segunda-feira, fevereiro 20

Vinho

As pipas de vinho caíam em magotes de cor avermelhada, infestando de um nauseabundo cheiro a viela escura e suja das traseiras. Entornava-se vinho rua abaixo, pintando um manto de espuma o empedrado que terminava na rua principal.
- Os jumentos entornaram o vinho novamente. Bestas! – guturou, entre dentes, um velho estendido no passeio.
A rua era escura, pintada de negro e nem a sombra lá entrava. Havia gente espalhada em cada esquina. Esticavam-se todos em mantas e pedaços de cartão para suportar o frio. As noites ao relento enrijecem os ossos. Passado uns tempos, parece que o frio já nem é frio. Tornamo-nos imunes. Desfrios.

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