sexta-feira, julho 1

La petite-mort

Pincelava-te o corpo com o meu beijo. Ao de leve, suave.
Percorria-te o peito com o olhar.
Deixava deslizar, lentamente, a ponta dos meus dedos.
A pele que estendias húmida, ardente, indefesa, arrepiava-se a cada toque, a cada brisa, a cada beijo.
Sentias suavemente as carícias dos meus lábios em teu manto. Percorriam cada espaço descoberto.
Lentamente, sentias o corpo acendendo-se. Começavam os suores, os gemidos, os olhares furtivos. O corpo começava-se-te a contorcer, sem controlo, sem regra, sem caminho.
À medida que ias sentindo a pele na pele, o som com som, o ritmo com movimento, ias perdendo o sentido, ias deixando-te fugir. Partias.
As coxas apertavam-se-te em conjunto, sufocavas-me as mãos, não permitias que saísse.
A força do teu sufoco deixava antecipar a rápida chegada.
«Isso... Assim... Aí...»
Apertavas-me as mãos, como quem não permitia que partisse. Agora não era tempo de voltar atrás.
Deixavas-te chegar com a força de um suspiro.

5 comentários:

Anónimo disse...

até me arrepiei. acho que tem uma forma subtilmente sensual de escrever, está tudo lá sem ser explícito. Muito bom.

Anónimo disse...

ardentes estas palavras

Anónimo disse...

* respira-se, transpira-se , suspira-se..... e mais nao digo!

Anónimo disse...

* tá td aqui não estando, sente-se tudo não sentindo, o ritmo das palavras envolvem a cada linha que passa, partimos, ao sabor da imaginação,cm quem não quer partir, com quem nao se permite.... fechamos os olhos.... e aí td vem à memória!

Anónimo disse...

já que partilha connosco coisas tão bonitas, gostava de dizer que este blogue tem sido uma boa companhia neste últimos tempos... obrigada