- Antigamente tinha muitas vezes um pesadelo horrível. Era mais ou menos assim:
«Era um teatro antigo e escuro. Enorme. Cheio de cadeiras antigas mas confortáveis. Penso que eram vermelhas, aveludadas. A plateia estava cheia e os balcões, no primeiro andar, circulavam a sala oval, igualmente cheios. Todos estavam trajados a rigor. Homens de fato escuro e gravata e as mulheres com sóbrios vestidos compridos.
A ladear as cadeiras, havia uns degraus que desciam com a sala. Um corredor de escadas de cada lado da sala, apertando a curva em direcção ao palco ligeiramente acima da primeira fila. Em cada um dos degraus havia velas acesas. Círios. Era a única iluminação que havia, tirando umas tochas de querosene espalhadas uniformemente pelo palco, à frente.
As cortinas eram vermelhas e aparentemente gastas pelo tempo. Notavam-se alguns remendos feitos à pressa mas que não destoavam do resto da decoração. A sala parecia toda ela remendada. Era bonita, ou melhor, aparentava ter tido tempos áureos muito lá para trás. Hoje em dia, era simplesmente sinistra.
Poderia tentar descrever o tecto, mas no sonho não me recordo de o ter visto. Devia ter um lustro qualquer a pender de cima, mas nem iluminado estava. Talvez ainda fosse de velas.
Ouvia-se o burburinho dos presentes que esperavam ansiosamente o começo do espectáculo. A maioria sabia ao que ia. Eu não. Apenas me recordo de lá estar. No meio da sala. Sem companhia. Devia ser o único desacompanhado. Todos os outros estavam de braço dado à companheira, enquanto trocavam esguios olhares com outras fileiras. Ninguém se apercebia, ou então faziam de conta...
Os sussurros foram diminuindo até quase não se ouvir absolutamente nada, a não ser o ranger das cadeiras lá ao fundo. O espectáculo ia começar. Ali estava, ainda sem saber exactamente o que me ia aparecer à frente. Aquilo era tudo estranho. Asqueroso, sujo, degradado.
As cortinas começavam lentamente a abrir. Vislumbravam-se mais tochas acesas que iluminavam o palco.
Do negrume que brotava daquele estrado, viam-se três estacas perfeitamente alinhadas, à frente. Em cada uma delas espetava-se uma cabeça humana, morta, ainda fresca. O público delirava com o início. Palmas e ovações de pé acompanhavam assobios em êxtase. Na primeira fila, os homens ajudavam as companheiras a ver melhor.
Repentinamente as tochas apagam-se e fica tudo no lusco-fusco das velas das escadas. Aproximava-se o clímax da produção.
Enormes labaredas começam a dançar à volta do palco enquanto se vê uma enorme estaca exactamente centrada. Era mais comprida que as outras, mas era única. Ouviam-se tambores rufar e cânticos em crescendo.
Começa, então, a descer, em grossas correntes metálicas, uma mulher presa e despida em direcção ao poste. Tinha cabelos compridos, negros, com caracóis a penderem sobre os seios.
Gritava.
Preparava-se o empalamento. »
- Tu não és normal, pois não?
- Não. porquê?
«Era um teatro antigo e escuro. Enorme. Cheio de cadeiras antigas mas confortáveis. Penso que eram vermelhas, aveludadas. A plateia estava cheia e os balcões, no primeiro andar, circulavam a sala oval, igualmente cheios. Todos estavam trajados a rigor. Homens de fato escuro e gravata e as mulheres com sóbrios vestidos compridos.
A ladear as cadeiras, havia uns degraus que desciam com a sala. Um corredor de escadas de cada lado da sala, apertando a curva em direcção ao palco ligeiramente acima da primeira fila. Em cada um dos degraus havia velas acesas. Círios. Era a única iluminação que havia, tirando umas tochas de querosene espalhadas uniformemente pelo palco, à frente.
As cortinas eram vermelhas e aparentemente gastas pelo tempo. Notavam-se alguns remendos feitos à pressa mas que não destoavam do resto da decoração. A sala parecia toda ela remendada. Era bonita, ou melhor, aparentava ter tido tempos áureos muito lá para trás. Hoje em dia, era simplesmente sinistra.
Poderia tentar descrever o tecto, mas no sonho não me recordo de o ter visto. Devia ter um lustro qualquer a pender de cima, mas nem iluminado estava. Talvez ainda fosse de velas.
Ouvia-se o burburinho dos presentes que esperavam ansiosamente o começo do espectáculo. A maioria sabia ao que ia. Eu não. Apenas me recordo de lá estar. No meio da sala. Sem companhia. Devia ser o único desacompanhado. Todos os outros estavam de braço dado à companheira, enquanto trocavam esguios olhares com outras fileiras. Ninguém se apercebia, ou então faziam de conta...
Os sussurros foram diminuindo até quase não se ouvir absolutamente nada, a não ser o ranger das cadeiras lá ao fundo. O espectáculo ia começar. Ali estava, ainda sem saber exactamente o que me ia aparecer à frente. Aquilo era tudo estranho. Asqueroso, sujo, degradado.
As cortinas começavam lentamente a abrir. Vislumbravam-se mais tochas acesas que iluminavam o palco.
Do negrume que brotava daquele estrado, viam-se três estacas perfeitamente alinhadas, à frente. Em cada uma delas espetava-se uma cabeça humana, morta, ainda fresca. O público delirava com o início. Palmas e ovações de pé acompanhavam assobios em êxtase. Na primeira fila, os homens ajudavam as companheiras a ver melhor.
Repentinamente as tochas apagam-se e fica tudo no lusco-fusco das velas das escadas. Aproximava-se o clímax da produção.
Enormes labaredas começam a dançar à volta do palco enquanto se vê uma enorme estaca exactamente centrada. Era mais comprida que as outras, mas era única. Ouviam-se tambores rufar e cânticos em crescendo.
Começa, então, a descer, em grossas correntes metálicas, uma mulher presa e despida em direcção ao poste. Tinha cabelos compridos, negros, com caracóis a penderem sobre os seios.
Gritava.
Preparava-se o empalamento. »
- Tu não és normal, pois não?
- Não. porquê?
7 comentários:
acho que ela tem razão ao dizer "tens um lado demente" :)
apesar de assustador, está muito bem escrito, quase nos transportando para lá...
* eu diria mm um verdadeiro filme de terror..... mas realmente tem mesmo um lado demente...... e da mente altamente imaginativa!! :)
gosto da forma como descreve, não é de forma exaustiva, deixa espaço para quem lê também tenha que "puxar" pela imaginação... gostei!
* é demente ... mas é um demente engraçado!! :))
que diria Freud de um sonho destes?
*o freud fugia com certeza..... pq a loucura deste "demente" põe qq um louco tb!!
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