quinta-feira, julho 28

Voo

Bebo-me em álcool destilando a memória, apagando as certezas, esperando apenas.
O tempo corre pelos gargalos etílicos em golfadas frescas.
Basta-me de um minuto.
Sossego-me os eriçados artelhos em apoios de bancos sujos de pó e tempo.
Levaram-me de mim.
Deposito os restos em pendentes azuis cor do mar que trago sobre o pescoço.
Fixam-se no vazio, lá longe. Longe daqui, de tudo, do corpo.
Estão vazios, sem vida. Não brilham. Apenas se abrem e fecham em intervalos de fixação.
Nada vêem. Nada miram. Só abrem e fecham. Intervalam-se em memórias.
Já não respiro, suspiro.
Sinto saudades do psicadelismo enrolado em queimados archotes de bafos breves e repassados.
Eram negros ambientes. Putrefactórias existências.
Mas elevavam-nos daqui. Disto tudo.
Sinto-me voar... Ganhei asas e archotes.
Abandono-me de mim voando enquanto se mantém estendido, de olhar fixo, sem vida, esse corpo.
Estupefaciento-me a alma.
E voo...

2 comentários:

Anónimo disse...

gostei dos pendentes azuis cor do mar.... são lindos!

Anónimo disse...

:)