terça-feira, julho 5

Areia

Fujo-me por entre os teus dedos, como a areia da praia.
De mão aberta, deixas escapar-me de ti.
Caio dos dedos com a cadência da ampulheta que desconta o tempo.
Miras a mão que não fecha e não aconchegas.
A diferença, é que neste caso o areal é imenso.
Fora da hermética cápsula perde-se na imensidão, para sempre.
Ao ergueres outro punhado de areia, já muito pouco de mim lá estará.
Até já nada restar.
Apenas areia do mar.

2 comentários:

Anónimo disse...

Muito bonito este texto, para alguém que se diz tão analítico demonstra uma grande sensibilidade, o que normalmente não acontece em pessoas de carácter analítico. A sua escrita revela uma enorme sensibilidade, uma capacidade de olhar para o mundo com outros olhos, com uma beleza, ainda que haja uma tristeza latente, há o belo, há fantasia, consegue fazer de algo, triste, doloroso, algo muito belo e que ao mesmo tempo transmite um sentimento de esperança.

Anónimo disse...

Eu tenho que perguntar, porque tristeza se a verdade e' tão bonita?