quinta-feira, julho 14

Pedaços

Chegaste aos pedaços. Vieste perdida.
Eras fragmentos de coisas, de dores, de memórias.
Chegaste em mil bocados de nadas. De tudo.
Trazias sacos de mágoas. Malas de dor. Capas de medos
Eras o pânico encarnado.
Toda tu transpiravas receios.
Chegaste em prantos secos, sem esperança.
Teus olhos frágeis na lembrança.
As mãos pendentes, sem carinhos.
Os beijos secos, já sem vida.
Cheguei-te em vida, com ternura.
Entrei em teus receios escondidos.
Beijei-te os seios já com vida.
Abracei-te a alma renascida.
Cheguei-te onde nem sabias que existia.
Abriste os olhos lá em cima.
Miraste-me como quem já se entrega.
Olhaste o Sol com outro brilho.
Beijinhos demos dessa maneira.
Teu peito amei à tua beira.
Prazeres conheceste de seguida.
Mesmo quando me paravas.
Mesmo quando não o fazia.
Foste tu já mais inteira.
Com medos de nadas infundados.
E eu apenas amei.

10 comentários:

Anónimo disse...

Lindo, este texto. O que posso dizer para além disto? Que li, tornei a ler e mais uma vez li e... eu apenas amei

Anónimo disse...

li, reli, inspirei, suspirei, fechei os olhos e sonhei....... sonhei acordada, adormeci no silêncio destas palavras, senti, amei , li e reli!
belíssimo textos, belíssimas palavras cheias de intenção amor e ternura!! mt ternura, gostei mt :)*

Anónimo disse...

eu acho admirável, e não estou a exagerar, a forma como tu consegues por por palavras coisas tão complicadas e tu fazes isso com uma simplicidade assustadora, é como se as coisas ganhassem forma, se materializassem à nossa frente, lê-se, mas vê-se, conseguem-se ver, mesmo que não se tenha sentido ou conhecido algo igual, consegue-se ver, visualizar o que escreves, é como se com palavras pintasses um imagem, um cenário e eu acho que cada vez mais estás a escrever dessa forma

Anónimo disse...

ao ler este texto, foi como sentir que alguém me embalava, me pegava ao colo e me sussurrava ao ouvido "vai ficar tudo bem"

Anónimo disse...

não sei qual a causa/efeito que este texto tem em mim,mas é algo de vivo, sinto-o, sinto-me leve. Vagueia o meu pensamento ao imaginar esta imagem de ternura carinho e amor! Abraço cada palavra e sinto beijos ao de leve na minha alma, como se todos estes prazeres fossem meus.
Tenho lido coisas bonitas e intensas mas este toca-me a alma, enche-me o coração..... sinto-me leve, sinto-me aqui!

Anónimo disse...

Das mais belas palavras de amor que já li!

Anónimo disse...

* e enquanto leio este blogue tenho sempre por habito ouvir musica, e enquanto volto a ler este "pedaço" de texto ouço Tom Jobim - "o grande amor" cuja letra da musica aqui .....
Haja o que houver,
há sempre um homem, para uma mulher.
E há de sempre haver para esquecer,
um falso amor e uma vontade de morrer.
Seja como for há de vencer o grande amor,
que há de ser no coração
Como um perdão
Pra quem chorou.....
Isto tudo para concordar com o comentário acima.

Anónimo disse...

* quero-me perder para me voltar a encontrar, encontrar os pedaços que deixei pelo caminho.
quero-me encontrar para me voltar a perder, perder-me em sonhos e ilusões.
quero os pedaços que deixei lá trás,quero remendar a minha alma para voltar a ser mais eu.Quero ser inteira, mas partida, para que me abracem alma e me senta renascida

Anónimo disse...

...e me SINTA renascida.

Anónimo disse...

Acho este texto simplesmente soberbo, leio-o e revejo-me nele, pois foi assim que durante muito tempo vivi, despedaçada, despedaçando-me e despedaçando para além de mim... e de cada vez que o leio a lágrimas correm tristes e doridas, numa face já inteira... tendo-o vivido e sentido, jamais o conseguiria expressar desta maneira.
O Carabina tem o dom, e é mesmo um dom raro, o de transformar a dor, o sofrimento, a feiura do ser humano, em algo sereno, em algo calmo, em algo belo e puro e no entanto não ilusório ou falso...