quinta-feira, setembro 29

Pranto

Solta-se o pranto em meu regaço
de vestes brancas em água fria
em buscas nuas de dias quentes
ou simplesmente por alegria
do meu regaço soltar-te o pranto.

terça-feira, setembro 27

Prazeres

Quantas vezes morreste, amor,
Quantas já te perdeste,
Nesse teu jeito de olhar,
Gemer, gritar e tremer,
Nas ruas do teu prazer?

Futuros

De facas de prumo e pontas em mola
recortas e cortas os teus fantasmas.
Apagas os medos e terrores
em cavalgadas firmes da certeza.
E breves tempos são marcados
em esperas já de longe vislumbradas
por dias e vidas mais contentes
nos braços de quem tu amas.

terça-feira, setembro 20

Hoje

Vejo-te em fragmentos soltos de peças quebradas
em derrotas de batalhas nunca ganhas
nem vontades de lutas diferentes
ou construções de verdadeiras vontades.
Sei-te ainda dentro dos teus ais
por eles fui-te dando o meu ter
enquanto desistias e perdias mais de ti.
Medos de passados já quebrados
despedaçaram-te vontades e quereres
navegando-te em sonhos desfeitos e moribundos
em pedaços mortos de futuros risonhos.
Ergue-te hoje em bases sólidas
de fome e vontade de viver
a vida que com quem deves saber viver
e dá-te à vontade de querer.

sábado, setembro 17

Retalhos

De prantos altos, inconstantes
vieste ver-me, de noite vestida.
Eras água, eras manto
ou retalho do teu encanto.

Olhar

Pregam-se quadros emoldurados em cetim
nas voltas secas e escuras do teu olhar
e quedam-se estáticos nesses instantes
sem prumo, nível ou horizonte.

quarta-feira, setembro 14

(Des)ilusão

Esgares fugidios ao vento se viram
de desilusões ocas em mentes recentes
ou mesmo olhares de espanto prostrados
por ser quem não eras, ou eras sem seres
nos cantos rasgados das odes que foram.

Divisões

Muros altos de betão escuro
dividindo patamares sombrios
repousam na tua avenida
separando o querer e a estupidez.

Lágrimas

Secam-se-te as lágrimas enquanto caem
por ruas e vielas mais que errantes
de tanta vez se verem andantes
em trejeitos teus conhecidos
da cara, dos olhos mais vidrados
de recordações secas dos passados.
Enfeitiças-te triste por prazer
por vontade e mais querer
pois já nem sabes outro ser
senão assim, já sem viver.

Jazidas

Carnais prazeres em dentadas maxilantes
com forças de mil-mundos em caninos cortantes
rasgai, esventrai, este meu ai
em mil mais mil pedaços de cinzas soltas
quais mortais restos em cremadas jazidas
largados aos ventos, de brisas errantes.

Lençóis

Cansado de mim já não estou
Nem aos poucos já me dou.
Guardo fagulhas de brasas quentes
Que em mim se fizeram prantos
Não deixando sequer encantos
Nem mais dor nesses recantos.
Fecho-me em estriadas memórias
desvairadas, loucas, passadas
no sossego do meu recanto
na berma esguia de morta alma.
Tempos que mortos se foram
em tempos do tempo vivido
em pele e suor de véus caídos
entre lençóis que voam desalinhados.

Infindável

Desfraldo-te em pensamentos como sempre
desde a cama onde chegaste
em pijama de pele nua
com olhos e jeitos envergonhados
até aos dias que são presente
e para sempre te terão.

Solidão

Que fazes, que sabes e sentes
e percebes  o que fomos
em magias sem cartola
sem roupas, enganos ou ilusão
e todavia te agarras
à dor maldita da solidão?

terça-feira, setembro 13

Inacabados

Vivem-se instantes alucinados
Em luz e cor desenfreados
De vidas entrelaçadas em lembranças
Ou memórias e dores já vividas
Que de pedaços se fazem vivas
Em amores jamais inacabados.

domingo, setembro 4

Sons da alma

Enjeito o teu peito em minhas mãos
nuas, cruas, sem senãos
enquanto te aperto a boca à minha
e desabraçamos a solidão.
Aperto-te o ventre em meu consolo
não de ferro, fogo, ou meu tesouro
mas em suaves beijos de almas gémeas
no embalo fresco da nossa canção.

Desmorta

Tento matar-te cá dentro e não consigo
és-me vida em almas e pensamentos
em fechar de olhos e sonhos frios.
Mato-te em cada sonho a cada dia
mas reergues-te Fénix bem erguida.
Que fazes que habitas em mim e não te esvais,
nem te elevas em fumos e espirais?
Tento matar-te a cada dia
de olhos cerrados enquanto durmo
e bem abertos de madrugada
ou na espera da nova aurora.
Mas tu, és-me ainda mais e mais e muito mais.

sexta-feira, setembro 2

Factor


 

... mas desfocado.

Velhos

Ejaculam-se memórias no banco desse jardim
como se o tempo já ido escondesse mistérios
como se o tempo presente não fosse passado
em pedaços frescos de matinais alvoradas
em pedacinhos de nadas de tudos de alguém.
Os velhos atracam-se nos bancos da rua
desconhecidos sejam partilham retratos
em olhos vidrados e sorrisos matreiros
de algumas vividas em segredos caseiros
ou estórias solteiras que nunca casaram.

quinta-feira, setembro 1

Intervalos

Hoje senti saudades...
Saudades daquela varanda voltada ao beco sem luz
onde fumava de noite entre as janelas
onde os nossos cheiros se uniam
onde haviam intervalos de mim, não de nós.

Dúvida matinal

E hoje acordei a tentar perceber quem era a personagem. Não tinha pista alguma. Nada.
Qual será hoje?
Como não tocaram à campainha, voltei para a cama.

Fim

Veste-te em fardas ruças e gastas pelos bancos
em que foste repousando a tua paz.
Cobre-te dos sonhos perdidos e ilusões compradas
dos velhos ditados e prefácios.
Albarda-te dos medos e terrores de infância
que te proibiam de adormecer
e junta as velhas fotos do passado
em febris devaneios de tortura,
ao tempo que desnudado enfrentas os males,
que mesmo carregado dos passados,
não te permitem levar mais que o que és.