quarta-feira, agosto 31

Loucos

Dementes sementes ardentes reluzentes 
ordenhadas em leite gordo sem vapor
de mentes em mentes mentoladas
brotam ideias feitas em natas secas
e em flores de iogurte azedas já sem cor.
E as fugazes crinas despenteiam-se quando passas
que os loucos quedam hirtos às janelas.

Fases e traços

Esquizotrifásico de três lados
com três personagens
e três fases, sou.
Nesta, vou dormir.

Portas


Segurem-me


Visceral

Saltam-te as vísceras pelos olhos
em remelas ardentes, viscerais
de um podre cheiro que não se esvai
em cânticos e trovas decadentes
ao vomitarem-se junto ao chão.

Mulher, faz-te

Chega-te galopante à noite vazia
Evapora-te obscena em aguardentes de mel
Vai, segue-te em punhos cerrados e olhos tesos
ergue-te em batalhas pelas vielas sem sombra
espanta-te e faz-te mulher de voz erguida
de peito feito em caixa de ar
de fraco punho d'aço feito
de leve e esguia num torpedo
em forças que te brotam das entranhas
em vontades e desejos submersos
que te impelem mais e mais sempre adiante
ou deixa-te fraca nesse canto
e não chores senão para dentro.

segunda-feira, agosto 29

(E)ternos

Liquidifico-te o desejo em sais de fruta
em rosas e pétalas descascadas
de aromas estridentes e bailarinos
ou em véus descalços de tormentos
para que nos torne tudo num momento
ou em breve eterno beijo salpicado
de melodias suaves e vinho em nossas mãos.

Tontos

Tontos os pardais e os dentes de sabre que esvoaçam
aos sabores desvairados da ventania
das brisas e rodopios na pradaria
e nos beijos e abraços que perduram.

A negro traço

Escrevinho-te em pedacinhos de papel rasgados e amarelecidos pelo tempo
o quanto me és em ti, em nós, de nós
a tinta da China e pena de cauda
em traços largos, mas perfeitos e soltos
tal como o leito que nos acolhe e descobre, abraça e desperta
no tempo perdido do nosso beijo.

Dementia

Mentolados beijos e arrepios de pêlos em braços eriçados ao frio e gelo da língua que penetra em vagas suaves ao encontro do seu par ou em montes descarnados que abrindo se sentem com suaves investidas ou circulares andantes em horários clitorianos.
E há arrepios de frio.

Queremos?

- Achas que ainda queremos muito?
- Eu queremos muito!
- Tu e mais quem?
- E tu! Espero eu... Também queremos muito, tu?
- Também queremos eu, sim!

Congestão


Not so deep


quinta-feira, agosto 25

Tempo

Vens?
Vens?!?
Anda!
Porque não chegas mais?
Não vens?
Então porque demoras?
Se te atrasas não chegas a tempo!

Noite

Gosto do cheiro do teu cabelo escuro que se confunde com o breu da noite nas noites escuras e frias do Outono quando nos enroscamos em mantas e cobertores a espreitar a chuva que voa lá fora enquanto a vida se esconde os transeuntes adormecem e se substituem pelas criaturas da noite.

Momentos

E, sabes, estou feliz! Sinto-me cheio, preenchido. Sou um cabaz de alegria. Trago vinho à temperatura ambiente, queijo daquele que gosto de acompanhar com tostas aos quadrados, compota doce de noz e um chocolate para adoçar a boca. Bebem-se os tintos em copos altos, abraçados pelos dedos, na base. A cor transpira aromas de cascas velhas e frutos. Deixam passar a luz, rosada, que se encosta no fundo da mesa, mesmo ao lado da minha mão lá repousada.
E saboreia-se ao som de música... de olhos fechados. Embalando a cabeça.
Pela janela já não espreitam os raios de luz, mas o bailar da Lua cheia ecoa nas janelas.
Magníficas noites ao luar.
De copo de vinho na mão.
Eu e tu...

Deep III


Deep II


Deep


Voz

Percebo-te, quando me dizes que sim.
Entendo-te, quando me dizes: não!
Julgo-te, quando te julgas assim.
Renego-te, quando não cabes em mim.
E nesse momento, já não és minha consciência.

B&W


quarta-feira, agosto 24

RGB

Eu acho que a vida devia ser, maioritariamente, a preto e branco para podermos usufruir dos dias coloridos quando aparecem.

ROTFL

Mas será que alguém se rebola mesmo, no chão, a rir?
E depois ainda continuam a rir, ou passa logo?

Lávios

Veija-me ou Beija-me.
Tanto faz.
Pode ser de Norte a Sul.

Pode?

Faz amor comigo mas deixa-me participar.

Sono

Fecham-se-me as pálpebras em sintonia
pesadas e presas lado a lado
em tormentos negros e fugidios
da carga que suportam em divisa.
Olho-me para dentro em intervalos
vejo-te e revejo-te na minha pele
em suaves passagens pelo teu corpo
brisas das minhas mãos que lá voaram.
Tenho sono.

White


http://www.diderote.com/

Fire


Mine


Break


Guilty


Um


Carregado

Tenho tudo a BOLD!
Até a merda da dor de cabeça.

Preto e branco

Tal como este blogue, há por aí a necessidade de abstracção, da fuga do real, do levitar... Desde sempre que o homem necessita de fugir do seu mundo e deixar-se viajar por outros, desconhecidos, imaginários, reais...
Um destes dias descobri um texto sobre alguém que sempre me fascinou, da mesma forma abstracta, com toque de erotismo sombrio - e, por vezes, mal compreendida - do mundo da mulher, do corpo, com viagens pelo contraste seco e, ao mesmo tempo, rico na diversidade da observação. Falo de Irina Ionesco, fotógrafa tardia de origem francesa. Texto aqui.


...

Adoro fotografias a preto e branco.

Vagueando

Há surpresas engraçadas.
Vagueando na Blogosfera encontrei isto aqui.
Bonito...

terça-feira, agosto 23

A.

Apaixonado.
Envolvido.
Sinto-te aqui, na pele, na alma
sinto-te em mim.
Forte, quase carnal!
De um poder imenso, de algo incontrolável...
De uma força suave que conquista aos poucos e de repente já se apoderou de nós.
Que já nos é...
Que nos invade o pensamento a cada instante, que nos possui, nos comanda.
Embebeda e leva-nos a voar...
Algo muito à flor da pele, algo que arrepia...
Algo que encanta, que encarna.
Carnal de nos deter, por completo...

Solidão

Jorram e brotam ciúmes em magotes de feno seco nas pradarias enquanto passeiam azulejos pintados pelas paredes caiadas sob o calor quente do Sol do Verão esperando a breve brisa da madrugada e o orvalho húmido da solidão.

Subversivo

Caralhetes em piretes alados
povoam-nos em existências carnais
nos mundos e planos subversivos
de sexuais predadores insaciáveis
dominando as mentes e ocultando falácias
dos meio-humanos que conquistam e possuem
não por graça mas por força.

Carburante

Carburo-te em petróleo destilado pelas veias e artérias do meu corpo como se de um barco a motor que travessia fizesse sob o manto do teu peito.

Olimpos

Que Deuses de Mundos infinitos nos iludam nos enganem e trucidem em conquistas e batalhas fraternais com golfadas sanguinárias de urros soltos ao vento que lento se vai soprando em crinas de éguas soltas de pradarias devoradas em penetrantes incensos fétidos ao passarem as hordas bárbaras alinhadas em exércitos sob capas santificadas de oráculos terrestres em nome de Deuses e totens alados que subjugam destroem e separam as vontades mundanas dos que por cá vivem.

Smoking


segunda-feira, agosto 22

Quente

Que o teu corpo acorde em chamas
de lava quente em brasas rubras
tal como o teu ventre por entre a mão
que da outra minha mão o acompanha
enquanto o percorre e conquista
toca, sente e desliza
ao calor frenético do teu prazer

Jeitos

Que a boca te acompanhe o jeito
do teu lábio quando se abre
em sorrisos frescos de ternura
ou em esboços leves de um abraço
espelhado ledo na tua boca.
Que os teus olhos se soltem
em profundas gargalhadas
mesmo que silenciosamente
ou em bravos bem audíveis
quando se abrem de par em par
bailando ao som do teu sorriso
nos jeitos que a boca dá.

Em dias

Fui-te a descoberta
em dúvidas que voavam
em incertezas que sopravam
até ao dia do nosso beijo

Prazeres escondidos

Imagino-te a mão sob o vestido
em areias brancas de calor
enquanto percorrem o teu sabor
escondendo os dedos que te dão prazer

E se depois...

Apaneleiradas fusões
de rotos costumes
Abichanados devaneios
em florais desassossegos
Rabetas gritarias
que não descolam nem largam
mordem, cospem e sugam
ardilosos poderes fétidos
de ministros santificados em dor
das vezes que penso em não te ter.

Saboreando

Leva-me no beijo
que do beijo vivo eu
enquanto de memória vou saltando
entre beijos e abraços doces
encontrados, já despertos
em amanheceres quentes e nus
onde do beijo vou vivendo
enquanto me levas na boca
e eu guardo o teu sabor.

Sombras


Linhas


Quadradinhos


Setas


Travessias


A espera


Lado a lado


Cais


Encruzilhadas


Reflexos


Passagens


Sorrindo

Adoro ver-te sorrir
Adoro ter-te a sorrir
Por eu estar lá
Adoro sentir-te sorrir
Porque estou cá
Mesmo quando não estou
Adoro fazer-te sorrir
Mesmo não sorrindo
Dormindo

Sorriso

Gosto dos teus olhos quando sorriem
e riem, sem gargalhada, mas sorriem
acompanham-te a boca que ri
quando ri e sorri
que até os olhos se riem com sorriso
do lábio que ri de vontade
que ri em paz, em sossego
na leveza da alma
na companhia de um sorriso.
Tranquilo.
É assim o teu sorriso.

Descobertas

Felizes descobertas de nós
com corações cheios
paz na alma
e tranquilidade no abraço.

Ao fundo


Caminho


Boa noite


quarta-feira, agosto 17

Acordar

Se te amei?
Perdidamente!
Se me dei?
Completamente.
Se te vi num futuro?
Infinitamente!
Se já acordei?
Remelosamente...

Sonhos

Sonho, imagem, vontade?
Não sei.
Terás sido esperança, desejo?
Já não te escrevo, que já não sei quem és.
Foste tudo, não sendo nada.
Fui-te completo na minha finitude.
Desilusão de mim foste.
Fiz-te memória antes, tal como hoje o és.
Imaginei-te como nunca foste.
Pintei-te em formas que não eram tuas.
Nada foste senão fruto da minha imaginação.
Enquanto no fundo, nada do que para mim eras, eras realmente.

terça-feira, agosto 16

Esboço

Desenho-te em esboço
como uma amostra.
A carvão negro de breves pinceladas
povoando no branco fundo de cavalinho.
São traços largos, indefinidos.
Como uma memória que se esvai...

Passados

Olha-se o passado e descobre-se o que somos
Fomos presente, nem sempre ausente, nem sempre gente
Fomos dias e horas de solidão
Pedaços de laca perdidos no tempo
entre merecidos abraços
ou vazios encostos.
Doces sabores avivam memórias
Suaves fragrâncias revoltam de asco
Gente fraca que nos bebeu a alma
Caninas vontades que esventraram a carne
Falsos amores, falsos desejos...
Tudo isto fomos e nada somos.
Gente de nós tudo teve
Abraços não houveram para quem os devesse.

terça-feira, agosto 2

Invictus

Um poema brilhante de William E. Henley, chamado "Invictus"

Do fundo desta noite que persiste
A me envolver em breu - eterno e espesso,
A qualquer Deus - se algum acaso existe, 
Por minh’alma insubjugável agradeço.

Nas garras do destino e seus estragos, 
Sob os golpes que o acaso atira e acerta,
Nunca me lamentei - e ainda trago 
Minha cabeça - embora em sangue - erecta.

Além deste oceano de lamuria, 
Somente o Horror das trevas se divisa;
Porém o tempo, a consumir-se em fúria, 
Não me amedronta, nem me martiriza.

Por ser estreita a senda - eu não declino,
Nem por pesada a mão que o mundo espalma;
Eu sou dono e senhor de meu destino; 
Eu sou o comandante de minha alma.

Original aqui. Versão ainda mais brilhante...