quarta-feira, agosto 31

Mulher, faz-te

Chega-te galopante à noite vazia
Evapora-te obscena em aguardentes de mel
Vai, segue-te em punhos cerrados e olhos tesos
ergue-te em batalhas pelas vielas sem sombra
espanta-te e faz-te mulher de voz erguida
de peito feito em caixa de ar
de fraco punho d'aço feito
de leve e esguia num torpedo
em forças que te brotam das entranhas
em vontades e desejos submersos
que te impelem mais e mais sempre adiante
ou deixa-te fraca nesse canto
e não chores senão para dentro.

6 comentários:

Anónimo disse...

Simplesmente fantástico, excelente jogo de palavras, muito visual, forte, enérgico, sensual... um dos melhores. Fantástico!

Anónimo disse...

Até dá vontade de sair a gritar, de explodir toda a raiva dor e mágoa que se possa ter!
Levanta a moral, mas só quando a moral quiser ser levantada!
Há dias melhores outros piores, dias de gritos mudos e de silêncios ensurdecedores!
Sim, forte este texto, com uma beleza escondida por entre as palavras duras que se insurgem contra nós!
Gostei, sim......

Anónimo disse...

Carabina no seu melhor. Maravilhoso!

Anónimo disse...

E assim "faz-te" Escritor... muito bom, excelente

Anónimo disse...

contudo chorar para dentro não faz bem.... ficamos afogados em água que não transborda, ficamos atolados na lama, precisamos de gritos e de choros para libertar o que nos vai na alma, e nem sempre é fácil.
de facto a vida não é fácil.

Anónimo disse...

Que belo hino à mulher.