segunda-feira, junho 13

Intimamente nós

Como consegues ser assim?

Antes, quando nos perdíamos em conversas absurdamente mundanas, ficavas nua, durante a tarde, a meu lado. Guardavas um pedaço do lençol para cobrir parte das pernas e tapavas o teu peito com as minhas mãos.

Sábados e Domingos cobertos pelos nossos corpos, resguardados do mundo exterior. Lá fora tudo continuava. Ali, o mundo parava. Era nosso. O nosso pedaço de Ser. Fins-de-semana de descoberta, de renovação. Parecia que um novo pôr-do-Sol se avizinhava no horizonte. Um novo dia estava a chegar.

Lembras-te de sermos uns freaks? De nos abraçarmos em silêncio, das nossas mãos percorrerem as nossas curvas?

Que nos aconteceu? Para onde fomos?

Antes, o tempo parava, o fim do encontro trazia a amargura do afastamento, até ao próximo intervalo, até ao outro pedacinho de céu.

Fugíamos juntos do resto, de todos. Nada tinha importância. Havia emoção em vez de razão, de calculismo.

Éramos nós. Apenas nós, entregues, envoltos num nós muito maior que cada um que nos compunha.

Fazíamos planos repletos de cor e música. O futuro estava ali, ao virar da esquina, a um pequeno passo, à distância de mais um beijo.

Onde estamos? Encontras-te?

Pareces fria, distante, lá longe.

Foi ilusão? Como pode?

De repente, as tuas costas mostram-me a porta de saída. Já não estás. Já não és…

E eu?

Que faço com isto tudo?

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