quinta-feira, maio 24
Semanas
domingo, maio 20
sexta-feira, maio 18
quinta-feira, maio 17
Vozes
Cruas e duras senão secas
as cordas afónicas mais serão
dos gritos que esperas em torpedos
além das vozes que espirras ledas
e não és senão vivo caixão
das pontas e voltas desses pregos.
terça-feira, maio 15
Perfeitos encaixes - E-book gratuito
Espero que o apreciem, embora seja um conjunto de pequenos textos reunidos com o único propósito de fazer nascer este singular livro.
A ideia de o distribuir gratuitamente é algo que me dá especial prazer. Sei que não é algo de novo, mas penso que também nos cabe a nós, autores, poder proporcionar leitura universal e de acesso total.
Espero que o apreciem e, acima de tudo, que o partilhem com todos!
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segunda-feira, maio 14
E-book
Que tal?
Beijos e abraços
terça-feira, maio 8
A dois
Acendes archotes em vigas erectas
e agarras as crinas de pelos macios
compridas ou curtas na mão que segura
em investidas traseiras de peitos abertos
os quatro suportes anseiam as ondas
das vagas que voltam a ritmos incertos
e fazem soltar o gemido que escondes
na boca que cerras em dor da lembrança
do jeito que era do peito no peito
enquanto as ondas sentidas teriam
em vagas incertas é certo seriam
o calor que do peito no peito fervia
e o sexo de sexo já nada seria
apenas amor de amor se fazia.
Mim
Embrulhos caseiros de algodão doce
em pacotes de cetim e laços azuis
atestam-te a alma de doces enfeites
e de suaves deleites bailando na boca
ao sabor da aurora que breve se faz
e baixas o braço na espera que dás
aos olhos que mirem o raio de luz
do sorriso que abres na imagem de mim.
Universo
Gosto de mim e de ti gosto do mundo e da vida gosto de tudo e de nada gosto porque gosto e não por nada e porque gosto de gostar e gosto do gostar é que gosto de mim e de ti porque sim porque sim porque não também é sim e porque do sim e do não se faz futuro e do gostar se faz madrugada é que gosto de ti e de mim não só hoje porque sim nem amanhã só porque então mas de sempre como quem gosta apenas de mim e de ti em pequenos nadas de gostos e desgostos porque nem só de gostos se faz feliz nem só desgostos nos fez aqui mas também faz de mim e de ti todo o gosto que nos tenho e desse gosto é que te gosto mesmo que apenas de mim e de ti apenas de mim e de ti.
Pequenos
E o pequeno rapaz, que já não era pequeno há muitos anos, chegando junto do balcão, perguntava, incrédulo:
- Mas é mesmo verdade? A sério?
Os olhos arregalados evidenciavam o espanto de quem não queria acreditar, ou jamais vira tal coisa. Assunto sério, de elevada moralidade, recheado de novidade, assombrava-lhe a alma neste breve instante, de frente para o espelho que reflectia todo o peso deste menino, já pouco novo.
- Não pode ser! Só pode ser engano. Ninguém faz isso só por fazer. - repetia, vezes sem fim, à sua imagem oposta na parede que segurava o seu reflexo.
- Os meninos não crescem! Os meninos pequenos, ficam pequenos para sempre! Quem és tu, que mexes os meus lábios e piscas os meus olhos e abanas as minhas mãos e vestes as minhas roupas?
Aos poucos, as suas perguntas abafadas e feitas de si para si, tornavam-se gritos, em crescendo de emoção e lágrimas em torrentes.
- Quem? Quem? - questionava de braços no ar - Quem és tu que me tomaste e apoderaste do meu corpo? Quem, demónio sujo que de mim levaste o meu ser? Vai-te e leva-me contigo, mas deixa-me a alma que me pertence!
Os meninos pequenos não ficam crescidos. Nem os espelhos devolvem os pequenos meninos.
Levam tudo e devoram almas, em raios foscos, invisíveis, de tentação.
Os meninos pequenos não ficam crescidos. Nem os crescidos meninos foram já pequenos.
Pai
Sinto saudades, sabes? Saudades tuas, do teu cheiro, do teu abraço, da tua voz que nunca ouvi. Saudades de seres em mim o que nunca vi ou senti. Saudades dos olhos que não conheço, de cores ouvidas ou conhecidas em retratos velhos. Sinto-te falta em mim. Nas longas conversas que nunca tivemos, nos conselhos que nunca me deste. Sinto falta de ti. Sinto a falta desse abraço vazio de palavras, no silêncio do momento, em que tudo é dito de olhos fechados e lábios cerrados. Sinto a falta desse colo, do teu colo. Não de um colo qualquer, não. Desse, do teu.
Também sinto falta que me ralhes, que me chames à razão. Apesar de nunca o teres feito, tenho saudades disso mesmo. Gostava de reviver os momentos que nunca vivemos, nas horas de diálogos nunca tidos, em dias nunca vividos. Mesmo sem ser à lareira que nunca tivemos, ou no carro em que nunca me ensinaste a conduzir, sinto a falta das tuas ideias, da tua opinião.
Sabes, sinto-te falta sem nunca te ter tido para mim.
E tenho saudades tuas, muitas saudades tuas pai.
domingo, maio 6
Que sentes
Sentes que sentes
mas sentes tu que sentes
ou apenas sentes que sentes
se não sentes que sentes?
