sexta-feira, dezembro 23

Pensa

Pensa!
Que pensas que pensas?!
Pensas! Pensa!
Que pensas tu, quando pensas que pensas?
Que pensas, que pensas?

Voz

Chupem-me os miolos pelas narinas
Mas depositem os neurónios nos jornais
embrulhados em papel rasgado
Para nunca mais riscarem a minha voz.

quinta-feira, dezembro 8

Jeitos

Tenho o teu beijo em meu suspiro
Nos dias só, desamparado,
Em beijos de sempre
Em lábios meus
Dos nossos jeitos de beijar
E guardo cada um a cada sopro
À espera que o tempo te traga
E nos permita amar.

sexta-feira, novembro 4

Penas

Desfaço-me da pena nos beirais
das montras e vidros com olhares
dos olhos meus que lá ficaram
ao mirarem de volta a minha pena
com pena seca e nó desfeito
e triste pena com que a largo.

sábado, outubro 29

Roubem-me

Roubem-me os decotes e os espartilhos
tirem-me o fôlego de um sufoco
afastem-me de tudo o que me suporta
esganem-me em colares de contas e meias voltas
mas deixem-me gritar bem alto
que do alto do berro ninguém me tira.

quarta-feira, outubro 26

Fumo

Fumo que fumo
e fumando me dou
enquanto fumo e refumo
do fumo que vou fumando
antes e depois que vai entrando
o fumo que fumo e vou fumando
em bafos de fumo fumado
nos intervalos que vou pensando.

Depósitos

Vendavais levantam o frio estrume
que seco se empilha nos beirais
em fétidos odores de cor escura
de habitações livres aos insectos
que repousam em intervalos esvoaçantes
à espera do sossego e calmaria
dos ventos que se vão e não repousem
e se empilhem em nojos podres de dejectos
já pois espalhados nos recantos
os negros sujos fetos depositados
descaiando as paredes já não brancas.

terça-feira, outubro 25

Fogueiras

Guardo-te o olhar em dias frios
quando miras o lume aceso da fogueira
ou apenas te vês para dentro em olhos secos
ao esperares por dias quentes já sem mantos
e relembres o nu dos corpos que se abraçam
nas camas frias e despidas de saudades.

Sal

Do sal que pincelo em tua boca
guardo reflexos de diamante em águas brandas
como sais que brilham entre iguais
dos ais que vais soltando e não guardando
aos braços que vão colando em solto manto
das línguas que acordadas se vão juntando.

segunda-feira, outubro 17

Lutas

Faz-te em lutas hábeis de hirta espada
em guerras de vozes e gritos mudos
de punhais frios de ferro forjados
ou argumentos despidos de preconceitos
com a força de mil-homens na palavra
e trespassa o ventre dos iguais
que em tudo ou nada serão jamais
a espada e adaga de breve nada.

Planos

Quando voas que levas?
Quando voas que voas?
E se voas, que levas?
Nas asas da tua mão
ou nas penas do teu cordão
Que levas tu quando voas?
E te soltas da solidão
planando, não batendo
descansando de forçar
de tanto doer de voar
Que sonhas tu quando voas?

Inverno

Amanhas-te em cobertores grossos de Invernos passados
aos sabores de lenha húmida trepidante
e copos altos vazios de vinho
enquanto esperas em carpetes de pêlo fofo
nua de roupa, vestida de encanto
o frio que passe e te traga ao teu pranto
quem mais tu queres que se enrosque a teu lado.

Esperando

Vejo-me em pedaços secos de hóstias queimadas
regado de vinho morno e broa quente
de dias e dias de tempos idos
tão duros mastigam os dentes que caem
do tempo da espera de dias melhores.

Bêbados

Borbulham-se e espumam-se os demais
em decadentes ritmos de braços no ar
nos beirais das vielas sujas de nojo
em copos partidos e garrafas vazias
ao som dos bêbados que se encostam
em guturais golfadas de olhar escuro
à medida que o copo se vai
e a barba grande continua a crescer.

Sabor

Sais de mim por teu suspiro
em suaves passos de nuvens soltas
enquanto de ti saem ais
e de mim o teu sabor.
Ficam no meio os meus abraços
os beijos e arfantes olhares
nos teus encantos ao ritmo
dos corpos que a beijar se ficaram.

Abraços

Beijos que beijam em beijos de mel
de bocas em bocas coladas ao céu
com braços e abraços em jeitos perfeitos
nos corpos que colam e se beijam assim
na pele da pele, dos peitos no peito
ou abraços de pernas em braços que juntam
e olhares que miram sem estarem abertos
as almas que beijam sem beijo nem boca.

Enforcados

Teus turbantes pendem aos ventos
de enforcados nós em ramos presos
em bailados suaves de brisas frescas
aos tempos secos da terra que espera.
Quedam-se mirando os abutres ao longe
que da espera calma se fazem ter
em pacientes olhares de bicos soltos
ao nó que apertando vai mais matando.

domingo, outubro 2

Moinho

Nos moinhos bailam ventos
em suas fraldas já rasgadas
velhas e sujas pelos tempos
e suas mós já não desfazem
o tempo que rodava sem descanso
no olho seco picado de pó.

Vielas

Afagam-se incertezas em viagens matinais
por ruas e avenidas de alcatrão posto
em ritmos despertos de sonhos brandos
enquanto se espera o infinito
além da dor da tua espera.
Colam-se retalhos velhos a novos rumos
na esperança de novos horizontes
mas a esquina que vem dobrando
não acompanha o que é preciso.
Fogem-se as vielas por nossas solas
gastas e rotas das calçadas
em breves passos já cansados
até ao próximo pouso na estrada.

quinta-feira, setembro 29

Pranto

Solta-se o pranto em meu regaço
de vestes brancas em água fria
em buscas nuas de dias quentes
ou simplesmente por alegria
do meu regaço soltar-te o pranto.

terça-feira, setembro 27

Prazeres

Quantas vezes morreste, amor,
Quantas já te perdeste,
Nesse teu jeito de olhar,
Gemer, gritar e tremer,
Nas ruas do teu prazer?

Futuros

De facas de prumo e pontas em mola
recortas e cortas os teus fantasmas.
Apagas os medos e terrores
em cavalgadas firmes da certeza.
E breves tempos são marcados
em esperas já de longe vislumbradas
por dias e vidas mais contentes
nos braços de quem tu amas.

terça-feira, setembro 20

Hoje

Vejo-te em fragmentos soltos de peças quebradas
em derrotas de batalhas nunca ganhas
nem vontades de lutas diferentes
ou construções de verdadeiras vontades.
Sei-te ainda dentro dos teus ais
por eles fui-te dando o meu ter
enquanto desistias e perdias mais de ti.
Medos de passados já quebrados
despedaçaram-te vontades e quereres
navegando-te em sonhos desfeitos e moribundos
em pedaços mortos de futuros risonhos.
Ergue-te hoje em bases sólidas
de fome e vontade de viver
a vida que com quem deves saber viver
e dá-te à vontade de querer.

sábado, setembro 17

Retalhos

De prantos altos, inconstantes
vieste ver-me, de noite vestida.
Eras água, eras manto
ou retalho do teu encanto.

Olhar

Pregam-se quadros emoldurados em cetim
nas voltas secas e escuras do teu olhar
e quedam-se estáticos nesses instantes
sem prumo, nível ou horizonte.

quarta-feira, setembro 14

(Des)ilusão

Esgares fugidios ao vento se viram
de desilusões ocas em mentes recentes
ou mesmo olhares de espanto prostrados
por ser quem não eras, ou eras sem seres
nos cantos rasgados das odes que foram.

Divisões

Muros altos de betão escuro
dividindo patamares sombrios
repousam na tua avenida
separando o querer e a estupidez.

Lágrimas

Secam-se-te as lágrimas enquanto caem
por ruas e vielas mais que errantes
de tanta vez se verem andantes
em trejeitos teus conhecidos
da cara, dos olhos mais vidrados
de recordações secas dos passados.
Enfeitiças-te triste por prazer
por vontade e mais querer
pois já nem sabes outro ser
senão assim, já sem viver.

Jazidas

Carnais prazeres em dentadas maxilantes
com forças de mil-mundos em caninos cortantes
rasgai, esventrai, este meu ai
em mil mais mil pedaços de cinzas soltas
quais mortais restos em cremadas jazidas
largados aos ventos, de brisas errantes.

Lençóis

Cansado de mim já não estou
Nem aos poucos já me dou.
Guardo fagulhas de brasas quentes
Que em mim se fizeram prantos
Não deixando sequer encantos
Nem mais dor nesses recantos.
Fecho-me em estriadas memórias
desvairadas, loucas, passadas
no sossego do meu recanto
na berma esguia de morta alma.
Tempos que mortos se foram
em tempos do tempo vivido
em pele e suor de véus caídos
entre lençóis que voam desalinhados.

Infindável

Desfraldo-te em pensamentos como sempre
desde a cama onde chegaste
em pijama de pele nua
com olhos e jeitos envergonhados
até aos dias que são presente
e para sempre te terão.

Solidão

Que fazes, que sabes e sentes
e percebes  o que fomos
em magias sem cartola
sem roupas, enganos ou ilusão
e todavia te agarras
à dor maldita da solidão?

terça-feira, setembro 13

Inacabados

Vivem-se instantes alucinados
Em luz e cor desenfreados
De vidas entrelaçadas em lembranças
Ou memórias e dores já vividas
Que de pedaços se fazem vivas
Em amores jamais inacabados.

domingo, setembro 4

Sons da alma

Enjeito o teu peito em minhas mãos
nuas, cruas, sem senãos
enquanto te aperto a boca à minha
e desabraçamos a solidão.
Aperto-te o ventre em meu consolo
não de ferro, fogo, ou meu tesouro
mas em suaves beijos de almas gémeas
no embalo fresco da nossa canção.

Desmorta

Tento matar-te cá dentro e não consigo
és-me vida em almas e pensamentos
em fechar de olhos e sonhos frios.
Mato-te em cada sonho a cada dia
mas reergues-te Fénix bem erguida.
Que fazes que habitas em mim e não te esvais,
nem te elevas em fumos e espirais?
Tento matar-te a cada dia
de olhos cerrados enquanto durmo
e bem abertos de madrugada
ou na espera da nova aurora.
Mas tu, és-me ainda mais e mais e muito mais.

sexta-feira, setembro 2

Factor


 

... mas desfocado.

Velhos

Ejaculam-se memórias no banco desse jardim
como se o tempo já ido escondesse mistérios
como se o tempo presente não fosse passado
em pedaços frescos de matinais alvoradas
em pedacinhos de nadas de tudos de alguém.
Os velhos atracam-se nos bancos da rua
desconhecidos sejam partilham retratos
em olhos vidrados e sorrisos matreiros
de algumas vividas em segredos caseiros
ou estórias solteiras que nunca casaram.

quinta-feira, setembro 1

Intervalos

Hoje senti saudades...
Saudades daquela varanda voltada ao beco sem luz
onde fumava de noite entre as janelas
onde os nossos cheiros se uniam
onde haviam intervalos de mim, não de nós.

Dúvida matinal

E hoje acordei a tentar perceber quem era a personagem. Não tinha pista alguma. Nada.
Qual será hoje?
Como não tocaram à campainha, voltei para a cama.

Fim

Veste-te em fardas ruças e gastas pelos bancos
em que foste repousando a tua paz.
Cobre-te dos sonhos perdidos e ilusões compradas
dos velhos ditados e prefácios.
Albarda-te dos medos e terrores de infância
que te proibiam de adormecer
e junta as velhas fotos do passado
em febris devaneios de tortura,
ao tempo que desnudado enfrentas os males,
que mesmo carregado dos passados,
não te permitem levar mais que o que és.

quarta-feira, agosto 31

Loucos

Dementes sementes ardentes reluzentes 
ordenhadas em leite gordo sem vapor
de mentes em mentes mentoladas
brotam ideias feitas em natas secas
e em flores de iogurte azedas já sem cor.
E as fugazes crinas despenteiam-se quando passas
que os loucos quedam hirtos às janelas.

Fases e traços

Esquizotrifásico de três lados
com três personagens
e três fases, sou.
Nesta, vou dormir.

Portas


Segurem-me


Visceral

Saltam-te as vísceras pelos olhos
em remelas ardentes, viscerais
de um podre cheiro que não se esvai
em cânticos e trovas decadentes
ao vomitarem-se junto ao chão.

Mulher, faz-te

Chega-te galopante à noite vazia
Evapora-te obscena em aguardentes de mel
Vai, segue-te em punhos cerrados e olhos tesos
ergue-te em batalhas pelas vielas sem sombra
espanta-te e faz-te mulher de voz erguida
de peito feito em caixa de ar
de fraco punho d'aço feito
de leve e esguia num torpedo
em forças que te brotam das entranhas
em vontades e desejos submersos
que te impelem mais e mais sempre adiante
ou deixa-te fraca nesse canto
e não chores senão para dentro.

segunda-feira, agosto 29

(E)ternos

Liquidifico-te o desejo em sais de fruta
em rosas e pétalas descascadas
de aromas estridentes e bailarinos
ou em véus descalços de tormentos
para que nos torne tudo num momento
ou em breve eterno beijo salpicado
de melodias suaves e vinho em nossas mãos.

Tontos

Tontos os pardais e os dentes de sabre que esvoaçam
aos sabores desvairados da ventania
das brisas e rodopios na pradaria
e nos beijos e abraços que perduram.

A negro traço

Escrevinho-te em pedacinhos de papel rasgados e amarelecidos pelo tempo
o quanto me és em ti, em nós, de nós
a tinta da China e pena de cauda
em traços largos, mas perfeitos e soltos
tal como o leito que nos acolhe e descobre, abraça e desperta
no tempo perdido do nosso beijo.

Dementia

Mentolados beijos e arrepios de pêlos em braços eriçados ao frio e gelo da língua que penetra em vagas suaves ao encontro do seu par ou em montes descarnados que abrindo se sentem com suaves investidas ou circulares andantes em horários clitorianos.
E há arrepios de frio.

Queremos?

- Achas que ainda queremos muito?
- Eu queremos muito!
- Tu e mais quem?
- E tu! Espero eu... Também queremos muito, tu?
- Também queremos eu, sim!

Congestão


Not so deep


quinta-feira, agosto 25

Tempo

Vens?
Vens?!?
Anda!
Porque não chegas mais?
Não vens?
Então porque demoras?
Se te atrasas não chegas a tempo!

Noite

Gosto do cheiro do teu cabelo escuro que se confunde com o breu da noite nas noites escuras e frias do Outono quando nos enroscamos em mantas e cobertores a espreitar a chuva que voa lá fora enquanto a vida se esconde os transeuntes adormecem e se substituem pelas criaturas da noite.

Momentos

E, sabes, estou feliz! Sinto-me cheio, preenchido. Sou um cabaz de alegria. Trago vinho à temperatura ambiente, queijo daquele que gosto de acompanhar com tostas aos quadrados, compota doce de noz e um chocolate para adoçar a boca. Bebem-se os tintos em copos altos, abraçados pelos dedos, na base. A cor transpira aromas de cascas velhas e frutos. Deixam passar a luz, rosada, que se encosta no fundo da mesa, mesmo ao lado da minha mão lá repousada.
E saboreia-se ao som de música... de olhos fechados. Embalando a cabeça.
Pela janela já não espreitam os raios de luz, mas o bailar da Lua cheia ecoa nas janelas.
Magníficas noites ao luar.
De copo de vinho na mão.
Eu e tu...

Deep III


Deep II


Deep


Voz

Percebo-te, quando me dizes que sim.
Entendo-te, quando me dizes: não!
Julgo-te, quando te julgas assim.
Renego-te, quando não cabes em mim.
E nesse momento, já não és minha consciência.

B&W


quarta-feira, agosto 24

RGB

Eu acho que a vida devia ser, maioritariamente, a preto e branco para podermos usufruir dos dias coloridos quando aparecem.

ROTFL

Mas será que alguém se rebola mesmo, no chão, a rir?
E depois ainda continuam a rir, ou passa logo?

Lávios

Veija-me ou Beija-me.
Tanto faz.
Pode ser de Norte a Sul.

Pode?

Faz amor comigo mas deixa-me participar.

Sono

Fecham-se-me as pálpebras em sintonia
pesadas e presas lado a lado
em tormentos negros e fugidios
da carga que suportam em divisa.
Olho-me para dentro em intervalos
vejo-te e revejo-te na minha pele
em suaves passagens pelo teu corpo
brisas das minhas mãos que lá voaram.
Tenho sono.

White


http://www.diderote.com/

Fire


Mine


Break


Guilty


Um


Carregado

Tenho tudo a BOLD!
Até a merda da dor de cabeça.

Preto e branco

Tal como este blogue, há por aí a necessidade de abstracção, da fuga do real, do levitar... Desde sempre que o homem necessita de fugir do seu mundo e deixar-se viajar por outros, desconhecidos, imaginários, reais...
Um destes dias descobri um texto sobre alguém que sempre me fascinou, da mesma forma abstracta, com toque de erotismo sombrio - e, por vezes, mal compreendida - do mundo da mulher, do corpo, com viagens pelo contraste seco e, ao mesmo tempo, rico na diversidade da observação. Falo de Irina Ionesco, fotógrafa tardia de origem francesa. Texto aqui.


...

Adoro fotografias a preto e branco.

Vagueando

Há surpresas engraçadas.
Vagueando na Blogosfera encontrei isto aqui.
Bonito...

terça-feira, agosto 23

A.

Apaixonado.
Envolvido.
Sinto-te aqui, na pele, na alma
sinto-te em mim.
Forte, quase carnal!
De um poder imenso, de algo incontrolável...
De uma força suave que conquista aos poucos e de repente já se apoderou de nós.
Que já nos é...
Que nos invade o pensamento a cada instante, que nos possui, nos comanda.
Embebeda e leva-nos a voar...
Algo muito à flor da pele, algo que arrepia...
Algo que encanta, que encarna.
Carnal de nos deter, por completo...

Solidão

Jorram e brotam ciúmes em magotes de feno seco nas pradarias enquanto passeiam azulejos pintados pelas paredes caiadas sob o calor quente do Sol do Verão esperando a breve brisa da madrugada e o orvalho húmido da solidão.

Subversivo

Caralhetes em piretes alados
povoam-nos em existências carnais
nos mundos e planos subversivos
de sexuais predadores insaciáveis
dominando as mentes e ocultando falácias
dos meio-humanos que conquistam e possuem
não por graça mas por força.

Carburante

Carburo-te em petróleo destilado pelas veias e artérias do meu corpo como se de um barco a motor que travessia fizesse sob o manto do teu peito.

Olimpos

Que Deuses de Mundos infinitos nos iludam nos enganem e trucidem em conquistas e batalhas fraternais com golfadas sanguinárias de urros soltos ao vento que lento se vai soprando em crinas de éguas soltas de pradarias devoradas em penetrantes incensos fétidos ao passarem as hordas bárbaras alinhadas em exércitos sob capas santificadas de oráculos terrestres em nome de Deuses e totens alados que subjugam destroem e separam as vontades mundanas dos que por cá vivem.

Smoking


segunda-feira, agosto 22

Quente

Que o teu corpo acorde em chamas
de lava quente em brasas rubras
tal como o teu ventre por entre a mão
que da outra minha mão o acompanha
enquanto o percorre e conquista
toca, sente e desliza
ao calor frenético do teu prazer

Jeitos

Que a boca te acompanhe o jeito
do teu lábio quando se abre
em sorrisos frescos de ternura
ou em esboços leves de um abraço
espelhado ledo na tua boca.
Que os teus olhos se soltem
em profundas gargalhadas
mesmo que silenciosamente
ou em bravos bem audíveis
quando se abrem de par em par
bailando ao som do teu sorriso
nos jeitos que a boca dá.

Em dias

Fui-te a descoberta
em dúvidas que voavam
em incertezas que sopravam
até ao dia do nosso beijo

Prazeres escondidos

Imagino-te a mão sob o vestido
em areias brancas de calor
enquanto percorrem o teu sabor
escondendo os dedos que te dão prazer

E se depois...

Apaneleiradas fusões
de rotos costumes
Abichanados devaneios
em florais desassossegos
Rabetas gritarias
que não descolam nem largam
mordem, cospem e sugam
ardilosos poderes fétidos
de ministros santificados em dor
das vezes que penso em não te ter.

Saboreando

Leva-me no beijo
que do beijo vivo eu
enquanto de memória vou saltando
entre beijos e abraços doces
encontrados, já despertos
em amanheceres quentes e nus
onde do beijo vou vivendo
enquanto me levas na boca
e eu guardo o teu sabor.

Sombras


Linhas


Quadradinhos


Setas


Travessias


A espera


Lado a lado


Cais


Encruzilhadas


Reflexos


Passagens


Sorrindo

Adoro ver-te sorrir
Adoro ter-te a sorrir
Por eu estar lá
Adoro sentir-te sorrir
Porque estou cá
Mesmo quando não estou
Adoro fazer-te sorrir
Mesmo não sorrindo
Dormindo

Sorriso

Gosto dos teus olhos quando sorriem
e riem, sem gargalhada, mas sorriem
acompanham-te a boca que ri
quando ri e sorri
que até os olhos se riem com sorriso
do lábio que ri de vontade
que ri em paz, em sossego
na leveza da alma
na companhia de um sorriso.
Tranquilo.
É assim o teu sorriso.

Descobertas

Felizes descobertas de nós
com corações cheios
paz na alma
e tranquilidade no abraço.

Ao fundo


Caminho


Boa noite


quarta-feira, agosto 17

Acordar

Se te amei?
Perdidamente!
Se me dei?
Completamente.
Se te vi num futuro?
Infinitamente!
Se já acordei?
Remelosamente...

Sonhos

Sonho, imagem, vontade?
Não sei.
Terás sido esperança, desejo?
Já não te escrevo, que já não sei quem és.
Foste tudo, não sendo nada.
Fui-te completo na minha finitude.
Desilusão de mim foste.
Fiz-te memória antes, tal como hoje o és.
Imaginei-te como nunca foste.
Pintei-te em formas que não eram tuas.
Nada foste senão fruto da minha imaginação.
Enquanto no fundo, nada do que para mim eras, eras realmente.

terça-feira, agosto 16

Esboço

Desenho-te em esboço
como uma amostra.
A carvão negro de breves pinceladas
povoando no branco fundo de cavalinho.
São traços largos, indefinidos.
Como uma memória que se esvai...

Passados

Olha-se o passado e descobre-se o que somos
Fomos presente, nem sempre ausente, nem sempre gente
Fomos dias e horas de solidão
Pedaços de laca perdidos no tempo
entre merecidos abraços
ou vazios encostos.
Doces sabores avivam memórias
Suaves fragrâncias revoltam de asco
Gente fraca que nos bebeu a alma
Caninas vontades que esventraram a carne
Falsos amores, falsos desejos...
Tudo isto fomos e nada somos.
Gente de nós tudo teve
Abraços não houveram para quem os devesse.

terça-feira, agosto 2

Invictus

Um poema brilhante de William E. Henley, chamado "Invictus"

Do fundo desta noite que persiste
A me envolver em breu - eterno e espesso,
A qualquer Deus - se algum acaso existe, 
Por minh’alma insubjugável agradeço.

Nas garras do destino e seus estragos, 
Sob os golpes que o acaso atira e acerta,
Nunca me lamentei - e ainda trago 
Minha cabeça - embora em sangue - erecta.

Além deste oceano de lamuria, 
Somente o Horror das trevas se divisa;
Porém o tempo, a consumir-se em fúria, 
Não me amedronta, nem me martiriza.

Por ser estreita a senda - eu não declino,
Nem por pesada a mão que o mundo espalma;
Eu sou dono e senhor de meu destino; 
Eu sou o comandante de minha alma.

Original aqui. Versão ainda mais brilhante...

sábado, julho 30

Chão de nós

Somos chão que de nós fazem.
Sempre mais e mais.
Nunca chega.
Há sempre mais...
Hoje não quero mais nada.

Desiludo-me apenas.

Estou triste.
E já chega...
Sim... já chega...

Tu chegas lá

- Pai, há coisas que eu não consigo dizer: labaradismo e melharadeiro.

:(

As pessoas...
Magoam.

Woof woof

Baaaah!!

Bonc!

- Pai, continuo a não respirar bem.
- Não bateste com a cabeça na parede...
- Paaai!!

Booonc

- Não resultou!!

Cópias

Que outros olhos te abracem
que outros abraços te beijem
que outros beijos te percorram
que outros toques te seduzam
que outras mãos te enlouqueçam
que outra língua te passeie
que outros sejam como os nossos
que outros teus não se parem no primeiro
que tudo te seja assim
com tudo o que juntos fomos
com novas emoções e sensações
impulsos, loucuras e entrega
embora ache que nada será assim.
Nada do que fomos tem cópia.

Intervalo

E vou ali beber mais umas éme i éne i ésse e já volto.
Sinto-me demasiado lúcido.

Respiração

- Não consigo respirar bem deste nariz.
- Bate com a cabeça na parede.
- Paaai!!

Importante

Ganha o mundo ganham outros
vencem da vida num instante
ganham tudo mais que tudos
e morre o mais importante.

Abraços

E abraço-te a ti em mim
bem juntinho, encaixadinho
com a tua cabeça no meu peito
de olhos fechados os dois
na segurança do nosso abraço
pelo menos com isso fiquei
mesmo que nada mais seja assim
ou em sonhos fosse sequer
pelo menos com isso fiquei.

Eras

Já não me lembro de quem eras
quando para mim tudo eras
já não me recordo de tudo
nem de um pouco apenas mais
Já nada me existe ou subsiste
de tudo o que para mim foste
quando mais nada me havia aqui
senão tu mais tu mais nada
Hoje apenas recordo
o que para mim tudo foste
daquilo que imaginei e vivi
enquanto a teu lado morri
Hoje és-me vaga lembrança
de tão diferente agora te ver
que já duvido de mim mesmo
e de tudo o que te vi
Vi-te em ti tudo de novo
tão diferente e assombroso
nessa noite, última de pranto,
que da porta costas fizeste
e outra de ti me vieste
enquanto ainda te via antes
olhava a outra, agora tu,
tão distante, fria e diferente
que apenas hoje te vi
outra de ti que já não eras.
Sinto o vazio de no teu peito ter sido tudo
Quando tu eras tu, apenas tu.
E eu.

Urros

Já nem sei que és, dor maldita e solitária
que de arrepanhados costumes me vais fazendo
não largando e vais mordendo
em pedaços de pele que vais comendo
à medida que vais gritando
aos ventos berrando e urrando
que de mim já nada vês.

Terra do nunca

Na terra do nunca viveremos nós
Na terra do nunca não seremos sós
Na terra do nunca vivem animais
quase como iguais
Na terra do nunca seremos sempre mais
Não seremos outros nem como os demais
Na terra do nunca já não há sinais
nem espaços fechados nem olhos dos demais
Na terra do nunca passeamos nus
sem trapos e panos nem pudor a mais
Na terra do nunca vive-se em magia
com música alta e tudo rodopia
Na terra do nunca nada acontece
que seja diferente do que apetece
A terra do nunca é no infinito
A terra do nunca é feita de giz
pintado em lousas de cores alegres
com passos de dança e doces suaves
A terra do nunca é já ali ao lado
fecha os teus olhos, lá nos encontramos
em conversas despidas e envergonhados risos
P'rá terra do nunca viajámos nós
abraçados nas nuvens por cima do mar
À terra do nunca não chegamos nós
morremos na praia já com falta de ar
largamos as mãos e tudo nos fugiu
ficamos assim com a dor de quem partiu
Olhares intensos ficaram de ser
abraços não dados ficaram por dar
amor que não demos também por lá ficou
À terra do nunca nada lá chegou
apenas o nunca na terra ficou.

sexta-feira, julho 29