. Que nunca viste. Não quiseste ver.

Sinto a fraqueza chegar.

Sinto a força a querer escapar.

Será que um dia verás?

Terás um espaço para mim?

Serás um dia de mim?

sábado, junho 11

Amanhã

Tenho medo de ser.

Medo de ir.

Tenho medo de mim e de ti.

Do que nos pode acontecer.

Do que nos espera o amanhã.

Se houver amanhã…

Emptiness

Empty.

I feel so empty.

Can anybody be so damn empty?

Paz

Promete-te tudo

dá-te beijos sem fim

promete-te a Lua

felicidade sem fim

Promete-te a Paz

Afaga-te as lágrimas

Oferece-te um abraço

Promete-te nada

Um nada que não vês

Um tudo de fome

de alarve que estás

com amor infinito

vontade sem fim

de sossego e calma

num abraço cansado

da jornada suculenta

de eterno calor

coberta de algodão doce

e regada de mel.

 

Mas ela, será sempre ela.

Estranho

Matas-me.

Magoas-me.

Feres-me.

E eu apenas te amo…

Oficial

- Pai, se fizer cocó, chamo-te.

Pronto, é oficial. Sou o limpa-cús oficial cá de casa.

sexta-feira, junho 10

quinta-feira, junho 9

Pai

acho que nunca andei de balão de ar quente.

Zero

A esta altura já se percebe porque é que isto não tem seguidores…

Vais?

Jaime Gama.

Jaime, Gama.

Jaime! Gama!

Gama, Jaime!

Gama!

Jaime?

Vais embora no final do mês?

Troika

Ainda bem que (ainda) não há nenhuma troika para os blogues de alguns doentes mentais…

Ainda me cortavam o pio.

Amanhã

não vou trabalhar.

Invejosos!

Depilação e pêlos encravados

Num dos posts anteriores, caríssimos desocupados amigos, falava-vos da pernoca depilada. Bela pernoca depilada! Embora não seja coisa que me atraia (na macheza, compreenda-se), a verdade é que cada vez há mais tipos, que se dizem do género masculino, a adoptar a barroca arte da depilação. Sem querer entrar no campo da orientação sexual do másculo macho português, até para não ferir a sensibilidade daqueles que profissionalmente dão à pedaleira em cima do selim, não deixa de me repugnar a ideia de capar a penugem das pernocas, quanto mais do corpo todo, inclusive as virilhas!

Mas a verdade, meus ociosos leitores, é que cada vez há mais macho republicano a aderir a este roto costume. E porquê, perguntais vós? Sei lá eu, responde o yours sincerely (mais uma vez, há que chegar ao público além mar, desta feita aos que hablan e speakam inglés!-aqui uma orgia de espanhol com inglês).

Enfim, maricagens à parte, que raio de ideia esta que obriga o povo másculo da nação a, de quinze em quinze dias, ter de recorrer à cera ou máquina depiladora, para poder sair à rua?! Povo másculo esse que, espero, seja ainda (e para sempre, ámen) uma minoria substancial! E depois, como será uma conversa entre dois espécimens ou até mesmo um post num qualquer blogue da especialidade? Será que vamos ver algo do género: "Eu estou à procura de uma maquina que remova pelos pequenos sem problemas e que tenha cabeças especiais para diferentes zonas do corpo, mas mesmo que não tenha, apenas quero de dê para utilizar nas zonas íntimas, pernas e axilas - Ass. Joãozinho"

Pior, será que alguém já pensou sequer na complicação do pêlo encravado?? E se for na virilha, mesmo por baixo do egg-bag, como é?! Ah pois é! Não pensaram nisso, não é?! Pois! E depois é vê-los a coçar que nem alarves e a parecerem uns animais que não podem sair de casa sem coçar a macheza! Que lindo espectáculo prós transeuntes e que bela imagem do género masculino passam cá para fora! Tudo a coçar o pêlo encravado na paragem do autocarro ou na escadaria do metro ou, quiçá, à porta do restaurante! E nós, sem pêlo encravado, como ficamos? Depois anda tudo praí a dizer que os homens são uns bárbaros, que nem podem sair de casa sem ser malcriados, que andam todos a coçar as entre-pernas no meio da rua!

Façam laser pel'amor de Deus! Assim, pelo menos, evitam a pudibunda desfeita de género com que oferendem a plateia!

Já agora, aproveitem para fazer nos entrefolhos das nádegas. Pode ser que assim ninguém vos ouça a chegar!

Seus... gajas, pá!

Antes e Depois...

Por estes dias, tenho pensado muito a sério nalgumas coisas. Muito a sério como quem diz... Quer dizer, assim tanto também não. Ok, pensei hoje nisto. Veio-me à cabeça o fanatismo recente e em crescimento exponencial (inversamente à nossa Economia global) das intervenções estéticas, vulgo cirurgias plásticas, ou ainda, em bom português, recauchutagens.

Para os meus desocupados leitores preparei e pesquisei intensamente (estou nisto há mais de 3 minutos!) exemplos para vos mostrar. encontrei algumas coisas que já terão oportunidade de habilmente comentar (sem ordinarices).

Mas antes disso, gostaria de lançar a confusão, quero dizer, de lançar a discussão sobre o que para vós é melhor: o antes ou o depois. Além disso, para apimentar as farpelas, decidi incluir os retoques de photoshop. O que vos pergunto, devolutos amiguinhos, é, para o vosso quotidiano, o seguinte: E se o antes é melhor que o depois?


Ah e tal, dirão alguns, coiso e não sei quê, dirão outros, hmmm, pensarão alguns, grunpf pfunpf emitirão alguns. Pois! Mas outros há que afirmarão: mas há muita coisinha que melhora com um retoquezito e uma pintura e desamolgadela na chapa não faz mal a ninguém!

Ok... Mas a que preço? Valerá a pena? É assim tão importante? Eu cá tenho a minha opinião que, talvez um dia, compartilharei.

ProntoS (o acrescento do "S" é para falar de modo a que o público alvo seja mais abrangente. Há que falar a língua de Camões em todo o seu esplendor!), eu cá não acho bem, nem compro o leite pelo pacote que traz, mas também sou contra o casamento ga... entre pessoas do mesmo sexo e a opinião vale o que vale e ele(a)s casam na mesma. Maricage não é prá'qui chamada, senão levo na corneta a dizer que eu sou homofóbico. Pois sou... com muito gosto e feitio. Eu cá sou Home (como se diz lá em cima, acentuação no "O" - leia-se: HÓme) de uma companhia só! (leia-se e compreenda-se do género feminino. Mas não qualquer uma, apenas da minha! Só para não haver confusões). Vá, chega de devaneios que eu tenho de ir roer as unhas.
Entretanto, fico à espera dos vossos imensos e iluminados comentários (até agora não houve nenhuma alminha que o fizesse).

Não viveremos nós num mundo cada vez mais plastificado e plasticizado, em que o importante é o pacote e não o conteúdo?

Não estaremos nós a enfatizar a embalagem, descurando a essência? "Ah mas é agradável aos olhos e tal!" Então e ao sair da banhoca, morrem de susto quando se deparam com a imagem desphotoshopizada? (eh, eh, mais uma palavra acabadinha de sair do forno!).

Aqui ficam alguns exemplos dignos de debate:






Filosofia láctea (da barata, mas não grátis!)

Como (não) devem ter reparado, eu cá sou um Filósofo de primeira instância. Tão Filósofo, tão Filósofo que ao pequeno-almoço não como cereais. Bebo leite com chocolate. Carradas e carradas de chocolate!
Qual Protágoras debitando o Logos, a corrente Sofista do meu primeiro manjar do dia é carregadinha de essência, contaminando de acastanhada cor o leite puro meio-gordo, empacotado de frágeis nomos. Terei eu descoberto há longas décadas que divina poção láctea não deriva dos Deuses no Olimpo, mas sim de terráqueas e gordas vacas de pastoril.
Contrariando pensamentos Filosóficos Gregos, desviando a iluminação pelas divindades supremas, acredito que o homem é o fruto da sua própria cultura, espelhando piamente a frase "o homem é a medida de todas as coisas".
Enfim, caros aprendizes de ensinamentos eclesiásticamente lácteos, a verdade é que as verdades universais e absolutas de Tales de Mileto há muito foram banidas! E todos sabem, ou deveriam saber, que não há melhor leite que aquele misturado com chocolate!
Deixo-vos com este iluminário, mas não vos julgais hábeis na mistura em proporção! Para cada copo de leite, há uma porção exacta de chocolate. Fazei por aplicar a famosa frase de Aristóteles: " A Grandeza não consiste em receber honras, mas em merecê-las", que foi, segundo Augusto Comte "o príncipe eterno dos verdadeiros filósofos"!


P.S.
Logos - Discurso
Nomos - Convenções
Chocolate - Chocolate

Mini-saias e coisas assim

Não sei se vos assola o mesmo que a mim, mas com a vinda do calor parece que vem também a despudor desmesurado.
Bem, à medida que escrevo isto vou tendo uma série de pensamentos que, por si só, são contraditórios. Se formos a ver bem, não sei se é só o calor que traz o despudor... Senão vejamos: no meu tempo (Chiça que tou velho) as garotas no liceu andavam vestidas dos pés à cabeça (não, não sou do tempo dos fatos de banho do tornozelo à ponta dos cabelos, nem da touca na farfalhuda cabeça); hoje em dia, as adolescentes não usam saias. Usam cintos.
No meu tempo, ninguém andava com os soutiens à mostra propositadamente. Hoje, é moda.
Podia continuar por aqui fora mas quero focalizar-me na saia, ou melhor, na mini-saia, isto é, no cinto!
Pernoca torneada, bronzeada no estaleiro, musculada q.b., celulite-free, unha pintada e com apliques! Geração XXI century. Estão a ver a imagem.

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Ora se não  fosse a grave crise económica com que nos deparamos, não vinha grande mal ao mundo. Aliás, cada um veste-se como bem entende e quer. O problema é que precisamos de revitalizar a economia! E se a moda do cinto em vez de saia pega de vez, além dos problemas de pescoço e de estrabismo que possa provocar nos utentes masculinos das vias públicas e transportes colectivos, a industria têxtil mundial vai ter um sério problema para vender rolo de tecido para confeccionar!
Bem, voltando ao cinto e deixando a economia para os amigos asiáticos que nos vendem o que nós precisamos urgentemente, há uma coisa que eu não consigo compreender muito bem. É relacionado com os cintos. Se a malta quer passear a bela depilada pernoca, pêlo-free do laser, desenhada como as curvas do Marão até ao rabiosque, então porque raio teimam em estar constantemente a puxar a saia para baixo, como que tentando demonstrar um falso puritanismo de constrangimento?? Então se a moda é substituir a mini (saia, não bebida!) pelo cinto, e se inclusivamente é feito com lusitana vontade e fulgor, porque insiste este gesto entrar no nosso quotidiano?image

Cá para mim, devíamo-nos deixar de tretas e assumir de vez as nossas vontades! Então não somos nós o país que assume o casamento em plena harmonia de sexos? Ok, ok, também punimos a mirandesa arrebitada que trazia o Demo às mentes dos nossos puros estudantes, mas não devemos esquecer que ainda habita nas mentes das nossas queridas esposas transmontanas a ideia do marido que era encantado pelo hábil adorno das moçoilas que dançavam nos clubes nocturnos da região... Mesmo assim, não concordo, mas tudo bem.
Eu cá sou adepto da JJ que, em vez de andar aqui armada em falsa puritana, decidiu afirmar em todo o seu esplendor a sua cintisse (inventei agora, que tal?) e assumir que, já que gosta do cinto, que seja em toda a sua naturalidade!

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No ano passado

-Então, o que te deu a tua namorada?

- Uma avaliação psicológica.

- …

Inútil

Gosto da inutilidade do Oxigénio quando me beijas.

Admirados?

Porquê?

Casa

Os outros queriam que eu fosse atrás. Achei que o tempo lá fora não era o ideal. Estava frio, sombrio. O dia era cinzento, apagado. Deviam ser umas seis da tarde quando olhei pela última vez para o relógio da sala. Fazia imenso barulho. Era daqueles que precisava que lhe dessem corda diariamente.

Quando dei por mim percebi que não era ali que deveria estar. Não com eles. Aguardavam-me em casa. E eu fui…

Na porta de entrada imediatamente percebi, pelo ranger das chaves ao rodar na fechadura, que era apenas o vazio que me esperava. Estava tudo escuro, com pó. Aquele corredor de entrada não era percorrido há anos. Senti-me em casa. Em minha casa. Finalmente havia chegado.

Não tinha ninguém à minha espera. A minha companhia era o pó e um pequeno sofá onde me estendi para adormecer a sonhar.

Desejo

Quero-te muito, desejo-te mais, sinto-te sempre, adoro-te imenso, sonho contigo, procuro-te sempre, esqueço-te pouco, trago-te aqui, sinto-te perto.
Desejo ardente, querer sem fim, sonhos reais, calores, tremores,gemidos, abraços,olhos nos olhos, suspiros suaves, sussurros quentinhos…
Coração que forte bate, quando sente a emoção das palavras
AMO-TE

Corpo

Acordar de manhã,
sentir-te na pele,
abraçar-te com força
e beijar-te, beijar-te.
Sentir o calor
aquecer o meu corpo
juntar-me ao teu,
abraçar o teu seio
e beijá-lo sem fim.
Acordar no teu peito,
senti-lo no meu
correndo um sopro
com beijos na pele
que aquecem e gelam,
não sabem que fazem,
que fogem e escondem
toques ardentes,
gemidos contentes,
calores constantes
tremores de arrepios
que ficam no peito
percorrem o corpo
sustentam o vento
que leva o aperto
do braço que envolve
da mão que procura
do dedo que toca
no seio do vento
que responde ao apelo
que diz que se sente
com cada toque no toque
do peito no peito
da mão que procura
do seio que espera
no corpo que encontra.

The intellectual speech (About birth)

It scared me when I first saw the dazzling flash of light, in the highway bleeding. Oh what a marvellous sense of reality. The blue sky above surrounded the tiny earth, while the smooth horizon, hidden between shadows of darkness, bounded carefully the limits of the Universe. Underneath, the glamorous stallion, riding and crying through the prairie, paid no attention to the soft river, bounding, left and right, the true reason of life.
In What eager desert do we born, and grow, and die which skins, and rips, and rapes...?!
Now that I've grown- says the snake- let me see the sun, shining through the valley of pharaohs and kings, covering us with its beautiful smile.
And by raising the head, not only can she see the sun, as the vast silence of emptiness wondering, wondering, fear and cowardliness, around and around...
Am I really scared, or just a guiltless child left alone in the dark spring of birth?
Talk to me...! Please, talk to me... I need to know the real meaning of life!
Am I just a fool, or an ignorant leaf of a corolla singing to the dancing wind?
I need to know the answer to my doubts. I need to surfeit my desire of Knowledge. I need to know the true meaning of life...
What do we do? Survive? Or just living memories of a far past?
Who knows?
Riding in the Universe of words. The world is based on lies, in
the other face of truth.
Certainly!
But, what are we doing then? Living?! I don't know!
Do you?
Wondering tireless by the streets of loneliness. By the highway of
despair, tying to turn the page of another book of wisdom.
What's left but to continue the tramp?
The social living nowadays, which is far to despised, is now rising through the horrors of pursuit, that's hidden in the wretched mob of pleasure.
(All the above speech is original, based only on the rotten society we live in).

Negras brumas

Negras brumas me encobrem
com seu manto longo e solitário
de visões fétidas de desespero
enquanto a noite se põe
mordendo calcanhares suculentos
beijando calçadas soltas e sujas
sugando as veias da solidão.
Ao longe eles aparecem. Evitam os cantos e os candeeiros das vielas.
Quem são estes vultos? De onde vieram? Que ventre brotou tamanho negrume?
O cheiro é nauseabundo… Cavalga-nos as narinas, penetra-se na alma, entra, entra, como quem projecta incandescentes fluxos de luz e fel no horizonte!
Acabou…
Negras brumas descobrem
sacando o retalho que encobre
virando costas ao prostrado já sem cor, deixando um rasto de sombra…
Já é dia?

Cansado

Estou cansado, exausto, sinto-me seco, sem forças, sem vontade!
Tenho sede, sinto-me fraco! Quero molhar os lábios, saciar a sede, beber com vontade.
Quero esticar as pernas, apontar os pés para a frente, cruzar os dedos, esticar, esticar e descomprimir as cãibras.
Fecho os olhos e tudo é simples, tudo é azul, do mar, quando as nuvens descansam para lá da montanha.
Gostava de manter os olhos fechados por mais um pouco...

Brisa

Vejo-te em cada esquina
em cada canto.
Encontro-te nas palavras que não oiço
na brisa do Oceano que vejo ao fundo.
Quem és tu, afinal?
Sinto-te nas minhas entranhas,
no meu sangue percorre a tua falta.
Golfadas de saudade brotam da epiderme
que transpira fome de desejo.
Sinto-te em mim.
Abraço-te a cada instante, a cada passo, a cada olhar que não me dás.
Arrepia-me a pele com teu sabor,
sufoca-me com o teu encanto.
Suspira em mim o teu calor.

Infinitamente

Vivo num estado de intermitência. Sim, intermitência. Não de apagar e acordar. Não do tipo que dependa de corrente eléctrica. Intermitência num sentido mais volátil, inconstante. É isso, inconstante… Dou por mim a vaguear, a deixar o meu pensamento escapar-se-me ao controlo. Desligo do real, do que me rodeia. Acabo absorto em pensamentos. Por vezes não sentem necessidade deste estado hipnótico? Desta força incontrolável que puxa para o imaginário? Talvez seja apenas eu. O facto é que a maior parte das vezes lá me encontro. Das outras, nem tenho noção de lá estar… é um vazio de tudo o que nos rodeia, é um nada preenchido de tudo. É o lugar onde o nosso infinito se conhece, se apresenta. É um tudo e é um nada. É o nosso universo infinito, desconhecido, por explorar, por palmilhar.

Sinto

Sinto que te quero mostrar o mundo!
Sinto que te amo, que te quero!

Quero cantar contigo ao som do vento. Quero amar-te sem fim, em todo o lado. Namorar ao som do mar, ao som do vento, ao som de nada. Quero mostra-te como o céu é bonito lá de cima da montanha, como o Sol se põe neste horizonte. Quero fazer-te sorrir, cantar, brincar. Quero ver os teus olhos brilharem de alegria. Quero passear ao som das tuas gargalhadas, deitar-me ao sabor do teu estremecer.

Gosto de ti porque és profunda, porque não te ficas pelo superficial. Gosto do teu jeitinho de menininha. Gosto da tua objectividade e do teu sentido de oportunidade. Gosto de ti porque pensas como eu, que nem tudo é real, nem tudo é bom ou mau, nem tudo é cinzento.

Gosto de ti porque me deixas dizer o que sinto, o que penso, sem me privares da objectividade e da sinceridade.

Gosto que gostes da minha loucura, que a compreendas, que a alimentes. Gosto quando percebes que estou noutro mundo, que parti, que vagueio no infinito.

Gosto que gostes da minha insanidade, dos meus devaneios, da minha culpa de imperfeição. Seria eu feliz se fosse perfeito para ti. Perfeito no meu ser, no meu calor, no meu sabor. Imperfeito na lucidez, nos devaneios.

Preciso de te mostrar quem sou, quem me acompanha, quem me desperta. Preciso desesperadamente de caminhar ao som dos teus passos.

Quero companhia.

Sinto cada vez mais o mordiscar dos teus lábios aos meus, como quem suspira, quem sussurra ao ouvido, como quem não se deixa ver ao assobiar.

Sinto falta de mim.
Sinto falta de ser.

Perco-me a pensar que te vou preencher, que te percorro o corpo com a ponta da língua, suavemente, entre a maciez de um toque e a força de um abraço.

Adormeço deixando-me levar pelo som da tua boca, pelo sabor da tua pele, pelo calor do teu peito.

Causto

Gélidos corpos, fétidos, podres, empilhados na escuridão

O odor é insuportavelmente presente
Entranha-se-nos nos poros
Cola-se-nos à pele.

Com suas pás, os tipos continuam
Carregam mais e mais
até vir alguém despejar o monte.


Depois começa tudo de novo.

Vazio

Há outra vez em que sinto frio de novo
Arrepio-me
Sinto os pêlos eriçarem-se.

Questiono a minha posição.

Onde estou? Desconheço esta rua…
Enfio-me pelo beco mal iluminado e dou de caras com um enorme cruzamento
Despido de vida, de paisagem, de barulho
Apenas existe o nada. Um nada que para mim parece amarelo, tórrido.

Esquisito… Sempre imaginei o nada negro.

Decido-me a seguir em frente,
Caminho em direcção ao vazio.
Vou deixando pegadas incolores.

Estranho… deviam ser quentes, alaranjadas…

Sonhar

Hoje, ao acordar, ia jurar que te vi mesmo ali ao meu lado. Passei as mãos pelo teu cabelo e beijei-te ao de leve para não acordares. Abriste um olho e sorriste. Puxei o lençol para cima, tapando-te as costas nuas. Ao virares-te, o teu seio ficou disfarçado, encoberto, mas delineado. A luz que visitava o quarto incidia directamente sobre ti. Entre as sombras e os reflexos amei-te, uma vez mais, com o meu olhar. Nesse instante percebi… Deitei-me a teu lado mais um pouco e senti o teu braço envolver-me. Forte, quente, apertado.

Acho que adormecemos abraçadinhos de novo.

Memórias

Nunca, mas mesmo nunca, se lembrem de tentar recordar como era quando antigamente entalavam o pirilau no fecho eclair.
Continua a doer.

Coca-cola

Acho que o Eça se enganou. Primeiro estranha-se, depois arrota-se.
Às vezes até pelo nariz.

Foste-te

Saíste de mim quase como da última vez.
Foste de costas em direcção à porta como se nada fosse.
As despedidas são sempre iguais para ti.
Não sentes...
Apenas vais.

Sombra

Quem serás tu, sombra que te escondes?
Apenas consigo ver-te no escuro, em contraluz.
Que figura escondes tu?
Fugidia, esguia, espantas-te com a luz da Lua.
Que escondes tu, nesse teu manto negro?
Pareces uma flor, mas não te vejo espinhos nem folhagem.
Rosa não serás... que outra flor desenhas tu?
Por vezes pareces ter vida. Foges. Escondes-te... Corres.
Terás receio do dia? Assusta-te sair desse canto?
Porque apenas te vejo a esta hora?
Vais fugir de novo.
Já sinto o nascer do Sol por trás do horizonte...

Fui-me

Hoje, fui-me.
Fugi de mim.
Deixei de ser. De existir.
Quero desaparecer, apagar o rasto de mim.
Fugi da alma, do sonho.
Apaguei a réstia da centelha que existiu.
Hoje, fui-me.
Fugi, fugi.
Corri pela ruela infinita à tua procura.
Conseguiste apagar as pegadas que deixaste.
Hoje, fui-me. Fui.
Simplesmente fui.
Já não sou mais.

Chegada

Espero-te na sombra de um suspiro.
Hoje aguardo ansiosamente a tua chegada.
O tempo não corre, abrandou. Não passa.
E a aceleração apodera-se do meu peito.Inflama de desespero enquanto não te mostras à janela.
Hoje, apenas hoje, espero que chegues. Que não desistas...
Este não é um dia qualquer...
Este é o dia da tua chegada.

Política?

Estou a pecar em pensamento

Apetecia-me tanto, mas tanto desaparecer daqui para fora, que nem digo nada!
Daqui, refiro-me ao meu local de trabalho. Sentado na secretária, sem ponta de vontade de fazer um cú e nem o youtube podemos abrir, porque lembraram-se de bloquear os acessos para aumentar a produtividade.
Vá-se lá perceber...

Peito

Gosto do teu peito, mesmo que flácido e estriado pelo tempo. Gosto da forma como se pendura, do jeito com que cai sobre o umbigo. Gosto que seja assimétrico, pálido. Que acorde com o meu toque, que desperte com o meu beijo.
Aprecio o despertar de cada sopro, da mão que o percorre e arrebita.
Gosto da forma como pende quando te deitas.
Gosto que seja meu.
Gosto quando levanta o olhar do chão, pelo toque dos meus dedos.

Gases

Não é simplesmente detestável ouvir as pessoas a dar peidos pela boca?
É que já estou farto de ouvir dizer que vão levar o carro à vestoria e que colocam os livros na parteleira.
Irra!

Vens?

Amor, hoje vens lá a casa para nos perdermos entre abraços e beijos, como sempre, como nunca?
Hoje perdes-te comigo em busca do calor que fomos esquecendo nos dias frios que nos afastaram?
Perdes?
Mas encontras-te lá, comigo? Apenas comigo?
Como dantes?

Estás por aí?

Era apenas para ver se estavas atenta.

Almas

Sou estranho. Esquisito. Não me mostro, resguardo-me e escondo quem sou. Gosto disso!
Não gosto de pensar que me conhecem. Estranho? Não! Consciente. Ou não...
Gosto de apreciar os outros. Gosto de tentar descodificar pessoas.
Sei que sou difícil, por vezes bruto e agressivo. Não suporto que me encostem à parede. Detesto que me façam ultimatos.
Sinto que aprecio a beleza em estado puro. Adoro olhar além, de ver mais que a superficialidade. Procuro ver em profundidade.
Quero que os meus olhos vejam almas.
Apenas almas.

Aaaaaaaaarghh

Detesto. Pessoas. Que escrevem. Assim.

Tu?

Quem és tu?
Que te define? Serás tu, tu? Quem és?
Serás tu fruto de ti? De mim? De quem?
Que peça de encaixe seremos nós?
Teremos nós algum encaixe?
Raio!
Estranho... Estes dias têm sido negros. Escuros, sombrios.
Noções e ficções que nos acompanham, que nos cobrem e encobrem o pensamento.
Cheios de negrume e caos, espartilhados com vidas e bagagens do passado.
Que caixa de pensamento teremos como companhia, com que limites nos absorve?
Negros dias, negras noites.

Tabaco

Fumo, porque sim.

Nua

Se hoje te fosse ver, encontrava-te nua. Achava-te prostrada na cama, de peito aberto, sombreado pelas persianas que intermitentemente deixam entrar a luz do Sol.

Das pernas apenas se vislumbravam as formas por baixo dos lençóis brancos.

Quem sou

Sou desinteressadamente interessado, tenho mudanças de humor, sou divertido e introspectivo, sou presente q.b. e maioritariamente ausente sem nunca esquecer, sou proactivo e não espero pelos acontecimentos, sou complicado, aliás, extremamente complicado até para mim mesmo, procuro a verdade das coisas fugindo à ilusão da fantasia, tenho sonhos (alguns reais outros nem tanto), sou verdadeiro nos meus sentimentos, sou verdadeiro acima de tudo comigo mesmo, detesto cozinhar mas faço o melhor arroz de tomate do mundo para a minha filhota, detesto a ignorância e a estupidez, irritam-me a incompetência e a mentira, adoro pequenos prazeres, sou incontrolavelmente viciado em nicotina, mas penso todos os dias em deixar de fumar, sou liberal de pensamento, sem nunca abandonar os meus ideais e valores, não gosto da promiscuidade, gosto de ouvir, mas não tenho muita paciência para conversas de circunstância, detesto a futilidade, mas adoro passar as tardes de Domingo em casa, gosto de desafios e não desisto facilmente, sou obstinado com o que me dá prazer, sou analiticamente pensativo em demasia, num estado de constante intermitência e não é muito difícil desligar e concentrar-me na desconcentração do mundo e no esvoaçar do meu pensamento. Adoro escrever, embora não o faça há algum tempo. Perco-me facilmente nas livrarias, inebriado pelo gosto de folhear manuais e novas descobertas. Detesto perder tempo a dormir e no entanto adormeço em qualquer canto com o máximo prazer, não sou grande amigo da comida e acho sempre que o tempo da refeição é uma total perda de tempo. Sou dos que acham que passamos pouquíssimo tempo nesta vida e gostariam muito que houvesse outra coisa depois disto tudo, mas que não acredita em nada disso.

Sou fruto de mim e de ti, sou eu com tudo o que me apareceu. Sou o tudo de alguém e sou o nada de muitos mais. Sou fruto de muitas alegrias e tristezas, ilusões e desilusões, conquistas e derrotas, procuras e encontros. Sou mais sereno hoje do que fui algum dia. Espero sê-lo ainda mais amanhã. Espero estar aqui muitos mais amanhãs…

Sou ideologicamente liberal e acredito que o Estado deve ser menos participativo, deixando mais margem ao empreendimento privado, não deixando de ter um papel moderador. Acredito na meritocracia e numa sociedade que valorize competências e conhecimento, dando ao cidadão a oportunidade de criação de identidade única, com forte sentido de responsabilidade no desenvolvimento da sociedade como um todo.

Tenho pena de ter perdido a inocência acerca da Religião e acredito que o ser humano tem muita vontade de acreditar que acredita. Eu pessoalmente já não acredito, embora gostasse muito que houvesse mais depois disto.