sábado, julho 30

Chão de nós

Somos chão que de nós fazem.
Sempre mais e mais.
Nunca chega.
Há sempre mais...
Hoje não quero mais nada.

Desiludo-me apenas.

Estou triste.
E já chega...
Sim... já chega...

Tu chegas lá

- Pai, há coisas que eu não consigo dizer: labaradismo e melharadeiro.

:(

As pessoas...
Magoam.

Woof woof

Baaaah!!

Bonc!

- Pai, continuo a não respirar bem.
- Não bateste com a cabeça na parede...
- Paaai!!

Booonc

- Não resultou!!

Cópias

Que outros olhos te abracem
que outros abraços te beijem
que outros beijos te percorram
que outros toques te seduzam
que outras mãos te enlouqueçam
que outra língua te passeie
que outros sejam como os nossos
que outros teus não se parem no primeiro
que tudo te seja assim
com tudo o que juntos fomos
com novas emoções e sensações
impulsos, loucuras e entrega
embora ache que nada será assim.
Nada do que fomos tem cópia.

Intervalo

E vou ali beber mais umas éme i éne i ésse e já volto.
Sinto-me demasiado lúcido.

Respiração

- Não consigo respirar bem deste nariz.
- Bate com a cabeça na parede.
- Paaai!!

Importante

Ganha o mundo ganham outros
vencem da vida num instante
ganham tudo mais que tudos
e morre o mais importante.

Abraços

E abraço-te a ti em mim
bem juntinho, encaixadinho
com a tua cabeça no meu peito
de olhos fechados os dois
na segurança do nosso abraço
pelo menos com isso fiquei
mesmo que nada mais seja assim
ou em sonhos fosse sequer
pelo menos com isso fiquei.

Eras

Já não me lembro de quem eras
quando para mim tudo eras
já não me recordo de tudo
nem de um pouco apenas mais
Já nada me existe ou subsiste
de tudo o que para mim foste
quando mais nada me havia aqui
senão tu mais tu mais nada
Hoje apenas recordo
o que para mim tudo foste
daquilo que imaginei e vivi
enquanto a teu lado morri
Hoje és-me vaga lembrança
de tão diferente agora te ver
que já duvido de mim mesmo
e de tudo o que te vi
Vi-te em ti tudo de novo
tão diferente e assombroso
nessa noite, última de pranto,
que da porta costas fizeste
e outra de ti me vieste
enquanto ainda te via antes
olhava a outra, agora tu,
tão distante, fria e diferente
que apenas hoje te vi
outra de ti que já não eras.
Sinto o vazio de no teu peito ter sido tudo
Quando tu eras tu, apenas tu.
E eu.

Urros

Já nem sei que és, dor maldita e solitária
que de arrepanhados costumes me vais fazendo
não largando e vais mordendo
em pedaços de pele que vais comendo
à medida que vais gritando
aos ventos berrando e urrando
que de mim já nada vês.

Terra do nunca

Na terra do nunca viveremos nós
Na terra do nunca não seremos sós
Na terra do nunca vivem animais
quase como iguais
Na terra do nunca seremos sempre mais
Não seremos outros nem como os demais
Na terra do nunca já não há sinais
nem espaços fechados nem olhos dos demais
Na terra do nunca passeamos nus
sem trapos e panos nem pudor a mais
Na terra do nunca vive-se em magia
com música alta e tudo rodopia
Na terra do nunca nada acontece
que seja diferente do que apetece
A terra do nunca é no infinito
A terra do nunca é feita de giz
pintado em lousas de cores alegres
com passos de dança e doces suaves
A terra do nunca é já ali ao lado
fecha os teus olhos, lá nos encontramos
em conversas despidas e envergonhados risos
P'rá terra do nunca viajámos nós
abraçados nas nuvens por cima do mar
À terra do nunca não chegamos nós
morremos na praia já com falta de ar
largamos as mãos e tudo nos fugiu
ficamos assim com a dor de quem partiu
Olhares intensos ficaram de ser
abraços não dados ficaram por dar
amor que não demos também por lá ficou
À terra do nunca nada lá chegou
apenas o nunca na terra ficou.

sexta-feira, julho 29

Chinoca

- O que quer dizer: éme à dê é espacinho i éne espacinho cê agá i éne à?
- Feito na China.
- Ah, este morango foi feito na China!

Sol posto


Irmões de França

E vierem os meus irmões de França e todos amandarem-me pedras e a fugirem atrás de mim em roulotes para me baterem...

Não? Nada?
Cebola Mol - Os meus irmãos baterem-me

Cenas assim

Há quem diga que as drogas provocam esquecimento e outras coisas que agora não me lembro.
Mas eu cá não acredito porque.. cenas. E assim. Percebes?
Qu'é qu'eu tava a dizer?

quinta-feira, julho 28

Sendo

Censuro-me de ser por ser não sendo e assim não poder ser quando sendo era o que queria ser.
E adormeço mesmo sendo sabendo que amanhã não serei sendo.
Porque é sendo que sou e me sou-te.

É triste

É triste isto tudo ter de ser assim...
É mesmo...

Aspiração descentralizada

Empresto esfregona portátil.
Apenas requer alimentação diária, descanso (pouco - começa a trabalhar cedo), atenção e brinquedos espalhados pelo chão.
Perfeito substituto do aspirador.
Bom estado.
Zona aqui perto.
Preço a combinar.

Medalhas

- Pai, aquela nódoa negra, aqui, já está a ficar melhor.
- Sim, muito melhor. Passou do tamanho de 5 dedos para 4!
- Paaai!!

Física

Há o efeito borboleta.
E há o efeito estupidificante.
O CAOS transforma-se em padrão definido.
Em ambos os casos...
Vou ali bater as asas e já volto.

Zarolho

- Pai, que idade tinhas quando te caíram os dentes?
- Não sei. Temos de perguntar à vovó...
- E ficaste desdentado?
- Não. Fiquei zarolho.
- Hã? Paaaai!!

Concursos TV

A filhota vai ganhar um concurso! Só tem de desenhar e pintar um vestido e, se ganhar, esse vestido torna-se verdadeiro!
E eu tenho de o enviar por computador.
Espero não o receber por e-mail...

Educação

Nota: Nunca, mas nunca ensinar os filhos a mexer no comando da televisão.
Efeito: Witch, Winx, JimJam, Panda, Disney, Espias, Todos a bordo, Miúda Atómica e mais uns quinhentos e tal que ocupam a programação 24/24...

Cigarrette

Donne-moi une cigarette 
Je la garderai près de moi 
Je la fumerai peut-être
Bien avant que tu ne le croies
Je garderai cette cigarette 

Pour occuper mes dix doigts
Je la fumerai peut-être 

Quand j’aurais trop le mal de toi

Linda...
Da Mélanie Pain - Cigarrette

Qualquer dia ponho-a aqui. Ou talvez não. Mas vale a pena ouvir.

Mas vou...

- Vai à merda!
- Vou, mas vou contrariado, está bem?!

Made in China?

- Pai, o que quer dizer poupel?
- Púrpura, roxo, lilás.

Será que é chinesa? É que não parece nada...

Causa-efeito

- Pai, tinha vermelho a sair do nariz!
- Mas agora não tens nada...
- Pai, tenho a unha com uma pintinha vermelha.
- Ora aí está o fenómeno: causa-efeito.
- Hã? Paaaai!!

Parafusos

Refodo-me os miolos e mesmo assim não chego lá!
Irra que devo ser mesmo estúpido!
Ou então é dos parafusos. A menos.

Yuc

- Olha, filhota, aquela foi operada ao umbigo. Yuc.
- Yuc...
...
- Pai, o que é yuc?

Tendas

- Pai, o que te parece isto?
- Não sei.
- Pai, vá lá.
- Uma casa.
- Não.
- Um celeiro.
- Não.
- Então não sei.
- Pai, é assim tão difícil?! É uma tendaaaa!
- ...

Mmm Mmm Mmm Mmm

Hmmm Hmmm Hmmm Hmmm
Hmmm Hmmm Hmmm Hmmm

...

Alguém?

...

Não?!
Crash test dummies, pá!

Eléctrico desejo

Um eléctrico chamado desejo, imortalizado em película por Elia Kazan em 1951, a partir da peça teatral de Tennessee Williams.
Mas este é em Alcântara...

Acho melhor retomar a medicação...
Hmmm....

Luz e fumo

Em pensamentos...
Entre incensos e loucura na companhia da minha luz.

Dinossauros

Não sei porquê, mas acho que estou a piorar...
Começo a ver dinossauros também.

Jugular

Sangue das veias já não corre nem galopa, vagueia. Quais pulsões não existem mais, deixou o motor de as mandar. Trabalha a seco, sem escape. Alimenta-se de óxidos e férteis nadas.
Artérias vermelhas ao rubro incendeiam as avenidas. Circula-se nas duas direcções.
Ninguém em contra-mão.
Brotam esguichos jugulares, pulsantes, ritmados. Estendem-se à beira-estrada, sem passeio. Ficam.
Ensopam-se em si, de si, sem si.
E assobiam piretes.

Pôr-do-Sol


Aprendendo a ler

- Pai, cerveja escreve-se: M - I - N - I?

Morrendo

Sinto que morro ainda mais morto que morrendo.
Sinto que morro ainda mais perto que o já.
Sinto que morro mais e mais a cada hora.
Sinto-me morto.
Morto como quem já mais morto não é.

Voo

Bebo-me em álcool destilando a memória, apagando as certezas, esperando apenas.
O tempo corre pelos gargalos etílicos em golfadas frescas.
Basta-me de um minuto.
Sossego-me os eriçados artelhos em apoios de bancos sujos de pó e tempo.
Levaram-me de mim.
Deposito os restos em pendentes azuis cor do mar que trago sobre o pescoço.
Fixam-se no vazio, lá longe. Longe daqui, de tudo, do corpo.
Estão vazios, sem vida. Não brilham. Apenas se abrem e fecham em intervalos de fixação.
Nada vêem. Nada miram. Só abrem e fecham. Intervalam-se em memórias.
Já não respiro, suspiro.
Sinto saudades do psicadelismo enrolado em queimados archotes de bafos breves e repassados.
Eram negros ambientes. Putrefactórias existências.
Mas elevavam-nos daqui. Disto tudo.
Sinto-me voar... Ganhei asas e archotes.
Abandono-me de mim voando enquanto se mantém estendido, de olhar fixo, sem vida, esse corpo.
Estupefaciento-me a alma.
E voo...

Problemas do mundo

A minha cadela é sensível aos problemas do mundo.
Cada vez que ouve sirenes, junta-se em coro a ganir.

quarta-feira, julho 27

De preferência...

- Pai, posso mexer o teu café?
- Podes, mas eu quero tomá-lo hoje...
- Paaaai!!

Temperatura

- Pai, o puré está quente!
- Abufa-lhe.
- Qué'isso?
- Sopra.
- Paaaai!!

Voando

Sabem como se ganham 5 pontos na maçã do rosto?
Saltando de sofá em sofá, com sacos de plástico enfiados nos braços e gritando: Sou uma Winx, sou uma Winx...
Urgência.

Filme

- Pai, tira-me uma fotografia assim, agora assim, agora assim e assim e assim, agora assim, assim e assim.
- Filhota, mais vale fazermos um filme.
- Paaaai!!

Ser e parecer

Manhã. Ajeitando o nó da gravata.
- Ei, hoje pareces mesmo meu pai!

Nota: não esquecer da gravata para ser e, mais importante ainda, parecer Pai.

Simplesmente para partilhar

Há muito que não me lembrava disto...
Brilhante.

JABBERWOCKY de Lewis Carroll.

Ou, então, a versão traduzida - e sempre infiel ao original:


Jaguardarte
Augusto de Campos
Era briluz. As lesmolisas touvas
Roldavam e relviam nos gramilvos.
Estavam mimsicais as pintalouvas,
E os momirratos davam grilvos.
“Foge do Jaguadarte, o que não morre!
Garra que agarra, bocarra que urra!
Foge da ave Felfel, meu filho, e corre
Do frumioso Babassurra!”
Êle arrancou sua espada vorpal
E foi atrás do inimigo do Homundo.
Na árvora Tamtam êle afinal
Parou, um dia, sonilundo.
E enquanto estava em sussustada sesta,
Chegou o Jaguadarte, ôlho de fogo,
Sorrelfiflando através da floresta,
E borbulia um riso louco!
Um, dois! Um, dois! Sua espada mavorta
Vai-vem, vem-vai, para trás, para diante!
Cabeça fere, corta, e, fera morta,
Ei-lo que volta galunfante.
“Pois então tu mataste o Jaguadarte!
Vem aos meus braços, homenino meu!
Oh dia fremular! Bravooh! Bravarte!”
Êle se ria jubileu.
Era briluz. As lesmolisas touvas
Roldavam e relviam nos gramilvos.
Estavam mimsicais as pintalouvas,
E os momirratos davam grilvos.

Variações de tonalidade

um carro estacionado.
- Este carro é igual ao da vovó, só que mais limpo.
- Oh filhota, se a vovó te ouve...
- Quer dizer, não é mais limpo, é mais... vermelho.

Olhos que saltam

À mesa...
- Pai, tenho um boneco que, ao apertar-lhe o corpo, os olhos saltam.
- Se eu te apertar, os teus olhos também saltam? Deixa lá ver.
- Paaaaii!!

Sentido de humor

- Paaaai! Não tem piada!
Acho que o meu sentido de humor é muito distante do que é suposto para a minha filhota...

Tábelete - parte II

- Pááááá-aaai! A tábelete??
- Se não a comeste ontem, deve estar no mesmo sítio onde a deixaste...
- Paaaai!!

Doce texto

Simplesmente doce este texto sobre a saudade...
Em português do Brasil.

A dor que dói mais
Martha Medeiros

"Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o
tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, doem. Dói bater a cabeça na
quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim.
Mas o que mais dói é saudade.

Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da
infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais.
Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca
existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha
mais audácia e menos cabelos brancos. Doem essas saudades todas.

Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele,
do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência
consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas
sabiam-se lá. Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas
sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la,
mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma
saudade que ninguém sabe como deter.

Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no
inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se
ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta
com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango
de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a
entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se
ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele
continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando,
se ela continua lhe amando.

Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais
compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento,
não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como
vencer a dor de um silêncio que nada preenche.

Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se
ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é
nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer."

Seja lá quem for o autor...

"Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada" e "Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado:  pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil."
São frases atribuídas a Clarice Lipector.

O seguinte texto tem divergências em relação ao autor. Há quem diga que também é dela e há quem diga que é de Renato Dieckson.

Seja como for, é fabuloso...


Já escondi um AMOR com medo de perdê-lo, já perdi um AMOR por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade... Já tive medo do escuro, hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali".
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram... Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE!
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das ideias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:
- E daí? EU ADORO VOAR!

Coisas e coincidências

Sempre foi dos meus preferidos...

Te quiero solo (Ou No te quiero sino porque te quiero)
Pablo Neruda


Não te quero senão porque te quero
e de querer-te a não te querer eu quero
e de esperar-te quando não te espero
passa o meu coração de frio ao fogo.

Te quero só porque a ti eu te quero,
do ódio sem fim, e a odiando-te rogo,
e a medida de meu amor viajante
é não ver-te e amar-te como um cego.

Talvez consumirá a luz de janeiro,
seu raio cruel, meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego.

Nesta historia tão só eu me faleço
e morro de amor porque te quero, 
porque te quero, amor, o sangue e fogo.

Coisas bonitas

Ao ler este texto MARIA ESCREVINHADORA: MIRAGEM imaginei desamores, saudade, tristeza de quem larga...
Mas só o percebi ao ler este outro: MARIA ESCREVINHADORA: DIA DOS NAMORADOS
Bonito...  Triste mas bonito.

Dinossauro

7h30 da manhã. Mais coisa menos coisa.

- Filhota, fecha os olhos e tenta dormir mais um bocadinho.
- Mas pai, já tentei e só penso em coisas más. Ainda agora fechei e vi um dinossauro.
- OK, vamos por a pé...

segunda-feira, julho 25

Pôr-do-Sol

E o que dizemos àquele pôr-do-Sol que nos aguarda?

Tablet pc

- Pai, posso brincar com a tua tabeléte?
- Sim, mas não a trinques que não é de chocolate.
- paaai!
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Esoterismo

Para quem acredita, um texto de reencontro...

TEMPLO DE AFRODITE: RITUAL DE AFRODITE PARA AMORES AFASTADOS

Coisas que vi por aí

Algumas frases interessantes (ou não) que descobri por aí...

  • O amor nunca será uma estrada de mão única.
  • Faça o que pode, com o que tem, onde estiver.
  • Não somos responsáveis apenas pelo que fazemos, mas, também, pelo que deixamos de fazer.
  • Cada um vive na essência do seu ser e, juntos, formam uma sinfonia maravilhosa.
  • A felicidade não é uma ausência de problemas, mas a capacidade de lidar com eles.
  • Quando a saudade não cabe mais no peito, transborda pelos olhos.
  • Amar é tudo aquilo que dura o tempo exacto para ser inesquecível.
  • O Homem não morre quando deixa de viver, mas quando deixa de amar.
  • Daqui a vinte anos estará mais desapontado pelas coisas que não fez do que pelas que fez.
  • Ousar é a melhor maneira de vencer.
  • A mais bela ponte construída no planeta é a distância entre dois olhares.
  • O amor é a única solução para os problemas da vida.
  • Todos vivemos devorados pela necessidade de sermos amados, mas temos medo da insegurança de amar.
  • Valorize, acima de tudo, o amor que recebe. Ele continuará a existir mesmo depois do seu ouro e da sua saúde terem acabado.
  • Nunca desista de nada só por ser difícil; afinal, dizem que aquilo que é difícil de conseguir também é difícil de perder.
  • As mais lindas frases de amor são ditas no silêncio de um olhar.
  • Em geral, chamamos destino às asneiras que cometemos.
  • Amar é sentir você bem perto, mesmo estando longe.
  • Dor de amor que não passa é porque o amor vale a pena.
  • No fundo de cada alma há tesouros escondidos que somente o amor permite descobrir.
  • Às vezes é preciso parar e olhar para longe, para podermos ver o que está perto de nós.
  • Solidão não é sentir-se só. É estar entre mil pessoas e sentir a falta de apenas uma.
  • A vida tem quatro sentidos: Amar, sofrer, lutar e vencer. Quem ama,
    sofre; quem sofre, luta; quem luta, vence. Por isso, ame muito, sofra
    pouco, lute bastante e vença sempre.
  • O dia mais importante não é quando conhecemos as pessoas, mas o momento em que elas passam a existir dentro de nós.
  • Covarde não é aquele que chora por amor e sim o que não ama por medo de chorar.
  • O medo faz com que percamos muitas coisas, até quem amamos.
  • As coisas têm tudo para darem certo, mas é preciso batalhar por elas.
  • Não tenha medo de dar um grande passo. É impossível atravessar um abismo com dois saltos pequenos.
  • Temer o amor é temer a vida e os que temem a vida já estão meio mortos.
  • Não há nada mais terrível que passar a vida desejando o impossível e se lamentar por não ter feito o possível.
  • Confie no seu coração. Nunca deixe de ouvi-lo. Ele é o oráculo que costuma predizer o mais importante.
  • Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinhos, outras há que sorriem por saber que os espinhos têm rosas.
  • O medo é o pior dos conselheiros!
  • O coração tem razões que a própria razão desconhece.
  • A vida só pode ser compreendida olhando-se para trás; mas só pode ser vivida olhando-se para a frente.
  • Insista, persista, mas nunca desista, pois um dia realizará seus sonhos.
  • O verdadeiro amor é exigente, implacável e, ao mesmo tempo, infinitamente delicado.
  • Se algum dia tiver que escolher entre o mundo e o Amor...Lembre-se: se escolher o mundo ficará sem Amor, mas se escolher o Amor, com Ele conquistará o mundo.
  • A diferença entre o possível e o impossível está na vontade humana.


Por vezes, é bem verdade... Não damos o devido valor ao que temos...

Alguém?

Alguém te olhou tocou beijou mirou amou agarrou sentiu apertou possuiu abraçou beijou e beijou continuou e não parou assim?

Paz

Juntos amamos corpo a corpo
travamos batalhas furiosas de calor
conquistamos lugares por descobrir
desbravamos receios entre os lençóis
lutamos na pele o nosso encanto
batalhamos de frente por todo o lado
sentimos a dor das nossas guerras
e no fim a paz nos acalmava
mas não ficava muito tempo
que mais bravos penetravam
em tão densos olivais
já sem forças, já sem ar que respirar
na conquista desse monte
com investidas constantes
até à próxima breve paz.

Para lá de tudo

vejo-te o corpo para lá do corpo
sinto-te a pele para lá da pele
beijo-te o sal para lá do beijo
agarro-te em mim para lá de mim
e olho-te a alma como sempre, como tudo

Balançar

Vem bem fundo, meu bem
Vem preencher o meu abrigo
Vem, meu bem, vem
Deixa-me olhar-te no escuro.
Vem depressa sem parar
mas não quero que termine
não agora, ainda não
que é sinal que já nos foi.
Vem depressa mas com calma
Vem, meu bem, vem!
Agora pára, que mudamos
mas vem bem fundo como dantes.
Dá-me o sorriso que é só meu
esse teu jeito de homem-criança
olha-me fundo enquanto vens
mas deixa-me ver-te só meu
que agora és tu quem repousa
e por cima balanço eu.

Entrega

Espera-me por trás
depois de estar em baixo
que já demos beijinhos
e a olhar nos entregamos.

Deserto de quem parte, ficando

Caem tordos mortos aos magotes
que desta vida se levaram
já não batem mais as suas asas
nem ao vento nem cortejo
e há quem morra sem partir
deserto por dentro e seco de tudo
já sem asas nem penas nem alma.

domingo, julho 24

Fazer amor

Hoje faço amor contigo cá de dentro
amo-te de olhos fechados
possuo-te como sempre, com paixão
saboreio-te cada pedacinho
percorro-te a pele com a ponta dos meus dedos
e amo-te de olhos abertos para dentro.

Mafalda Veiga

E não apetece largar mais esta música... Hmmm...
Fabulosa a letra.
E a música!
E tão... tão...
Hmmm....


Mafalda Veiga
Largar Mais

Meu amor há tempo
Se tu quiseres
Sem assombro sem medo, se te atreveres a ser
Completamente tu
Venha o que vier
Agarra bem o mundo
Acredita o tempo, é sempre agora
Não há mais rodeios, desenganos ou demoras
Vê o teu sentido és tu
Com tudo o que trouxeres
Em ti, ainda
Eu sei que às vezes muito perto desfoca
E querer o mundo inteiro no peito, sufoca
Mas eu quero-te aqui
Eu quero-te em mim
Meu amor há tempo
Se tu quiseres
Sem assombro sem medo, se te atreveres a ser
Completamente tu
Venha o que vier
Agarra bem o mundo
Acredita o tempo, é sempre agora
Não há mais rodeios, desenganos ou demoras
Vê o teu sentido és tu
Com tudo o que trouxeres
Em ti, ainda
Eu sei que às vezes muito perto, desfoca
E querer o mundo inteiro no peito, sufoca
Mas eu quero-te aqui
Eu quero-te em mim
Eu sei que ao longe há sombras, ausentes
Mas eu vejo-te em zoom e o meu plano é diferente
Eu sinto a tua falta
Não te quero largar mais

Prazeres

Quantos prazeres ainda nos faltam
que esquecemos a cadeira
a entrada de casa e a mesa
os provadores a receio
o fim-de-semana sem mais mundo
as meias e ligas com paixão
a semana cheia de emoção
e os beijinhos ao mesmo tempo?

Dançar

Não imaginas o quanto me apetecia dançar-te aqui, ao som de qualquer coisa que nos apertasse juntinhos...

Ainda a música...

E continuo a balançar a cabeça de olhos virados para dentro, saboreando psicadelicamente a música: The Golden Age.
Parece ter o poder de nos transportar para fora de tudo...
Fecham-se os olhos, balança-se a cabeça... Hmmmm....
Delicioso.

Ais

Ai, amor, quantos ais ainda devemos
quantos ainda detemos
em créditos de ais por usar
em ais e ais por suspirar
em ais de prazer de mais ais
sabendo como são bons esses ais.
Ai, amor, quantos ais!
Quantos ainda devemos
quantos ainda detemos
quantos e quantos merecemos
gritar ais como ais
ou sussurrá-los apenas
como ais no nosso corpo
ou como ais do nosso encanto.

Fórmula 1

É complicado segurar as lágrimas ao ver o filme sobre o Senna...

Lua que espreitas

Trinco-te aí, onde me pedes
não na alma, que a envolvo
mas no peito que o devoro
em toques e apertões
por vezes fortes, outros suaves.
Passeio-me a língua na tua língua
enquanto me sugas os lábios com fervor.
Fechamos os olhos e as mãos correm,
percorrem cada canto destes retalhos
e encontram-se a intervalos
enquanto vagueiam não perdidas.
Descobrem prazeres não divulgados
cantos ainda inexplorados
espaços únicos de perfeito encaixe.
A língua desliza sobre a textura
acompanhada de um sopro fresco
que te arrepia e excita
e te contorce e revira.
À medida que vai descendo.
estaciona-se no ventre
que do desejo se acende
e se abre de prazer
pedindo que não sossegue.
Nesta húmida madrugada
com alvorada expectante
caminham-se trilhos belos
e a Lua espreita contente.

Para reflectir

É assim tão importante tudo o resto - numa vida inteira - que obrigue ao sofrimento, agora?
Vale a pena desperdiçarem-se vidas?
E tudo porquê?
É assim tão inválida a nossa vida para a deixarmos passar ao lado?
Não seria melhor agarrá-la pelos cornos, de frente, com os tomates no sítio e dizer: Eu consigo!
Pela nossa vida, deveríamos todos ser capazes de dizer, pelo menos uma vez: Eu quero! EU! EU!!

Meu bem

Ai, meu bem,
não te prendas nesses ais
não nesses de dor e distância
agarra-te, meu bem,
aos ais do teu quando é
e me chamas assim a ti
para que o meu venha com o teu
e assim seja o nosso.

Music time

Ouvindo em loop e abanando a cabeça de olhos fechados e voando ao som dos The Asteroids Galaxy com The Golden Age:

Sing it out loud gonna get back honey

Sing it out loud get away with me

Sing it out loud on a trip back honey

Sing it out loud and let yourself free



Psicadélicamente delicioso... Hmmm...

Beijinhos

Saboreio-te o sexo com frutas frescas
de sabores exóticos e macios.
Provo-te com natas e morangos
champagne e chocolate negro
a borbulhar sedoso em minha língua.
Melancio-te as coxas com frescura
e papaio-te as pernas com prazer
num cesto de verga e sabores quentes
ávidos de alucinante cor e ritmo
enquanto a ponta da minha língua em ti repousa
e descobre-te em sumo doce de um suspiro.

sábado, julho 23

Voando

Passo-te a língua sobre a pele
como quem sopra ao de leve
enquanto te sinto voar
na brisa do meu sopro fresco
e vejo-te libertar a alma
à medida que o sopro aquece
que te incendeia as coxas
e estremecem-te os joelhos
e vais fechando os olhos em gemidos
e agarrando os meus cabelos
e apertando, apertando-me junto a ti
e voando, voando...

Ainda?

Vejo-te o rosto quando olho para dentro
sinto-te o cheiro da tua pele
saboreio-te ainda o beijo da tua boca
sinto-te o peito nas minhas mãos
e tu?
vês-me ainda no sofá?
sentes-me o respirar no teu ventre?
sentes-me ainda a sentir-te?
respiras-me ainda em ti?
e vês tu o que fomos?
Haverá um nós igual a nós?
Sabemos que não...
Não há nós como nós!

E agora?

E agora, que fazes com tudo isso?
Que faço eu com tudo isto?
Esquecemos que existe?
Deita-se fora como se nada fosse?

Ao vento

Seremos nunca mais inacabados
de uma vida cheia que sonhamos
de um sonho feito de algodão doce
e rosas espetadas em ramos frescos
que voou no vento ao seu sabor
sem deixar espaço para viver.
E foi porque assim se quis
não por assim ter de ser.
Mas foi.
Voou ao vento.
Inacabado.

Jamais

Já não será mais o meu com o teu
não como era, não como dantes.
Será o meu sem o teu, sempre meu.
Noutro teu, no mesmo meu.
Nem outro seu fará o teu como o meu.
Nem outro olhar se perderá da mesma forma
nem outras mãos voarão na mesma asa.
Já não será mais o teu como foi
como dantes, como era.
Perdido entre o ser que era antes
e o que logo vinha de seguida.
Não haverá mais toques e beijos e boca
nem abraços longos de intervalo.
Não será mais de impulso entre o chuveiro
nem enroscados e apertados no sofá.
Não mais peito no peito
nem de almofada sequer.
Já não será mais o teu com o meu
nem muitos teus, só os teus
sem olhar o meu 
que depois também era com o teu.
Era o nosso.
Com os jeitos e nomes que lhes demos
às nossas pequenas descobertas
que para nós tinham nomes diferentes
muito distantes do resto, do mundo.
Já nada será igual, como dantes.
Nem beijinhos, nem os nossos
fossem apenas um ou então muitos.
Outros serão,
outros beijinhos, outros nossos,
talvez não outro e mais outro teu e depois outro,
mas nada será igual, como dantes, como foi.

sexta-feira, julho 22

Ora!

Um pirete para as dificuldades da vida!

Dicionário

No outro dia descobri que uma das coisas mais vistas e gesticuladas no mundo inteiro tem nome.
E vem no dicionário e tudo!
Pirete!
Ah pois é!

Rotina

- Já fizeste cocó hoje?
- Que raio de pergunta!!
- Era só para saber...
- Porquê?
- Curiosidade. Podias ter feito. Eu ainda não fiz.

Afirmativo

- Parvo?! E isso faz de ti o quê?

Pertença

Esse teu que é meu
peito macio e não vazio
que ao par se vai fugindo
não é mais teu nem te pertence
é meu, todo meu, a cada instante.

Morrer de Prazer

Deixa o teu ser depois de ser
como só eu te sei fazer.
Deixa até mais não o teu ser
até quase morreres de prazer!
E depois, estende-te em sossego...
Encosta-te, procura o meu afago
que amanhã recomeçamos.

Ser o nosso

Deixa ser o meu com o teu
porque só o teu sem o meu
não tem par que te acompanhe
nem tem o meu que ser sozinho.

Apalpinhos

Apalpinho-te as pernas
entre as curvas e a maciez
Apalpinho-te o peito
com toques suaves de cada vez
Enquanto te apalpo a alma e o ser
sem ser de jeitos e toques amassados
mas apalpo com prazer
sem deixar os apalpinhos.

Des-ver

Imaginei-te uma última vez
mas já não eras tu quem eu vi.
Não te reconheci entre as lembranças
entre os dias e as noites
e os instantes que fotografamos na alma.
Vi-te mas já não eras tu quem eu via
eras diferente
parecias tu não sendo tu.
E ao ver-te, assim, perdi-te em mim
desiludi-me de ti.
Desapaixonei-me dessa imagem de ti.
Des-vi-te de mim.

Trabalhos manuais

Agrafo-te os lábios aos meus
como pedaços soltos de cartolina
e pinto-te a boca com guaches
pincelados com a ponta da minha língua.

Youtube

Domingo.
10h30 aproximadamente.
- Ainda o dia agora começou e o pai já está com as cantorias.

quinta-feira, julho 21

Sede de mim

Tenho sede de mim
sede do eu, meu.
Descarto-me entre lençóis vazios
do descartável da vida
enquanto adormeço à espera de mim.

Malhas

Hoje sabes que sim
que as malhas das tuas meias são muito mais que apenas malhas nas tuas meias
que os rasgões no teu peito são muito mais que apenas rasgões do teu peito
Hoje sabes que sim
que as horas que passam doem cada segundo que corre
que cada manhã traz cada sopro de infinito
E espero que um dia, possas olhar e dizer, pai, hoje sabes que sim.

domingo, julho 17

Energia

A minha filha não tem bichos-carpinteiros.
Ela É, toda ela, composta de bichos-carpinteiros!
E canta no banho.

Ninguém

NINGUÉM MERECE AS NOSSAS LÁGRIMAS.
Muito menos tu!

Desistir

Desisti.
Morro de mim e de ti.
Mataste o meu medo com ainda mais medo e sofrimento.
Já não sou mais de ti.
Nada mais digo do que foi ou fui.
Nada mais importa quando se joga fora.
Hoje sei o que fui.
Já não há lágrimas que se mereçam.
Não pelo que fui.
Isso não.

Fantasma

Sinto o teu fantasma em cada canto
vejo a tua sombra no sofá
de mão estendida sobre a minha
e pés descalços sobre a mesa
Vejo o teu fantasma a vaguear
entre o som da sala e o corredor
acendem-se luzes com os teus passos
e as portas parecem abrir
Sinto o teu fantasma quando durmo
lado a lado sobre o meu
os abraços que dormem comigo
e os beijos que me dás
Vejo o teu fantasma sobre a mesa
nas nossas comidas de gente pequena
entre risadas e toques fugazes
e olhares doces entretanto
Sinto o teu fantasma no meu peito
de quando adormeces enroscada
fechas os olhos e tudo pára
e adormecemos de mão dada
Sinto o teu fantasma no chuveiro
da água que acompanha o nosso canto
enroscados como nunca
de forma e jeito sem igual
Vejo o teu fantasma em cada esquina
do tempo que vivemos não passamos
do tempo que tivemos e foi roubado
da vida que quis e tu mataste
Vejo o teu fantasma em cada cheiro
no passar das escadas rumo ao quarto
ao nosso que de lá corremos mundos
nos intervalos de um abraço
Sinto o teu fantasma em cada som
que faz lembrar este vazio
das conversas loucas que deitamos
junto a nós na nossa cama
Vejo o teu fantasma quando me deito
Vejo o teu fantasma ao acordar
Sinto-te em mim como real
e tu já nem és sequer mortal.

sábado, julho 16

Bolas

Eu já não sou lá muito bom, mas ainda há quem consiga ser bem pior. Muita gente maluca tem este mundo...

Estupro

Sinto-me violado da vida.
Mais um momento. Mais um nada.
Mastigado de menta e hortelã, deitado sem papel logo a seguir.
Depois, tudo acabou.

Putos

Putos de vidas maus que magoam sem saber que destroem quando tudo que recebem é novo sem igual sem nada de nada do nada do antes com tudo de novo e belo adiante!
Putos que não sabem dar valor.
Garotos adultos que da vida destroem, adultos miúdos que do tudo cospem ao lixo.
Cresçam!
A vida não é minha nem vossa.
É uma!

Merda

- E?
- E?!? E medos e medos mas ama mas tem medos e ama e tem medo e merda p'ra isto que não entendo!
- Então...se agora não consegues para quê tentares entender? Será que não tens as respostas dentro de ti?
- Sim...
- Um castelo que só tu construíste!

Fala-me

- Ou é verdadeira e é simplesmente desequilibrada, ou está a manipular-te! Uma das duas é e nenhuma é boa.
- E eu amei.

Não

Amor?
Definitivamente não fui.

Pois não

Desculpa se te vou magoar
mas ela não deve gostar assim tanto de ti.

Hoje

Hoje não estou só. Tenho-me a mim, sozinho de mim.
Hoje não me sinto seco. Sinto-me cheio de nadas, repleto de vazios.
Hoje não estou cá nem lá. Estou aqui, no meio do nada.
Hoje, só hoje, sinto que não sinto. Escapei-me de mim e de ti.
Hoje percebo o mal que me fazias. Corroías, destruías o meu eu.
Hoje sei. Hoje percebo o que te fui.
Hoje vejo que ontem fui o que não quero ser amanhã.
Não hoje.

Chega

Fui-te nada que nada a mim fizeste enquanto tudo de mim havias em blocos e ondas para sempre.
Fui-te um momento que de momentos fazias.
Fui um nada de muitos nadas que tudos te dava.
Foste a mágoa que feriu de morte a minha vontade.
Dei-te o mundo, deste-me nada.
Pisado, maltratado, quebrado de mim.
Corri mundo, fui atrás, insisti e implorei.
Fui por mim, apenas de mim.
E hoje apenas chega.

quinta-feira, julho 14

Dá que pensar, não dá?


Partir para ficar - Linda Martini

Mãe, eu quero ficar sozinho.
Mãe, não quero pensar mais.
Mãe, eu quero morrer mãe.
Eu quero desnascer, ir-me embora, sem sequer ter que me ir embora.
Mãe, por favor, tudo menos a casa em vez de mim.
Outro maldito que não sou senão este tempo que decorre entre fugir de me encontrar e de me encontrar fugindo, de quê mãe?
Diz, são coisas que se me perguntem? Não pode haver razão para tanto sofrimento.
E se inventássemos o mar de volta, e se inventássemos partir, para regressar?
Partir e aí nessa viagem ressuscitar da morte ás arrecuas que me deste.
Partida para ganhar, partida de acordar, abrir os olhos, numa ânsia colectiva de tudo fecundar, terra, mar, mãe...
Lembrar como o mar nos ensinava a sonhar alto, lembrar nota a nota o canto das sereias... Lembrar cada lágrima, cada abraço, cada morte, cada traição, partir aqui com a ciência toda do passado, partir, aqui, para ficar...

Praguejar!!!!!

Merdaçoasdopiopsfdi mopiopºteuiº8vtmsimdgoçsmºçdiovgmsºptd8odmpo+pas,o~+paso~,+pasfo,c+psim fsdiopfasud90473t90qvtm9078qp0qp0qp0qp0qp0qp0qp0qp0qp0qp0qp0qp0qp0çqv83mv9'awç7wepç0+'0,8x458 m'048rui9º vtm8+gfsr9pº8 c,'º04 tif490!

Dia triste

Hoje é um dia triste...
É o dia em que te esperava, deitado no sofá, adormecido.
Hoje é um dia triste...
É dia de não ser dia.
É noite de não ter Lua.
É noite de não ter amanhã.
Hoje, é o começo de dias tristes.

Gemidos

Amava o teu suor entre as coxas quando gemias do meu prazer do teu prazer do nosso quando não parava e me pedias e não parava e continuava e te fazia ofegante e gritavas e gemias e contorcias-te e empurravas e eu continuava não parava e tu dizias que morrias e eu apenas gostava e amava e não parava.

Imaginando

Imaginava-nos a dançar ao som da Veiga
entre copos de vinho tinto e pés descalços
apenas nós, no calor da sala
quase sem roupa, pele com pele.
Imaginava-nos a rir
enquanto brindamos a nós
entre sacudidelas de anca
e beijos de lábio fugazes.
Imaginava-nos a dormir abraçadinhos
entre cruzar de pernas e braços
de cadeirinha e lado a lado
sem horas nem vontade de acordar.
Imaginava-nos voar alto
num céu de infinitas estrelas
de mão dada lado a lado
com o sopro das nuvens nos cabelos.
Imaginava-nos imaginar
tanta coisa só nós dois
numa vontade de querer e sonhar
em busca do mais belo brilhar.

Choro

Sinto-me sozinho da alma
Esvaziado do Ser
Defunto do dia
Esquecido de mim
Estou só. Apagado.
Desligado do eu
Descalço da vida
desnudado de mim.
E choro para dentro.

Fazendo

Porque é que todos conseguem e nós nem sequer tentamos?

Conto de fadas

Era uma vez... Não. Vou começar de novo.
Havia a segunda vez, num reino muito distante, uma linda princesa e um belo príncipe...
Espera lá... Os contos de fadas não existem!

Pedaços

Chegaste aos pedaços. Vieste perdida.
Eras fragmentos de coisas, de dores, de memórias.
Chegaste em mil bocados de nadas. De tudo.
Trazias sacos de mágoas. Malas de dor. Capas de medos
Eras o pânico encarnado.
Toda tu transpiravas receios.
Chegaste em prantos secos, sem esperança.
Teus olhos frágeis na lembrança.
As mãos pendentes, sem carinhos.
Os beijos secos, já sem vida.
Cheguei-te em vida, com ternura.
Entrei em teus receios escondidos.
Beijei-te os seios já com vida.
Abracei-te a alma renascida.
Cheguei-te onde nem sabias que existia.
Abriste os olhos lá em cima.
Miraste-me como quem já se entrega.
Olhaste o Sol com outro brilho.
Beijinhos demos dessa maneira.
Teu peito amei à tua beira.
Prazeres conheceste de seguida.
Mesmo quando me paravas.
Mesmo quando não o fazia.
Foste tu já mais inteira.
Com medos de nadas infundados.
E eu apenas amei.

Espelho

Foi o espelho da minha alma que me traiu
Foi o espírito do mundo que baniu
Em teu reflexo escuro à luz das velas
Ocultando desejos e vontades asquerosas
Em rebuscados episódios vazios de ter
o teu encanto que aos poucos mostrava não ser

Sonho

- Alguma vez amaste?
- Eu? Não... E tu?
- Já. Tu tens sorte por nunca teres amado.
- Sorte? Então e sentir o Sol nascer com outra cor, sentir um beijo fervilhar, sentir a saudade apertar com toda a força, não conter o sorriso quando nos vemos, abraçar como quem não quer largar, sentir cada pedacinho como se fosse teu, borboletas na barriga com um simples tocar, não é maravilhoso poder sentir isto tudo quando amamos?
- É. Continua a sonhar, que assim não te magoam.

quarta-feira, julho 13

Há músicas do catano

"Que Hiciste" - Jennifer Lopez


Ayer los dos soñábamos con un mundo perfecto
Ayer a nuestros labios les sobraban las palabras
Porque en los ojos nos espiábamos en el alma
Y la verdad no vacilaba a tu mirada

Ayer nos prometimos conquistar el mundo entero
Ayer tu me juraste que este amor seria eterno
Porque una vez equivocarse es suficiente
Para aprender lo que es amar sinceramente

[REFRÁN]

Que hiciste
Hoy destruiste con tu orgullo la esperanza
Hoy empañaste con tu furia mi mirada
Borraste toda nuestra historia con tu rabia
Y confundiste tanto amor que te entregaba
Con ún permiso para así romperme el alma

Que hiciste
Nos obligaste a destruir las madrugadas
Y nuestras noches las borraron tus palabras
Mis ilusiones acabaron con tus farsas
Se te olvidó que era el amor lo que importaba
Y con tus manos derrumbaste nuestra casa
Mañana que amanezca un dia nuevo em mi universo
Mañana no veré tu nombre escrito entre mis versos
No escucharé palabras de arrepentimiento
Ignoraré sin pena tu remordimiento

Mañana olvidaré que ayer yo fui tu fiel amante
Mañana ni siquiera habrá razones para odiarte
Yo borraré todos tus sueños de mis sueños
Que el viento arrastre para siempre tus recuerdos

[REFRÁN]


Que hiciste
Hoy destruiste con tu orgullo la esperanza
Hoy empañaste con tu furia mi mirada
Borraste toda nuestra historia con tu rabia
Y confundiste tanto amor que te entregaba
Con ún permiso para así romperme el alma

Que hiciste
Nos obligaste a destruir las madrugadas
Y nuestras noches las borraron tus palabras
Mis ilusiones acabaron con tus farsas
Se te olvidó que era el amor lo que importaba
Y con tus manos derrumbaste nuestra casa
Y confundiste tanto amor que te entregaba
Con ún permiso para así romperme el alma

terça-feira, julho 12

Falácia

Falsos beijos em falos desfraldados,
mentirosos apertos de braço em peito aberto,
simuladas palavras que de ventos vieram
em hipócritas ternuras de coração seco e preso.
Falsos risos,
falsas graças,
enganadas músicas dançadas,
em negras malhas de ilusão solitária,
ao sabor do tempo que descontava
a desilusão que breve não tardava.
Eram secas as distâncias,
eram estéreis as partidas,
era assim tudo ou então nada.
Tudo assim, ou então nada!
Falsas promessas de amor contente,
ilusórias viagens em futuros à frente,
Foram dias, foram estórias, descontadas ao tempo
que o tempo sabia que tempo restava.
Ilusões.
Desilusões.
Mentiras e omissões.
Foram tristes enganos a felizes amanhos.
Eram ocultas vontades despidas de encanto,
enquanto iam e vinham no logrado bailar.
Foram negros enfeites,
escuras vontades,
omissos desígnios
em propósitos de malvadez.
Foram tudo não sendo nada.
Levaram tudo e restou nada.
Apenas o sabor amargo da injusta falácia.


"Que formosa aparência tem a falsidade."
William Shakespeare

segunda-feira, julho 11

Não ser

Foste a sombra na minha luz.
A desilusão da minha ilusão.
Foste o beliscar do meu sonho.
A artilheira que fuzilou.
Mataste-me mas infelizmente não morri.
Que resta deste trilho?
Fui boneco, bailarino dos teus encantos, marioneta dos teus cordões.
Agora estou gasto, jogado ao lixo.
As calças dançam-me largas, as faces secas de tristeza. Já não há brilho nem encanto.
Já nem sei que sou, quanto mais quem.
Só queria não ser.
Não sentir.
Anestesiar-me fora de mim.
Não ter abraços na memória, beijos nos meus lábios, mãos nas minhas mãos.
Não queria ter sonhos, princesas e castelos, estrelas e borboletas na barriga.
Queria estar dormente.
Dormente de mim e de ti.
Não ser. Desaparecer.
Levar comigo tudo o que fui e não fui.
Tudo o que sonhei e imaginei.
Tudo o que dei, tudo o que vivi.
Então, assim, havia de enterrar bem fundo lá no horizonte.
E do nada, se fazia nada.
Para que não voltasse a doer daqui a pouco.

quarta-feira, julho 6

Vómito

Liquidificas-me a alma com tuas garras, sujas, imundas, de vinil.
Destilas bafos de mau hálito enquanto suspiras, ofegante.
Perguntas-me as horas.
Brotas asco pelas narinas porque não te respondo.
Enoja-me!
Vomito-me nojo pelos globos que te miram.
Não consigo desviar os olhos sem que me contorça pela tripa.
Sinto as narinas morrerem, defuntas de repulsa pestilenta.
Sai-me o meio-dia pelas goelas, ao sabor da bílis, enquanto regurgito.

Fogueira

Centelhas-te descalço, queimando as solas, de canudos em pontas e brasa febril.
Sentas-te à fogueira?
Recordas velhas estórias do passado...

terça-feira, julho 5

Cansado

Estou cansado e farto de tudo!
Não é justo.
Não tenho mais forças...

Se escrevermos um título suficientemente grande,

não precisamos de escrever muito no corpo.

Imprescindível

Isto é fabuloso, não é?

Chega um momento em sua vida, que você sabe:

Quem é imprescindível para você,

quem nunca foi,

quem não é mais,

quem será sempre!

Charles Chaplin


Realmente, na vida, vamos vivendo por etapas. Vamos descolando de cenários. Vamos fabricando novas cenas.
Nesta única que temos, vamos vivendo, morrendo, amando e, acima de tudo, libertando...

Trilhos

Vidas separadas
de amores desviados
com rumos ao calhas
que de nada se fazem.
Desligamos do outro
enquanto o tempo se passa
e olhamos para o lado
como se nada se fosse.
Vidas vividas
de lados opostos
em camas rasgadas
de leitos dispersos.
Acabamos aos poucos
em nadas vividos
com nada de muito
e muito de nadas.
Fingimos que vemos
mas nada despimos
com medos dos tempos
rasgados nos trilhos.
Não damos ao tempo
o tempo que pede
nem damos a nós
a chance de ser.

Prostitutos

Prostitutos de nós, em nós como Baudelaire dizia, seremos em vida e no amor.

Prostitutos em conjunto, sãos e dóceis em harmonia, talvez.

O problema é quando um é o prostituto e o outro recebe as avenças. Aí, nada é amor. É terror.


"Que é o amor?

A necessidade de sair de si.

O homem é um animal adorador

Adorar é sacrificar-se e prostituir-se

Assim, todo amor é prostituição."

Charles Baudelaire



Sabem que mais?

Estou cansado e farto e cheio e basta!!

Palermas

Palermas que são incapazes de por as coisas a funcionar!
Depois, é tudo uma grande tristeza...

Defuntos de nós

Rasgas-me em cordões secos de couro.
Atravessas-me a alma com bordões ensanguentados de nojo.
Não percebes já que parti?
Não se mata mais o que já morreu.
Defuntos de nós, já não somos.
Fomos.

Fui-te

Fui-te sendo enquanto pude.
Fui-te pedindo o teu olhar.
Fui abrindo o meu ser, dando-te o meu ar.
Fui-te pedindo atenção. Que notasses nos detalhes.
Fui-te sendo tudo, não sendo nada.

O texto

Vou-te escrever-me. E vou escrever-te-me porque este texto não é para ti. Ou melhor, é mas não é. É para ti, não sendo. Não é para que o leias. É apenas para eu poder escrever-te-me.
Comecei por afirmar que não te era, que não o fazia para que o lesses. De alguma forma teria de começar. Foi desta.
O resto do texto, já tu sabes. Já o conheces. Foste lendo ao longo dos tempos. Algumas passagens com mais importância e interesse, outras menos. Mas já o tens. Já tens tudo de mim. O que sou e não sou. O que fui. O que dói e destrói. O que magoa. O que fere de morte. O que despedaça e corrói.
Não é preciso escreve-lo.
Não mais.

Areia

Fujo-me por entre os teus dedos, como a areia da praia.
De mão aberta, deixas escapar-me de ti.
Caio dos dedos com a cadência da ampulheta que desconta o tempo.
Miras a mão que não fecha e não aconchegas.
A diferença, é que neste caso o areal é imenso.
Fora da hermética cápsula perde-se na imensidão, para sempre.
Ao ergueres outro punhado de areia, já muito pouco de mim lá estará.
Até já nada restar.
Apenas areia do mar.

segunda-feira, julho 4

Diferenças

Parece um dia exactamente igual aos outros.
O mesmo Sol.
A mesma luz.
O mesmo trajecto.
A mesma rotina.
Mas não é.
O ar que respiramos é outro.

Sinto

Sinto que sinto que sentindo me sinto.
Assim, sentindo-me, sinto-me sentindo.
Ou antes, gosto de ti.

Tempo do tempo

Gostava que o passado fosse passado, ou fossemos sempre nós, de nós.
Gostava que fossemos o tempo, só tempo, sem os dias.
Gostava que nada houvesse além do hoje.
Gostava que hoje fosse simplesmente o começo.
Gostava de ser-te assim em mim, em nós, como só nós podemos ser.

sexta-feira, julho 1

Atenção

Chegaste agora ao Blogue?
Então ainda tens as 178 mensagens de Junho para ler...

Boa sorte.

Este blogue

não é meu!

Amanhã

Não quero adormecer hoje porque assim não acordo sem ti amanhã.

Procurando

A minha língua procura o teu sabor
o meu olho procura o teu jeito
as minhas mãos repousam no teu peito
o meu corpo envolve-se no teu calor.
E aí somos os dois, um.

Das mais puras

- Óbvio! Se deu na T.V. é porque é verdade!

Sensível

- Sou sensível, sabes onde?
- Onde?
- Na ponta dos teus dedos.

La petite-mort

Pincelava-te o corpo com o meu beijo. Ao de leve, suave.
Percorria-te o peito com o olhar.
Deixava deslizar, lentamente, a ponta dos meus dedos.
A pele que estendias húmida, ardente, indefesa, arrepiava-se a cada toque, a cada brisa, a cada beijo.
Sentias suavemente as carícias dos meus lábios em teu manto. Percorriam cada espaço descoberto.
Lentamente, sentias o corpo acendendo-se. Começavam os suores, os gemidos, os olhares furtivos. O corpo começava-se-te a contorcer, sem controlo, sem regra, sem caminho.
À medida que ias sentindo a pele na pele, o som com som, o ritmo com movimento, ias perdendo o sentido, ias deixando-te fugir. Partias.
As coxas apertavam-se-te em conjunto, sufocavas-me as mãos, não permitias que saísse.
A força do teu sufoco deixava antecipar a rápida chegada.
«Isso... Assim... Aí...»
Apertavas-me as mãos, como quem não permitia que partisse. Agora não era tempo de voltar atrás.
Deixavas-te chegar com a força de um suspiro.

Lume

Os passos aceleravam pesados em direcção ao grande portão de ferro fundido da propriedade. Eram dois enormes maciços pintados de oxidação verde que limitavam a entrada. Ladeavam-nos dois enormes muros de pedra que se perdiam de vista, para a direita e para a esquerda.
Enquanto procurava a campainha, apercebeu-se que alguém se aproximava, vindo da casa grande, ao fundo. Era uma mulher.
Trazia vestido um vestido justo, vermelho, que deixava perceber os contornos do seu corpo. Os saltos altos torneavam-lhe as pernas que se deixavam ver por baixo do joelho.
- Bom dia - perguntou ela.
- Bom dia.
- Tem lume? - ao mesmo tempo que batia o cigarro antes de o colocar nos lábios encarnados de batom.
- Tenho. - aproximando o isqueiro com as duas mãos em concha e de chama acesa. - Aqui tem.
Acendeu o cigarro, mirou-o por uns instantes e caminhou de regresso a casa, bamboleando o corpo ao mesmo tempo que olhava pelo canto do olho.

E porque hoje

começa um novo mês, isto merece um post!